Vol 13 (2021):

Este número está en curso pero contén artigos finais e totalmente citables

Propriedades Temporais do Futuro Simples em Português Europeu

  • Luís Filipe Cunha
Publicado 25-02-2021

O objetivo central do presente trabalho é o de discutir algumas das propriedades temporais que caracterizam o Futuro Simples em Português Europeu. Começaremos por demonstrar que, embora este tempo gramatical veicule frequentemente informação de cariz modal, existem inúmeros contextos em que a sua função é claramente a de localizar uma situação num intervalo futuro. Nesse sentido, discutiremos algumas propostas de análise para o Futuro Simples que nos permitam dar conta das suas propriedades temporais. Assumiremos que o referido tempo gramatical exprime tipicamente uma relação de posterioridade no que diz respeito ao momento da enunciação. Uma tal abordagem permite-nos dar conta não apenas dos casos de mera localização das eventualidades no eixo temporal, mas também das restrições aspetuais a que a designada leitura conjetural do Futuro Simples está sujeita. Finalmente, estabeleceremos uma comparação sistemática entre as propriedades temporais do Futuro Simples e da construção ir (no Presente do Indicativo) + Infinitivo, sustentando a ideia de que esta última apresenta restrições adicionais a nível temporal – em particular, a imposição de uma fronteira posterior a t0 para além da qual as situações não se poderiam estender –, o que explicaria a total impossibilidade da sua comparência em configurações de sobreposição ao momento da enunciação, mesmo quando estão em causa predicações estativas.

O infinitivo flexionado en galego: unha análise variacionista baseada na lingua oral

  • Javier Rivas
  • Esther L. Brown
Publicado 22-02-2021

O presente traballo ofrece os resultados da primeira análise variacionista do infinitivo flexionado en galego no contexto das cláusulas adverbiais co obxectivo de identificar a gramática probabilística da dita construción, en contraposición ao infinitivo invariable e ao subxuntivo. Os resultados suxiren que os patróns de uso do infinitivo flexionado están condicionados principalmente polo grao de accesibilidade do referente do suxeito da cláusula adverbial. Canto máis baixa é a accesibilidade do dito suxeito, maior é a posibilidade de que apareza a forma flexionada. Ademais, a análise variacionista amosa que, a medida que aumenta a complexidade sintáctica da cláusula, aumenta tamén a probabilidade de que apareza o subxuntivo. Polo tanto, o uso do infinitivo flexionado está restrinxido a cláusulas cunha complexidade sintáctica reducida. Os resultados están baseados nos datos do CORILGA, un extenso corpus de galego oral dun millón catrocentas mil palabras. Compárase tamén o infinitivo flexionado en galego e portugués en canto á frecuencia e contextos de uso así como á súa aparición cun suxeito nominativo co obxectivo último de proporcionarmos datos novos dunha lingua (galego) pouco estudada para contribuír ao coñecemento do infinitivo flexionado, un fenómeno gramatical excepcional nas linguas do mundo.

Microvariação na sintaxe dos clíticos: os dialetos portugueses dos Açores e Madeira

  • Ana Maria Martins
Publicado 20-04-2021

Este artigo estuda a colocação dos pronomes clíticos nos dialetos portugueses dos Açores e Madeira. A base empírica é o Corpus dialetal para o estudo da sintaxe (CORDIAL-SIN). Uma primeira abordagem panorâmica mostra que estes dialetos apresentam tipicamente o padrão geral de colocação dos clíticos do português europeu, mas admitem igualmente colocações atípicas, com expressão quantitativa significativa. A investigação foca-se depois em dois tipos de colocação atípica: a ênclise ao verbo finito em configurações sintáticas tipicamente indutoras de colocação proclítica; e a próclise a formas não finitas do verbo em configurações sintáticas onde, tipicamente, se esperaría a ênclise. Os dois tipos de colocação atípica são analisados na sua expressão quantitativa, distribuição geográfica e distribuição por estruturas sintáticas, mostrando-se a ênclise atípica especialmente produtiva com certos advérbios (até, também) e nas orações relativas (resuntivas e cortadoras). Numa perspetiva geolingüística, as nove ilhas dos Açores apresentam uma relativa homogeneidade, não sendo possível identificar, de forma consistente, subáreas dialetais. Já no arquipélago da Madeira observa-se uma clara separação entre a ilha da Madeira (representada no CORDIAL-SIN por Câmara de Lobos e Caniçal) e a ilha de Porto Santo, em particular a Camacha. A Madeira destaca-se pela forte incidência da ênclise atípica nas frases finitas e Porto Santo pela incidência da próclise atípica nas frases com infinitivo e gerúndio. Globlamente, a ênclise atípica está mais representada no corpus em número de ocorrências, mas a próclise atípica é percentualmente mais expressiva e tem paralelo em factos conhecidos das variedades não europeias do português.