Contido principal do artigo

Nádia Canceiro
Centro de Linguística da Universidade de Lisboa
Portugal
https://orcid.org/0009-0000-2257-3465
Carolina Gramacho
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa / Centro de Linguística da Universidade de Lisboa
Portugal
Vol. 18 (2026): Estudos de Lingüística Galega, Pescuda
https://doi.org/10.15304/elg.18.10140
Recibido: 2024-09-25| Publicado: 2026-02-25

Resumo

O objetivo deste trabalho é avaliar, experimentalmente, relações de concordância em estruturas coordenadas adversativas corretivas. A investigação dos padrões de concordância em coordenação conduzir-nos-á a pistas importantes sobre a sua configuração básica, aos mecanismos subjacentes à verificação dos seus traços formais e à interação entre morfossintaxe e semântica. Para aferir os padrões de concordância preferenciais nestas construções, construiu-se uma Tarefa de Escolha Forçada com um total de 48 estímulos (16 frases teste e 32 distratores), em que participaram 32 informantes com formação superior (licenciatura/mestrado). Os dados obtidos mostram preferência pela estratégia semântica para estabelecer a concordância, tanto nas estruturas do tipo não X mas Y quanto nas do tipo X mas não Y. Consideramos a influência de diversos fatores: (i) em frases com expressões não X mas Y como sujeitos em posição pós-verbal e em frases com expressões X mas não Y como sujeitos pré-verbais verificou-se preferência pelo sujeito asserido, que, em X mas não Y, é também aquele que estabelece com o verbo uma relação de c-comando mais próximo, sendo, em ambos os casos, este sujeito, em Forma Fonética, o mais distante do verbo; (ii), por outro lado, em frases incluindo não X mas Y como sujeitos em posição pré-verbal e em frases contendo expressões X mas não Y como sujeitos pós-verbais a preferência é também pelo sujeito asserido, que em Forma Fonética é o mais próximo do verbo em ambas as expressões, mas que só com sujeitos como X mas não Y é localmente c-comandado pelo verbo.