Resumo

A novela O frío azul (2007), do escritor galego Ramón Caride Ogando, constitui um exemplo significativo da propensão da narrativa histórica pós-moderna para a reflexão sobre o esbatimento de fronteiras entre domínios do conhecimento como a história e a literatura. Nesse contexto, a interdiscursividade assume-se para o autor tanto enquanto horizonte de reencontro ficcional com o arquivo disponível como cenário de subversão criativa das referências aí encontradas. Na obra de Ramón Caride, esse olhar diverso revela-se, entre outros aspetos, na representação da violência, de que nos ocuparemos a partir do estudo de três dimensões intercomunicantes: o espaço, a soberania e o maravilhoso.