El objetivo de este trabajo es analizar las variantes formales y los significados de la construcción fraseológica [SN (neg) ser + relativo + preposición + infinitivo] en español y en gallego. Mediante datos de corpus comprobamos que el subesquema con la preposición para está asociado en ambas lenguas, de forma preferente, con contenidos de ‘no responsabilidad’ o ‘no autoridad’, mientras que el subesquema con la preposición de se vincula con contenidos evaluativos de ‘(in)capacidad’. La descripción del comportamiento formal y semántico de estas combinaciones se realiza mediante el análisis de 227 concordancias del español general obtenidas de CORPES, de 475 del gallego recuperadas de los corpus TILG y CORGA, y de 218 del español de Galicia extraídas de esTenTen23. Del análisis detallado de estos datos se desprende que la construcción [SN (neg.) ser quién de + infinitivo], usada en español de Galicia, presenta propiedades gramaticales que revelan su convergencia con la homóloga del gallego (en esta lengua con variación dialectal entre de y a). En el trabajo se comprueba que la construcción con para presenta mayor grado de fijación: formas de presente y copretérito, aspectualmente imperfectivas, y enunciados negativos. En cambio, en gallego y en español de Galicia la construcción con de registra mayor variación modo-temporal, más usos en enunciados afirmativos, y sentidos derivados de ‘logro’ o ‘fracaso’ al combinarse con formas perfectivas de pasado.
El objetivo del trabajo es onomasiológico, ya que se pretende analizar los distintos tipos funcionales de nombres propios que aparecen específicamente en el discurso religioso, para comprobar qué formas lingüísticas presentan: sustantivos, locuciones, colocaciones o sintagmas nominales libres. Para ello, se comienza explicando, como base teórica, el concepto del universo del discurso de Coseriu, la teoría descriptiva de la referencia de los nombres propios de Fernández Moreno y la aplicación del concepto de locuciones y colocaciones nominales a la especificidad del nombre propio del discurso religioso. A continuación, dada la doble perspectiva histórica y de género adoptada, se efectúa un análisis de corpus centrado en el castellano del siglo XVII y, concretamente, en dos textos de autoridades femeninas que merecen ser estudiados con dicho fin: los Ejercicios espirituales de Mariana de san José y los Ejercicios espirituales de María de Jesús de Ágreda. Una vez registrados todos los ejemplos, se clasifican, según son nombres propios prototípicos, locuciones nominales (expresión deíctica o descripción definida), colocaciones (A+N o N+A) o sintagmas libres. La principal conclusión apunta a que los nombres propios prototípicos son las formas lingüísticas más frecuentes en ambos casos, si bien se diferencian en el referente, pues Dios es el más frecuente en María Jesús de Ágreda y Jesucristo en el de Mariana de San José.
This study investigates the linguistic landscape of Vigo, Galicia’s most populated city. We employ a mixed-methods approach, combining qualitative and quantitative methods, including inferential statistical approaches. Our results confirm previous studies in similar Galician contexts, showing that the national language, Spanish, is more frequently visible in the linguistic landscape of Vigo than Galician, the co-official regional language. Among several factors influencing the presence of language on linguistic signs, authorship (i.e., signs put up by private authors or official authorities) and the absence of other languages have been identified as the most significant predictors. The results can be interpreted as a consequence of governmental language policies, as well as the population's language preferences and attitudes.
O presente artigo trata da distribuição espacial de hagiotopônimos identificados em localidades quilombolas no Pará, estado que integra a Amazônia Brasileira. Para o presente estudo adotamos a classificação proposta por Maria Vicentina Dick para aos hagiotopônimos. Os dados analisados integram a base de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, publicada em 2020 e em 2023, e do Instituto de Terras do Pará (Iterpa). A pesquisa limita-se aos nomes de localidades quilombolas que recebem nomes de santas, destacando a distribuição desses hagiotopônimos pelo espaço paraense, incluindo-se as mesorregiões e cidades que o compõem. Também destacamos os hagiotopônimos mais adotados nessas localidades, a origem etimológica do elemento específico que os compõem, bem como focalizamos a estrutura que apresentam, entendidas aqui como marca de pertencimento étnico e comunitário. Os resultados mostram o uso produtivo de Santa Maria e Nossa Senhora.
Este trabalho tem como objetivo descrever as variantes lexicais para o item Via Láctea/Caminho de Santiago no Atlas Linguístico do Amapá (ALAP). Além de comparar o item em análise com os dados do Atlas Linguístico dos Karipuna do Amapá (ALIKAP) e a Tese Diversidade lexical em comunidades afro-amapaenses: contornos diatópicos, diastráticos e diarreligiosos, a fim de evidenciar o contraste dessas lexias com as variantes contidas no ALAP. Como aporte teórico, esta pesquisa incorpora a disciplina da Geolinguística Pluridimensional, que apresenta os resultados por meio de cartas linguísticas, considerando os aspectos socioculturais dos colaboradores. Assim, a equipe do ALAP definiu dez pontos de inquérito e selecionou 40 informantes conforme a faixa etária (18-30 anos e 50-75 anos) e sexo (homem e mulher). O instrumento para coleta de dados utilizado foi o Questionário Semântico-Lexical. A partir dos dados coletados, foi realizada a análise no software de planilhas Excel e, posteriormente, a cartografia linguística no software de design gráfico Inkscape. Como resultados, as seguintes designações foram identificadas: constelação, Via Láctea, conjunto de estrelas, Cruzeiro do Sul, grupo de estrelas, sete estrelas, outras (cometa, satélite) e sem respostas.
Este artigo discute a análise e classificação das orações subordinadas-Q que alguns autores têm classificado como exclamativas indiretas, como [não sabes] quão desiludidos ficámos, distinguindo-as das genuínas interrogativas indiretas, como [não sei] quão desiludidos eles vão ficar. Após uma revisão da literatura que propõe ou adota a classe das exclamativas indiretas, no inglês e bem assim no português, consideram-se primeiro as suas propriedades semântico-pragmáticas distintivas e depois as suas propriedades morfossintáticas particulares. A presença de uma implicatura factiva é a propriedade que mais claramente distingue as construções, não sendo a maior parte das orações distinguíveis por propriedades morfossintáticas. Este facto favorece a sua categorização como membros de uma mesma macroclasse sintática (interrogativas indiretas lato sensu), que pode depois ser subdividida pela presença ou ausência da implicatura, dispensando-se a criação de uma classe autónoma de orações completivas: as exclamativas indiretas. Porém, a observação mais pormenorizada de um conjunto de propriedades morfossintáticas mostra que a classe das exclamativas indiretas pode afinal ter pertinência na descrição gramatical do português, pelo menos para o pequeno grupo de orações que mimetizam, em posições de subordinação, comportamentos morfossintáticos que se encontram em exclamativas matriz, mas não em interrogativas matriz. Entre estes, destaca-se a presença do complementador exclamativo que, como em [olha] que bom aspeto que isto tem, ou de morfemas-Q exclusivamente exclamativos, como o quantificador verbal o que, em [nem sabes] o que eu me diverti.
O objetivo deste trabalho é avaliar, experimentalmente, relações de concordância em estruturas coordenadas adversativas corretivas. A investigação dos padrões de concordância em coordenação conduzir-nos-á a pistas importantes sobre a sua configuração básica, aos mecanismos subjacentes à verificação dos seus traços formais e à interação entre morfossintaxe e semântica. Para aferir os padrões de concordância preferenciais nestas construções, construiu-se uma Tarefa de Escolha Forçada com um total de 48 estímulos (16 frases teste e 32 distratores), em que participaram 32 informantes com formação superior (licenciatura/mestrado). Os dados obtidos mostram preferência pela estratégia semântica para estabelecer a concordância, tanto nas estruturas do tipo não X mas Y quanto nas do tipo X mas não Y. Consideramos a influência de diversos fatores: (i) em frases com expressões não X mas Y como sujeitos em posição pós-verbal e em frases com expressões X mas não Y como sujeitos pré-verbais verificou-se preferência pelo sujeito asserido, que, em X mas não Y, é também aquele que estabelece com o verbo uma relação de c-comando mais próximo, sendo, em ambos os casos, este sujeito, em Forma Fonética, o mais distante do verbo; (ii), por outro lado, em frases incluindo não X mas Y como sujeitos em posição pré-verbal e em frases contendo expressões X mas não Y como sujeitos pós-verbais a preferência é também pelo sujeito asserido, que em Forma Fonética é o mais próximo do verbo em ambas as expressões, mas que só com sujeitos como X mas não Y é localmente c-comandado pelo verbo.
O Dicionário Português-Chinês (cerca de 1579-1584) é um marco na história da lexicografia, tendo sido publicado em 2001 em uma edição facsimilar (Ruggieri & Ricci, 2001). Aqui, discutimos a ordem de redação dos itens do dicionário, considerando as entradas em português, os caracteres chineses e sua romanização, os acréscimos em italiano e as revisões posteriores, bem como a atuação de seu autor Michele Ruggieri SJ. Mostramos que nos fólios A a C, um amanuense redigiu previamente as entradas em português, com base no Dicionário de Cardoso (1569). Posteriormente, Ruggieri coordenou a escrita dos equivalentes chineses e anotou suas romanizações das palavras chinesas. Na seção A-C, Ruggieri presumiu que haveria um correspondente chinês para cada palavra listada no dicionário de Cardoso (1569). Contudo, a recolha de dados e a comparação de itens lexicais do português e do chinês levaram-no a abandonar a lista que tinha preparado previamente. Optou então por uma abordagem mais pragmática e abandonou a procura de um equivalente chinês para cada entrada do dicionário. Assim, na seção D a Z, mudou a sua abordagem: uma entrada em português só era escrita quando os assistentes chineses ofereciam um equivalente. Nesse sentido, Ruggieri tomou decisões autorais para melhorar o uso de todos os recursos disponíveis. Embora o manuscrito se encontre inacabado e não tenha sido publicado editado em sua época, ele revela a evolução de Ruggieri como lexicógrafo e um modus operandi que influenciaria a produção posterior de dicionários jesuítas no Extremo Oriente.