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<journal-title specific-use="original">Verba: Anuario Galego de Filoloxía</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Verba</abbrev-journal-title>
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<issn pub-type="ppub">0210-377X</issn>
<issn pub-type="epub">2174-4017</issn>
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<publisher-name>Universidade de Santiago de Compostela</publisher-name>
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<country>España</country>
<email>deborah.gonzalez@usc.es</email>
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<article-id pub-id-type="art-access-id" specific-use="pmc">7721</article-id>
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<subject>Artículos</subject>
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<article-title xml:lang="pt"><italic>Ao muito unrado senor e sages don Ruy Garcia de Pavia.</italic> Novos testemunhos da afloração e expansão do (galego-)português como língua escrita em Portugal<xref ref-type="fn" rid="fn192">*</xref></article-title>
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<trans-title xml:lang="en"><italic>Ao muito unrado senor e sages don Ruy Garcia de Pavia.</italic> New testimonies of the emergence and expansion of (Galician-)Portuguese as a written language in Portugal</trans-title>
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<name name-style="western">
<given-names>José António</given-names>
<surname>Souto Cabo</surname>
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<label><sup>1</sup></label>
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<season>Enero-Diciembre</season>
<year>2022</year>
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<title>Resumo</title>
<p>Este trabalho inclui a edição e estudo de cinco documentos em galego-português inéditos custodiados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e produzidos em Portugal entre finais do séc. <sc>xii</sc> (ca. 1188-1192) e 1270. O mais antigo é uma “notícia” probatória relativa ao processo de inquirição pelo qual uma propriedade em Friamil (Castelo de Paiva) foi reconduzida ao domínio régio. Pela datação (crítica), ele passa a integrar o diminuto grupo de exemplares em português inseríveis nas últimas décadas do séc. <sc>xii</sc>. O segundo escrito (1243), além de constituir um dos primeiros espécimes de natureza dispositiva em romance, encerra uma novidade gráfica de grande relevo: os primeiros usos do traço supralinear como diacrítico de nasalidade vocálica. A terceira parte deste artigo inclui três documentos da segunda metade do séc. <sc>xiii</sc>, cada um com características singulares. O mais antigo, um relatório económico duplo elaborado para Rui Garcia de Paiva por dois seus vassalos (ca. 1265), aproxima-se do género epistolar, o que se traduz no plano linguístico por traços expressivos inéditos fora da criação literária. Quanto ao contrato estabelecido entre esse mesmo Rui Garcia e a Ordem de Santiago em 1268, a par doutros aspetos significativos, serve como exemplo do influxo exercido por um modelo de escrita alóctone, neste caso castelhana, em território português. O último texto, lavrado em 1270 por Gil Vicente, constitui uma relevante amostra do apurado domínio dos recursos gráficos, quase em termos de modelo normativo na época.</p>
</abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract</title>
<p>This paper includes the edition and study of five unpublished Galician-Portuguese documents kept in the Torre do Tombo Archive and produced in Portugal between the end of the 12th century (ca. 1188-1192) and 1270. The earliest one is a <italic>notícia</italic> relating to the inquiry process whereby a property in Friamil (Castelo de Paiva) was returned to the royal control. Due to its chronological location, it becomes part of the tiny group of documents in Portuguese that can be ascribed to the last decades of the 12th century. The second writing (1243), in addition to being one of the first examples of a dispositive nature written in Romance, contains a graphic novelty of great relevance: the first uses of the supralinear stroke as a diacritic of vowel nasality. The third part of this article includes three documents from the second half of the 13<sup>th</sup> century, each of them with unique characteristics. The earliest one, the economic report prepared for Rui Garcia de Paiva by two of his vassals (ca. 1265), approaches to the epistolary genre, which is shown, at the linguistic level, by expressive aspects that are novel outside the literary domain. As for the contract established between that same Rui Garcia and the Order of Santiago in 1268, among other noteworthy features, it serves as an example of the influence exerted by an allochthonous model of writing, in this case Castilian, in Portuguese territory. The last text, written in 1270 by Gil Vicente, is a precious example of the refined mastery of graphic resources, almost close to the normative model of the time.</p>
</trans-abstract>
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<title>Palavras-chave</title>
<kwd>linguística histórica</kwd>
<kwd>edição de documentos medievais</kwd>
<kwd>história da língua portuguesa</kwd>
<kwd>primeiros textos em galego-português</kwd>
<kwd><italic>scripta</italic> medieval</kwd>
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<title>Keywords</title>
<kwd>Historical Linguistics</kwd>
<kwd>medieval-text edition</kwd>
<kwd>history of the Portuguese language</kwd>
<kwd>early Galician-Portuguese texts</kwd>
<kwd>medieval <italic>Scripta</italic></kwd>
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<sec sec-type="intro">
<title>1. Introdução</title>
<p>Nos anos finais do séc. <sc>xx</sc> encetávamos uma pesquisa no Arquivo Nacional da Torre do Tombo ―cit. <sc>antt</sc>― com o intuito de obter um conhecimento mais profundo sobre o volume e as características da documentação instrumental portuguesa em romance de cronologia mais recuada. Fruto direto dessa investigação ―e doutra, a ela associada, nos arquivos que custodiam a produção galega (e galaico-leonesa) do mesmo tipo― foi a edição de um conjunto de 384 diplomas situados entre 1139 e 1270 (<xref ref-type="bibr" rid="ref104">Souto Cabo 2008 = <italic><sc>dgp</sc></italic></xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn193"><sup>1</sup></xref>. Porém, ainda nos foi possível exumar, posteriormente, cinco documentos inéditos em galego-português inseríveis naquele quadro cronológico, isto é, anteriores a 1271<xref ref-type="fn" rid="fn194"><sup>2</sup></xref>. Todos constituem, por motivos diversos, testemunhos singulares e preciosos da emergência e expansão da escrita em romance no antigo reino lusitano. Esses textos, identificados (sumariamente) em seguida, são objeto de edição e estudo neste trabalho:</p>
<p>
	<list list-type="simple">
		<list-item>
			<label>1.</label>
			<p>Sem data (ca. 1188-1192) ― Paio. <sc>antt</sc>, Conventos por identificar, caixa 13, maço 1, nº 12. <italic>Esquisa sobre reguengo em Friamil</italic> (= D1).</p>
		</list-item>
		<list-item>
			<label>2.</label>
			<p>1243, outubro ― Afonso. <sc>antt</sc>, Mosteiro de Almoster, maço 6, nº 43. <italic>Doação de propriedades em Gondiães</italic> (= D2).</p>
		</list-item>
		<list-item>
			<label>3.</label>
			<p>Sem data (ca. 1265) ― Miguel Peres e André Peres. <sc>antt</sc>, Mosteiro de Almoster, maço 2, nº 35. <italic>Relatório económico endereçado a Rui Garcia de Paiva</italic> (= D3A, D3B).</p>
		</list-item>
		<list-item>
			<label>4.</label>
			<p>1268. <sc>antt</sc>, Mosteiro de Almoster, maço 10, nº 33. <italic>Contrato económico entre a Ordem de Santiago e Rui Garcia de Paiva</italic> (= D4).</p>
		</list-item>
		<list-item>
			<label>5.</label>
			<p>1270, setembro, 6 ― Gil Vicente. <sc>antt</sc>, Cabido da Sé de Coimbra, Segunda incorporação, maço 8, nº 416. <italic>Doação ao Cabido da Sé de Coimbra</italic> (= D5).</p>
		</list-item>
	</list>
</p>
<p>A apresentação e contextualização individualizadas de cada um deles serão acompanhadas, após as respetivas edições, por considerações atinentes aos aspetos com maior relevo scriptolinguístico. Assim, seguindo o modelo de estudo efetuado anteriormente<xref ref-type="fn" rid="fn195"><sup>3</sup></xref>, além de considerar a manutenção de vestígios do código tradicional de escrita latino-romance, debruçar-nos-emos sobre questões (sobretudo) grafémicas relativas ao vocalismo (vogais médias /e/ e /o/, sequências vocálicas, vogais nasais), ao consonantismo (fricativa bilabial, fricativas apicoalveolares, africadas predorsodentais, africada/fricativa palatal vozeada, africada palatal surda, lateral palatal e nasal palatal) e ainda sobre outros aspetos scriptolinguísticos a elas adjacentes<xref ref-type="fn" rid="fn196"><sup>4</sup></xref>. O desenvolvimento será maior, pela sua excecionalidade, no caso dos dois escritos mais antigos, designadamente em relação ao primeiro dos examinados<xref ref-type="fn" rid="fn197"><sup>5</sup></xref>.</p>
<p>Para a leitura deste artigo, cumpre ter presente que os vocábulos a que se atribui uma origem documental precisa são grafados em itálico, ao passo que as aspas identificam, de modo genérico, itens lexicais atuais ou arcaicos.</p>
<p>Quanto aos critérios de transcrição e edição, os textos são apresentados em versão interpretativa e de acordo com os princípios que se expõem em seguida:</p>
<p>
<list list-type="bullet">
<list-item>
<p>Utilizamos as convenções modernas como parâmetro na delimitação de unidades gráficas, mas ocasionalmente marcamos com travessão subscrito (_) a separação de palavras ligadas no manuscrito e com traço vertical (|) aqueles constituintes que se encontravam afastados. Mantemos a situação dos originais no que se refere à união ou separação dos clíticos em relação à forma verbal anterior. A elisão de elementos é sinalizada pelo apóstrofo (’). Exs.: <italic>áá uer</italic> = &gt; <italic>á</italic>_<italic>áuer</italic> (D3A), <italic>dej radega</italic> = <italic>d’ ejradega</italic> (D3A), <italic>entempo</italic> = <italic>en tempo</italic> (D1), <italic>poromper</italic> = <italic>po’</italic>_<italic>romper</italic> (D2), <italic>richomẽ</italic> = <italic>ric'homẽ</italic> (D3A).</p>
</list-item>
<list-item>
<p>O mesmo princípio atualizador foi seguido para introduzir a pontuação e no emprego de maiúsculas e minúsculas.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>O traço supralinear ou lineta utilizado em D2 e D5 como marca diacrítica para identificar vogais nasais é transformado num til (~) que encima a vogal, em
origem, nasalada antes da queda do -N- ou por influxo de uma nasal inicial. Exs.: <italic>algũa</italic> (D2), <italic>mĩas</italic> (D5).</p>
</list-item>
<list-item>
<p>Preservamos as alografias &lt;i/j&gt;  e &lt;u/v&gt;  com independência do seu valor vocálico ou consonântico. Exs.: <italic>mujto</italic> = <italic>mujto</italic> (D3A), <italic>seia</italic> = <italic>seia</italic> (D3), <italic>uasalo</italic> = <italic>uasalo</italic> (D1).</p>
</list-item>
<list-item>
<p>Mantemos todos os acentos ou plicas, salvo quando esse elemento encima o &lt;y&gt;. Exs.: <italic>arcediagóó</italic> = <italic>arcediagóó</italic> (D5), <italic>muýmẽto</italic> = <italic>muymento</italic> (D5).</p>
</list-item>
<list-item>
<p>Salvo casos excecionais de resolução duvidosa, expandimos as abreviaturas utilizando o itálico para os caracteres restituídos. A lineta com o valor de consoante nasal em coda e, excecionalmente, em posição intervocálica é desabreviada como &lt;n&gt; ou &lt;m&gt;, de acordo com as preferências do texto ou do contexto em que se integra. Exs.: <italic>comendamõos</italic> = <italic>comendamonos</italic> (D3A), <italic>dõaçõ</italic> = <italic>dõaçon</italic> (D5), <italic>nĩhúú</italic> = <italic>ninhúú</italic><xref ref-type="fn" rid="fn198"><sup>6</sup></xref> (D4), <italic>nõ</italic> = <italic>nom</italic> (D1), <italic>t’ra</italic> = <italic>terra</italic>. (D1).</p>
</list-item>
<list-item>
<p>As dúvidas que coloca a interpretação dessa marca quando situada sobre a palavra “homem”, dado que poderá tratar-se de prolongamento de uma prática abreviativa latinizante, leva-nos a editá-la como um til (ambivalente) sobre a última vogal: <italic>homẽ</italic> (D5) ―não como “homem” ou “homen”<xref ref-type="fn" rid="fn199"><sup>7</sup></xref>. No caso dos vocábulos “ano” e “como”, optamos por transcrevê-los como <italic>ãno</italic> (D5) e <italic>cõmo</italic> (D4).</p>
</list-item>
<list-item>
<p>A nota tironiana é reproduzida como <italic>et</italic> ou como <italic>e</italic> atendendo à ocorrência, explícita ou implícita, de uma ou de outra forma no texto.</p>
</list-item>
<list-item>
<p>As cifras dos numerais são apresentadas com todas as unidades em letras maiúsculas e unifico os alógrafos de &lt;i&gt; como &lt;I&gt;. Ex.: CC.lxxj = CC.LXXI (D2).</p>
</list-item>
<list-item>
<p>As letras omitidas são restituídas, apenas quando o lapso seja óbvio, entre parênteses retos ([texto]), e utilizamos os parênteses angulares (&lt;texto&gt;, &lt;...&gt;) para lições de difícil decifração ou sobre as quais não tenhamos certeza absoluta. Exs.: <italic>martno</italic> = <italic>Mart[i]no</italic>
(D1), <italic>rodigo</italic> = <italic>Rod[r]igo</italic> (D1), <italic>sepe</italic> = <italic>se[n]pe</italic> (D2).</p>
</list-item>
<list-item>
<p>Os elementos desnecessários ou cancelados são incluídos entre parênteses. Exs.: <italic>herdadede</italic> = <italic>herdade(de)</italic> (D2), <italic><strike>nozes</strike> =</italic> (<italic><strike>nozes</strike></italic>) (D3).</p>
</list-item>
</list>
</p>
<p>Na reprodução, por motivos diversos, de fragmentos das escrituras em questão ao longo das páginas deste trabalho, prescindimos de marcas e contrastes tipográficos (exs.: criasio<italic>m</italic> = criasiom, Rod[r]igo = Rodrigo, etc.)</p>
</sec>
<sec>
<title>2. Documentos anteriores à segunda metade do séc. <sc>xiii</sc></title>
<sec>
<title><bold>2.1. <italic>Aquesta esquisa fuit dita</italic></bold></title>
<p>Embora não datado, o escrito que intitulávamos como <italic>Esquisa sobre reguengo em Friamil</italic> ―cit. <italic>Esquisa</italic>― é, com certeza, o mais antigo dos apresentados, segundo apontam, de modo convergente, as características materiais, sobretudo a letra, e os elementos de significado cronológico do seu conteúdo<xref ref-type="fn" rid="fn200"><sup>8</sup></xref>. Não obstante certas dúvidas sobre a compreensão do texto, pensamos que nele se descreve, em modo sumário, a alienação de propriedades que estavam na posse de uma D. Urraca e dos filhos desta para serem reconduzidas ao domínio régio. Pelo procedimento habitual para apurar se algum nobre se tinha apropriado indevidamente dos reguengos, baseado numa inquirição (<italic>esquisa</italic>) a testemunhas <italic>in loco</italic>, parece ter sido constatado o carácter ilícito do domínio que aqueles exerciam sobre uma herdade em Friamil (Castelo de Paiva)<xref ref-type="fn" rid="fn201"><sup>9</sup></xref>, vindo a produzir-se a penhora da mesma<xref ref-type="fn" rid="fn202"><sup>10</sup></xref>. A elaboração do documento poder-se-á prender, consequentemente, à necessidade de contar, por parte de alguma entidade, com uma memória escrita relativa à mudança de titularidade da herdade em questão.</p>
<sec>
<title>D1</title>
<p>Sem data (ca. 1188-1192).</p>
<p><italic>Notícia sobre a inquirição efetuada para reconduzir ao património realengo uma herdade em Friamil (Real, Castelo de Paiva).</italic></p>
<p>
<disp-quote>
<p>J[n] no<italic>mi</italic>ne Do<italic>mi</italic>ni no<italic>st</italic>ri Ih<italic>e</italic>su Chr<italic>is</italic>ti. En_tempo d<italic>e</italic> Rod[r]igo Suariz, estrengerum do<italic>m</italic>na Orraca <italic>et</italic> suos filios por duzere<italic>m</italic> sua hereditate a regahe<italic>n</italic>go, p<italic>er</italic>|n<italic>omi</italic>nata en Freamil. Vermúú, alcaíd<italic>e</italic>, q<italic>u</italic>e era suo uasalo poderoso et senior desta t<italic>er</italic>ra; Martino Petriz, seu de criasio<italic>m</italic>; <italic>et</italic> Poupa Moutas, q<italic>u</italic>e era soregano da t<italic>er</italic>ra: estr<italic>en</italic> gerum et pignorar<italic>um</italic> por esq<italic>u</italic>isa de Mart[i]no Rrorigiz et de P<italic>e</italic>la<italic>io</italic> Mouro d<italic>e</italic> Sequeiroo. Et no<italic>m</italic> hachar<italic>um </italic>&lt;per perdete&gt;. S. Monaco, ts.; P<italic>e</italic>la<italic>io</italic> Arias, ts.; P<italic>e</italic>tro Mamum, ts.; P<italic>e</italic>tro Sobrino, ts.; P<italic>e</italic>la<italic>io</italic> Rial, ts.; Suero Caraua, iuiz da t<italic>er</italic>ra, ante que fuit, ts. Aquesta esq<italic>u</italic>isa fuit dita IIII<sup>or</sup> dias ante S<italic>anc</italic>to I<italic>o</italic>h<italic>an</italic>n<italic>e</italic>s Babtista. P<italic>e</italic>la<italic>io</italic> notuit.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>
<fig id="gf1">
<caption>
<title>“Pelaio notuit”</title>
</caption>
<graphic xlink:href="7721_gf2.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>No que concerne ao estatuto diplomático, trata-se de uma “notícia”, mais especificamente de uma “notícia probatória”, enquanto memória de um ato jurídico anterior que não terá sido consignado previamente por escrito (<xref ref-type="bibr" rid="ref84">Pedro 2013: 159-165</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn203"><sup>11</sup></xref>. Reporta-se o resultado de uma <italic>esquisa</italic>, cujo enquadramento original terá sido apenas o da oralidade: “Aquesta esquisa fuit dita IIII<sup>or</sup> dias ante Sancto Iohannes Babtista”. Porém, registamos algumas manifestações que se afigurariam impróprias desse molde documental, nomeadamente as alusões aos vínculos que Bermudo e Martim Peres mantinham com D. Urraca<xref ref-type="fn" rid="fn204"><sup>12</sup></xref>; junto com a utilização do verbo “estrenger” para se referir à pressão praticada sobre essa senhora e os filhos. Não encontramos, contudo, argumentos suficientes para pensar que tenha sido concebida como “notícia-narrativa”, grupo integrado sistematicamente por escrituras ―como a <italic>Notícia de torto</italic>― em que se “descrevem roubos, destruição de propriedade e apreensão irregular ou ilegal de terras” com finalidade de denúncia (<xref ref-type="bibr" rid="ref84">Pedro 2013: 611</xref>).</p>
<p>A estrutura corresponde à de outros diplomas desse tipo. Após uma fórmula habitual de <italic>invocatio</italic> (“Jn nomine Domini nostri Ihesu Christi”), encontramos o cabeçalho: “En tempo de Rodrigo Suariz estrengerum domna Orraca et suos filios por duzerem sua hereditate a regahengo, pernominata en Freamil”. A seguir surge a narração sobre o ato da <italic>esquisa</italic>, redigida no passado e estilo objetivo. No segmento final, são citadas as testemunhas e o juiz da terra, Soeiro Crava (“Suero Caraua”). Também se indica o dia, 21 de junho, em que foi promulgada, sem se precisar o ano, talvez implícito na datação sincrónica “En tempo de Rodrigo Suariz”. Conclui-se o documento com a subscrição de Paio, o seu autor material<xref ref-type="fn" rid="fn205"><sup>13</sup></xref>.</p>
<p>Os topónimos presentes (por diversas vias) na <italic>Esquisa</italic> levam-nos ao concelho de Castelo de Paiva, concretamente às freguesias de Sardoura e Real, onde encontramos os seguintes lugares: Crava (Sardoura, <italic>Caraua</italic>), Friamil (Real, <italic>Freamil</italic>), Real (Real, <italic>Rial</italic>), Sequeirô (Real, <italic>Sequeiroo</italic>). Na área situam-se os mosteiros de Arouca (Arouca), Pendorada (Marco de Canaveses) e Tarouquela (Cinfães); a algum dos quais poderá ter pertencido o escrito em questão.</p>
<p>A herdade em litígio terá permanecido na posse da coroa até à última década do séc. <sc>xiii</sc>, podendo ser reconhecida nos “II casaes en Freamil” que, junto com outros cinco situados “na freeguesia de Sancta Marinha de Rial no julgado de Pavha”, pertenceram a D. Afonso Sanches (bastardo de D. Dinis) por cessão do pai. Tais propriedades foram entregues, por permuta, ao mosteiro de Arouca de acordo com carta redigida “apres de Freamil” em 1291<xref ref-type="fn" rid="fn206"><sup>14</sup></xref>. Ora, o mosteiro de S. Pedro já contava com um casal nessa mesma terra que lhe fora dado por Toda Viegas de Riba Douro (filha de Egas Ermigues e prima-irmã de Egas Moniz, dito “o Aio”). Com efeito, no seu testamento, D. Toda contemplou o cenóbio citado, entre outras propriedades, com numerosos casais nessa zona concreta (e nas imediações), um deles em Friamil: “in Freamir Iº casal” (<xref ref-type="bibr" rid="ref18">Coelho 1988, nº 133 [ca. 1162]</xref>).</p>
<p>Quanto ao reconhecimento histórico dos indivíduos citados no texto, além das dificuldades inerentes à documentação do período, confrontamo-nos com o empecilho que supõe a ausência de patronímico na denominação de dois dos protagonistas: D. Urraca e Bermudo. No entanto, tal omissão, enquanto sinal implícito de notoriedade pública, poder-se-á constituir num elemento-chave para os individualizar.</p>
<p>A identificação mais exequível e segura poderá ser a de Paio Rial (“Pelaio Rial”), cujo apelido toponímico remete para a freguesia do mesmo nome ―hoje mal grafada como “Real” (Castelo de Paiva)― na margem esquerda do rio Paiva. Contamos com dois registos de quem exerceu como testemunha, um deles na <italic>Notícia de herdades e dívidas de Paio Soares Romeu</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn207">15</xref></sup>, na qual o titular declara a existência de uma dívida de dois maravedis com esta personagem: “A Pelagio Rial II”<xref ref-type="fn" rid="fn208"><sup>16</sup></xref>. Desconhecemos a data concreta em que Paio Soares Romeu mandou redigir essa <italic>Notícia</italic>, mas pode ser situada ca. 1175, visto que este último aparece pela derradeira vez em 24 de fevereiro de 1177, altura em que dispunha o seu testamento (<xref ref-type="bibr" rid="ref80">Monteiro e Sousa 1972, nº 134</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn209"><sup>17</sup></xref>. Paio Rial surge, de novo, em fevereiro de 1189 numa escritura do mosteiro de Pendorada pela qual ele próprio e a mulher, Elvira Peres, vendiam a outros particulares o que possuíam no lugar de Leiria<xref ref-type="fn" rid="fn210"><sup>18</sup></xref>. A presença do diploma no cartório desse cenóbio ―distante apenas 10 km de Friamil― reafirma, assim, o relacionamento de Paio Rial com essa área, uma vez que os compradores ou os seus herdeiros, de quem o convento terá recebido aqueles bens, estiveram necessariamente vinculados a esse mesmo espaço.</p>
<p>
<fig id="gf2">
<caption>
<title>“Ego Pelagius Rial”</title>
</caption>
<graphic xlink:href="7721_gf3.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib><sc>antt</sc>, Most. de Pendorada, m. 12, nº 7 [1189]</attrib>
</fig>
</p>
<p>Com menos certezas, poderemos reconhecer Paio Mouro (de Sequeirô) como um dos indivíduos citados na <italic>Manda testamentária e inventário de dívidas de Pedro Viegas</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn211">19</xref></sup>. Trata-se de uma escritura, lavrada em 1184, de que é titular Pedro Viegas, antigo escravo mouro de Teresa Afonso de Cela Nova, mulher de Egas Moniz, “o Aio”<xref ref-type="fn" rid="fn212"><sup>20</sup></xref>. Esse personagem é ainda mencionado na <italic>Notitia de hereditate de miana de domna Orracha Venegas</italic> (de Riba Douro)<xref ref-type="fn" rid="fn213"><sup>21</sup></xref> ―documento (não datado) redigido provavelmente nas últimas décadas do séc. <sc>xii</sc><sup><xref ref-type="fn" rid="fn214">22</xref></sup>― a respeito de um casal em Vilarinho (Canelas, Penafiel<xref ref-type="fn" rid="fn215"><sup>23</sup></xref>): “In Canelas: casal de Vilarino de Pelagio Mauro”<xref ref-type="fn" rid="fn216"><sup>24</sup></xref>.</p>
<p>As menções Rodrigo Soares e Bermudo, indivíduos aos quais se atribui, implícita e explicitamente, o exercício de cargos públicos, podem parecer, <italic>a priori</italic>, uma via para descortinar o momento histórico em que se gerou o texto. No entanto, as imprecisas e ―hoje para nós― confusas referências de que são objeto, junto com a falta de reflexos documentais, impedem-nos de chegar a conclusões categóricas. Bermudo terá sido um dos agentes da alienação patrimonial em questão, o que condiz com a função de alcaide (“Vermúú alcaíde”) que lhe é atribuída<xref ref-type="fn" rid="fn217"><sup>25</sup></xref>. Além disso, parece afirmar-se que era vassalo da própria D. Urraca e que tinha exercido como “senior desta terra”, expressão em que podemos descobrir o desempenho do cargo de tenente<xref ref-type="fn" rid="fn218"><sup>26</sup></xref>. Com efeito, entre 1187 e 1188, um Bermudo foi tenente de Lamego (<xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura 1992: 1018</xref>), território medieval que integrava a <italic>terra</italic> de Paiva<xref ref-type="fn" rid="fn219"><sup>27</sup></xref>. Trata-se de Bermudo Soares, filho de Soeiro Viegas de Riba Douro (prole de Egas Moniz e de Teresa Afonso de Cela Nova<xref ref-type="fn" rid="fn220"><sup>28</sup></xref>) e de Sancha Bermudes de Trava (filha de Bermudo Peres de Trava e de Urraca Henriques), falecido em 24 junho de 1191<xref ref-type="fn" rid="fn221"><sup>29</sup></xref>. A tenência de Lamego manteve-se ininterruptamente nos Riba Douro (e na sua hereditariedade) desde finais do séc. <sc>xi</sc> até meados do séc. <sc>xiii</sc> (<xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura 1992: 270-271</xref>).</p>
<p>Como elemento de datação sincrónica, o ato de despossessão é situado “En tempo de Rodrigo Suariz”, o que parece apontar para a época em que ele realizava alguma função pública; no entanto, não conseguimos identificar, para a área geográfica em foco, nenhum indivíduo com tal nome nessa situação<xref ref-type="fn" rid="fn222"><sup>30</sup></xref>. Sabemos da existência de um Rodrigo Soares (de Riba Douro) que, segundo o obituário do mosteiro de Salzedas (Tarouca), faleceu em 23 junho de 1193 (<xref ref-type="bibr" rid="ref92">Reis 2002 [1934]: 59</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn223"><sup>31</sup></xref>. Visto que a indicação do texto poderá sugerir que estamos perante um tenente, não descartamos a possibilidade de Rodrigo Soares, considerado irmão de Bermudo Soares, ter ocupado também a tenência de Lamego<xref ref-type="fn" rid="fn224"><sup>32</sup></xref>.</p>
<p>Ao que parece, uma senhora de nome Urraca e os filhos terão sido objeto de prema para transformar em realengo uma herdade em Friamil que tinham por sua. Não conhecemos o patronímico dessa Urraca, mas o tratamento de <italic>domna</italic> que lhe é atribuído assegura condição fidalga. Aliás, o facto de o alcaide ser apresentado como vassalo dela supõe tratar-se de mulher poderosa pelas origens familiares e/ou pela notoriedade do marido<xref ref-type="fn" rid="fn225"><sup>33</sup></xref>. Ora, atendendo aos circunstancialismos de diversa natureza que determinam a existência deste documento, não nos parece existir outra alternativa à possibilidade de nela reconhecer Urraca Viegas de Riba Douro (1154-1218<xref ref-type="fn" rid="fn226"><sup>34</sup></xref>), filha de Egas Moniz (1080-1146) e de Teresa Afonso de Cela Nova (cf. <italic>supra</italic>), portanto, tia dos acima citados: Bermudo e Rodrigo Soares<xref ref-type="fn" rid="fn227"><sup>35</sup></xref>. Esta convergência familiar e ainda a personalidade histórica de D. Urraca são aspetos que podem parecer, <italic>a priori</italic>, um tanto ou quanto inesperados, mas é aquilo que nos parece postular a documentação disponível (cf. <italic>infra</italic>).</p>
<p>
<fig id="gf3">
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<title>“de miana: de domna Orracha Venegas”</title>
</caption>
<graphic xlink:href="7721_gf4.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib><sc>antt</sc>, Most. Arouca, gav. 3, m. 9, nº 2</attrib>
</fig>
</p>
<p>A linhagem dos Riba Douro, a que pertenceu D. Urraca, “partindo do Sousa inferior e do Tâmega inferior, estende-se essencialmente para Sul do Douro, através da bacia do Arda, até ao Entre-Douro-e-Paiva e ao Távora inferior” (<xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura 1992: 270</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn228"><sup>36</sup></xref>. Como vimos, D. Toda Viegas de Riba Douro (prima em segundo grau de D. Urraca), padroeira do mosteiro de Arouca<xref ref-type="fn" rid="fn229"><sup>37</sup></xref>, contava com numerosas posses, como a de Friamil, localizáveis no atual concelho de Castelo de Paiva e na região central do de Arouca. Quanto ao ramo familiar de Egas Moniz, sabemos da sua presença no extinto concelho de Sanfins, integrado pelas freguesias mais ocidentais de Cinfães; isto é, o espaço imediato, à direita do rio Paiva, daquele em que se situa Friamil. O próprio Egas Moniz e Teresa Afonso tinham paços em Cosconhe na freguesia de Santiago de Piães (Cinfães)<xref ref-type="fn" rid="fn230"><sup>38</sup></xref>. Urraca Viegas também concentrava na zona uma parte dos seus bens, com propriedades em Paços ―hoje (mal) grafado “Passos”― (Tarouquela, Cinfães), Ventoselas e Concela (Piães, Cinfães), Vale do Conde (Fermedo, Arouca), Pindelo (Nespereira, Cinfães)<xref ref-type="fn" rid="fn231"><sup>39</sup></xref>.</p>
<p>Urraca Viegas é bem conhecida por ter sido aia da infanta D. Mafalda (1196-1256), filha de D. Sancho I que chegou a ser adotada por ela; contemplando-a, aliás, com boa parte do seu património<xref ref-type="fn" rid="fn232"><sup>40</sup></xref>. Ela casou com Gonçalo Rodrigues da Palmeira (1112-1154)<xref ref-type="fn" rid="fn233"><sup>41</sup></xref> e, em segundas núpcias (ca. 1169), com o conde Vasco Sanches de Cela Nova (1148-1180)<xref ref-type="fn" rid="fn234"><sup>42</sup></xref>, de quem enviuvou ca. 1181<xref ref-type="fn" rid="fn235"><sup>43</sup></xref>. Foram filhos do primeiro casamento, Fernando e Gonçalo Gonçalves<xref ref-type="fn" rid="fn236"><sup>44</sup></xref>. Este último, documentado na corte desde 1176 até 1198, foi alcaide de Lisboa (1179) e tenente, entre outras terras, de Lamego (1191-1194). Quanto a Rodrigo Vasques (1189-1197), filho de Vasco Sanches e de Urraca Viegas, ele surge na cúria de Sancho I entre 1191 e 1197<xref ref-type="fn" rid="fn237"><sup>45</sup></xref>.</p>
<p>Entre os indivíduos que intervieram no ato de alienação patrimonial comparece um Martim Peres, a respeito do qual se indica ter sido criado em casa da própria D. Urraca: “Martino Petriz, seu de criasiom”. Estamos, muito provavelmente, perante uma referência ao hábito da criação de filhos segundos em casa dos tios maternos a que, por exemplo, faz menção <xref ref-type="bibr" rid="ref70">Mattoso (1985/1: 222 e n. 265)</xref>: “velhos hábitos da protecção especial concedida aos sobrinhos, particularmente pelos tios maternos”. Assim sendo, cabe esperar que D. Urraca tenha tido um sobrinho desse nome e filho de uma irmã, o que, de facto, aconteceu<xref ref-type="fn" rid="fn238"><sup>46</sup></xref>. O segundo filho de Elvira Viegas de Riba Douro (1146-1218)<xref ref-type="fn" rid="fn239"><sup>47</sup></xref> (irmã de D. Urraca) e de Pedro Pais da Maia (alferes-mor entre 1147 e 1169) foi Martim Peres, dito o “Jaimi”<xref ref-type="fn" rid="fn240"><sup>48</sup></xref>, personagem documentado nas cortes de D. Sancho I e D. Afonso II, nas quais exerceu o cargo de tenente (1208-1220) sobre diversas <italic>terras</italic> (Maia, Celorico, Faria, Linhares, Valença e Vermoim<xref ref-type="fn" rid="fn241"><sup>49</sup></xref>). Pedro Pais da Maia, pai de Martim Peres, abandonou Portugal na sequência do desastre militar de Badajoz (1169), vindo a integrar-se na corte galaico-leonesa como alferes e tenente de D. Fernando II entre 1171 e 1186, ano em que volta à vassalagem do monarca português<xref ref-type="fn" rid="fn242"><sup>50</sup></xref>. É provável que o exílio dos progenitores tenha sido, afinal, o motivo pelo qual a tutela de Martim Peres fora confiada a D. Urraca<xref ref-type="fn" rid="fn243"><sup>51</sup></xref>. Apesar do alto grau de homonímia registada na altura, não parece que essa coincidência no nome do sobrinho possa ser atribuída a uma simples casualidade; antes pelo contrário, constitui um argumento decisivo a favor da proposta de identificação da tia como Urraca Viegas.</p>
<p>
<fig id="gf4">
<caption>
<title>“Martim Perez, <italic>Jaguum</italic>”</title>
</caption>
<graphic xlink:href="7721_gf5.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib><sc>antt</sc>, <italic>Inquirições de D. Dinis</italic>, L. 1, fl. 53v</attrib>
</fig>
</p>
<p>Se o raciocínio que fizemos, entre outros aspetos, acerca das menções de Bermudo (Soares) e de Rodrigo Soares estiver correto, então poderemos estabelecer o dia 21 de novembro de 1191 como <italic>terminus ad quem</italic> para o ato que subjaz à <italic>Esquisa</italic>, altura em que D. Bermudo, documentado pela última vez como tenente de Lamego em abril de 1188, já fora substituído no cargo por Gonçalo Gonçalves, filho de D. Urraca (cf. <italic>infra</italic>). Mesmo que a redação do texto não tenha sido imediata ao processo de inquirição, é provável que este lhe tenha antecedido pouco tempo, o que nos leva a datá-lo criticamente, mas com notável flexibilidade, de “ca. 1188-1192”. Esta proposta cronológica vai ao encontro da opinião que, no tocante à configuração gráfica, nos foi transmitida, amavelmente, por Maria José de Azevedo Santos, em comunicação pessoal (2018/07/12). De acordo com a professora de Coimbra, pode ser qualificada como “letra de esmero semicursivo, uma gótica com vestígios da carolina, sobretudo nos &lt;a&gt; ainda muito redondos”. Quanto à cronologia, propõe “colocá-lo na segunda metade do século <sc>xii</sc>”<xref ref-type="fn" rid="fn244"><sup>52</sup></xref>.</p>
<p>Como tem sido reiteradamente observado, o tipo documental “notícia”, pela sua independência em relação aos formulários notariais em latino-romance, aparece associado a escritos com alta intensidade de romanceamento, chegando ocasionalmente a atingir aquele patamar que nos permite definir um documento como “escrito em galego-português”<xref ref-type="fn" rid="fn245"><sup>53</sup></xref>. Não duvidamos em atribuir esse rótulo à <italic>Esquisa</italic>, visto já se afastar, nítida e maioritariamente, do modo scriptográfico latino. Num trabalho anterior (<xref ref-type="bibr" rid="ref107">Souto Cabo 2014: 383-387</xref>), avançamos com uma proposta concreta que possibilite, em casos de dúvida, distinguir textos em galego-português de textos latinos, utilizando como parâmetros a morfologia verbal e, em modo complementar, a queda histórica de -<sc>l</sc>- latino<xref ref-type="fn" rid="fn246"><sup>54</sup></xref>. O escrito em questão satisfaz os requisitos estabelecidos: (i) contém 8 (67%) (de 12) formas verbais não interpretáveis como latinas: <italic>dita</italic>, <italic>duzerem</italic>, <italic>era</italic><sub>2</sub>, <italic>estrengerum</italic><sub>2</sub>, <italic>hacharum</italic>, <italic>pignorarum</italic>; e (ii) oferece evidências relativas à queda histórica da lateral: <italic>da</italic><sub>2</sub> (de + art. fem.), <italic>regahengo</italic> (&lt;lat. <sc>regalengo</sc>, ‘reguengo’)<xref ref-type="fn" rid="fn247"><sup>55</sup></xref>.</p>
<p>Nas páginas que se seguem examinamos, em primeiro lugar, algumas peculiaridades grafémicas desta escritura cotejando-o com documentos (que temos por) romances anteriores, <italic>grosso modo</italic>, a ca. 1235<xref ref-type="fn" rid="fn248"><sup>56</sup></xref>. Em concreto, são os seguintes: <italic>Pacto entre Gomes Pais e Ramiro Pais</italic> ―cit. <italic>Pacto</italic>―, <italic>Carta da Benfeita</italic>, <italic>Notícia de haver</italic>, (as duas cópias do) <italic>Testamento de Afonso II</italic><xref ref-type="fn" rid="fn249"><sup>57</sup></xref>, <italic>Notícia de torto</italic><xref ref-type="fn" rid="fn250"><sup>58</sup></xref> e <italic>Manda de D. Fruilhe</italic><xref ref-type="fn" rid="fn251"><sup>59</sup></xref>.</p>
<p>Além da invocação verbal, o escrito inclui algumas unidades de feição latina ou alatinada, como <italic>fuit</italic><sub>2</sub>, <italic>hereditate</italic>, <italic>notuit</italic>, <italic>pernominata</italic>, <italic>Pelaio</italic><sub>3</sub>, <italic>Petriz</italic>, <italic>Petro</italic><sub>2</sub>, <italic>suo</italic>(<italic>s</italic>)<sub>2</sub>, que não comprometem o seu estatuto de documento em galego-português. Devemos lembrar que a própria <italic>Notícia de torto</italic>, tida consensualmente por texto românico, ademais de conter vocábulos representados com grafias que evocam traços latinos<xref ref-type="fn" rid="fn252"><sup>60</sup></xref>, também integra unidades que, do ponto de vista lexémico, morfémico e/ou fonémico, não são suscetíveis de serem consideradas galego-portuguesas<xref ref-type="fn" rid="fn253"><sup>61</sup></xref>.</p>
<p>Para a terminação da P6 do pretérito perfeito, o autor da <italic>Notícia de torto</italic> usou quase sistematicamente o sinal braquigráfico latino que abrevia a sequência -<italic>unt</italic>, cujo desenvolvimento editorial “estrito” revela, em mais de meia centena, resultados alatinados como <italic>comerunt</italic>, <italic>connocerunt</italic>, <italic>defructarunt</italic>, <italic>derunt</italic>, <italic>fecerunt</italic>, <italic>filiarunt</italic>, <italic>furunt</italic>, <italic>leuarunt</italic>, <italic>poderunt</italic>, <italic>prenderunt</italic>, <italic>quitarunt</italic>, <italic>venerunt</italic>, etc<xref ref-type="fn" rid="fn254"><sup>62</sup></xref>. <xref ref-type="bibr" rid="ref30">Emiliano e Pedro (2004: 66)</xref> incluem precisamente esse aspeto entre aqueles que revelam dependência do modelo latino: “a terminação das formas verbais da 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito aparece grafada na esmagadora maioria dos casos com a abreviação da terminação latina &lt;-runt&gt;”. De facto, só terão fugido a essa regularidade três resultados: <italic>forun</italic> (l. 6), <italic>comerun</italic> (l. 43) e <italic>gacarun</italic> (l. 52).</p>
<p>Ora bem, o recurso adotado por Paio, autor material da <italic>Esquisa</italic>, leva-nos a modificar substancialmente a nossa perspetiva. Com efeito, ao lado de dois exemplos da P6 do pretérito (por extenso) em -<italic>um</italic> (<italic>estrenger<bold>um</bold></italic><sub>2</sub>), o escrito inclui as formas <italic>hachar<bold>um</bold></italic> e <italic>pignorar<bold>um</bold></italic> findas com o signo braquigráfico de tradição latina utilizado habitualmente, com esse mesmo valor, para a terminação do genitivo plural das declinações primeira, segunda e quinta (<italic>terrarum</italic>, <italic>seruorum</italic>, <italic>dierum</italic>)<xref ref-type="fn" rid="fn255"><sup>63</sup></xref>.</p>
<p>
<fig id="gf5">
<graphic xlink:href="7721_gf6.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Paio revelou, assim, uma consciência grafo-fonémica de grande acuidade ao eleger intencionalmente essa abreviatura para a terminação flexional galego-portuguesa correspondente -[ɾoŋ]<xref ref-type="fn" rid="fn256"><sup>64</sup></xref>. Ele reinterpreta e reinventa, assim, a tradição, ao passo que o autor da <italic>Notícia de torto</italic> se limitou a submeter-se a ela.</p>
<p>Ainda em relação à eventual sobrevivência de elementos latinizantes, é também de sublinhar a predominância esmagadora de unidades com configuração românica galego-portuguesa no campo da onomástica pessoal (prenomes, patronímicos, etc.): <italic>Martino</italic>, <italic>Orraca</italic>, <italic>Petro</italic>, <italic>Poupa</italic>, <italic>Rodrigo</italic>, <italic>Suero</italic>, <italic>Vermúú</italic>; <italic>Arias</italic>, <italic>Mamum</italic>, <italic>Monaco</italic>, <italic>Mouro</italic>, <italic>Moutas</italic>, <italic>Petriz</italic>, <italic>Sobrino</italic>, <italic>Suariz</italic>, etc. De facto, o único resultado alatinado seria <italic>Pelaio</italic><xref ref-type="fn" rid="fn257"><sup>65</sup></xref> ―pela conservação da lateral intervocálica― mas devemos ter em conta que se trata, em todos os casos, de expansão da unidade braquigráfica tradicional {<italic>pla</italic>}. A situação da <italic>Esquisa</italic> repete-se globalmente nos textos do período, mas encontramos restos fossilizados da morfologia funcional latina em alguns vocábulos da <italic>Notícia de torto</italic> (<italic>Laurencius</italic>), da <italic>Notícia de haver</italic> (<italic>Fernandus</italic>, <italic>Petrus</italic>, <italic>Petri</italic>) e da <italic>Manda de D. Fruilhe</italic> (<italic>Iulianus</italic>, <italic>Martinus</italic>)<xref ref-type="fn" rid="fn258"><sup>66</sup></xref>.</p>
<p>Como tem sido notado, na documentação galego-portuguesa mais antiga<xref ref-type="fn" rid="fn259"><sup>67</sup></xref>, as vogais /e/ e /o/ podem aparecer, respetivamente, representadas por &lt;i&gt; e &lt;u&gt; sem que isso seja reflexo obrigado de elevação articulatória<xref ref-type="fn" rid="fn260"><sup>68</sup></xref>. Os casos de &lt;i&gt; em lugar de &lt;e&gt; são, entre os dois, os menos significativos por serem maioritariamente miméticos a respeito do étimo latino. Esse facto explica a ocorrência, na <italic>Esquisa</italic>, da preposição <italic>in</italic> (cf. <italic>infra</italic>) e de &lt;i&gt; na forma verbal <italic>p<bold>i</bold>gnorarum</italic> (‘penhoraram’). O mesmo poderemos dizer do <italic>parti</italic><sub>2</sub> (&lt;lat. <sc>partit</sc>) que encontramos na <italic>Carta da Benfeita</italic> ou do nome <italic>Iorgj</italic> na cópia do <sc>act</sc> do <italic>Testamento de Afonso II</italic>, com base no seu uso como hagiotopónimo (“Ecclesia Sancti Georgi”)<xref ref-type="fn" rid="fn261"><sup>69</sup></xref>. A mesma motivação subjaz a outros muitos exemplos patentes na documentação do período<xref ref-type="fn" rid="fn262"><sup>70</sup></xref>.</p>
<p>Entre os termos relacionados com o exposto no parágrafo anterior, podemos isolar o caso da preposição “em”. Com exceção da unidade latinizante que integra a <italic>invocatio</italic>, na <italic>Esquisa</italic> só encontramos a forma galego-portuguesa: “<italic>En</italic> tempo de Rodrigo Suariz”, “<italic>en</italic> Freamil”. Pelo contrário, <italic>in</italic> não admite exceção, com dezanove ocorrências, na <italic>Notícia de torto</italic>. O conservadorismo que, neste aspeto, revela a <italic>Notícia</italic> é similar ao da <italic>Manda de D. Fruilhe</italic> e, só em parte, ao da <italic>Notícia de haver</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn263">71</xref></sup>, mas não se repete no <italic>Pacto</italic>, no qual convivem equilibradamente ambos os resultados<xref ref-type="fn" rid="fn264"><sup>72</sup></xref>, nem no <italic>Testamento de Afonso II</italic>, em que só se regista <italic>en</italic>.</p>
<p>É de índole diferente o &lt;i&gt; do sufixo patronímico -<italic>iz</italic>, sistemático na <italic>Esquisa</italic> (<italic>Petr<bold>i</bold>z</italic>, <italic>Rrorig<bold>i</bold>z</italic>, <italic>Suar<bold>i</bold>z</italic>), por se tratar de formas reais com vogal /i/ na sílaba átona final, transformada posteriormente em /e/ (<xref ref-type="bibr" rid="ref57">Mariño Paz 2009: 83</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn265"><sup>73</sup></xref>. A regularidade com que aparece no nosso texto coaduna-se com o que observamos no <italic>Pacto</italic> (<italic>Pelaiz</italic>, <italic>Martiniz</italic>, <italic>Soariz</italic>), na <italic>Carta da Benfeita</italic> (<italic>Fernandiz</italic>), na <italic>Notícia de haver</italic> (<italic>Gunsaluiz</italic>, <italic>Petriz</italic>, <italic>Rodrigiz</italic>, <italic>Suariz</italic>), na <italic>Notícia de torto</italic> (<italic>Fernandiz</italic>, <italic>Goncaluiz</italic>, <italic>Ramiriz</italic>, <italic>Suariz</italic>), na <italic>Manda de D. Fruilhe</italic> (<italic>Fernandiz</italic>, <italic>Gunzauiz</italic>, <italic>Petriz</italic>) e no conjunto da documentação da primeira metade do séc. <sc>xiii</sc> (cf. <italic>infra</italic>)<xref ref-type="fn" rid="fn266"><sup>74</sup></xref>.</p>
<p>Quanto ao uso de &lt;u&gt; para /o/, é característica que só se reflete na vogal do <sc>mnp</sc> da P6 do pretérito perfeito (<italic>estrenger<bold>u</bold>m</italic><sub>2</sub>, <italic>hachar<bold>u</bold>m</italic>, <italic>pignorar<bold>u</bold>m</italic>) e no cognome <italic>Mam<bold>u</bold>m</italic>, todos findos no mesmo segmento (tónico ou átono) -[oŋ], mas não em <italic>criasi<bold>o</bold>m</italic> (‘criação’). A versão do <italic>Testamento de Afonso II</italic> custodiada no <sc>antt</sc> apresenta uma situação muito próxima da <italic>Esquisa</italic>, uma vez que o emprego de &lt;u&gt; (por &lt;o&gt;) fica praticamente limitado a essa terminação, mas (também) apenas quando essa letra já estava no étimo latino: <italic>cun</italic><sub>2</sub>, <italic>forun</italic>, <italic>remaserun</italic> (vb. “remaer”, ‘permanecer’), <italic>sun</italic><sub>2</sub> (‘são’); a par de <italic>baron</italic>, <italic>don</italic><sub>2</sub>, <italic>non</italic><sub>14</sub>. Fora desse suposto concreto, ocorre em <italic>manus</italic> (‘mãos’) e em <italic>Portu</italic><sub>3</sub><sup><xref ref-type="fn" rid="fn267">75</xref></sup>, o que ―se não se trata de sugestão latinizante― remete para a presença dessa grafia em posição átona final observada noutros textos<xref ref-type="fn" rid="fn268"><sup>76</sup></xref>, facto ao qual é alheia a <italic>Esquisa</italic>: <italic>poderoso</italic>, <italic>Martino</italic>, <italic>Mouro</italic>, <italic>regahengo</italic>, <italic>Rodrigo</italic>, <italic>Sobrino</italic>, <italic>soregano</italic>, <italic>tempo</italic>, <italic>uasalo</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn269">77</xref></sup></p>
<p>Para o reflexo dos ditongos orais decrescentes, Paio emprega as soluções grafémicas que se virão a tornar exclusivas em galego-português: &lt;ei&gt; <italic>Sequ<bold>ei</bold>roo</italic>; &lt;eu&gt; <italic>s<bold>eu</bold></italic><xref ref-type="fn" rid="fn270"><sup>78</sup></xref>; &lt;ou&gt; <italic>M<bold>ou</bold>ro</italic>, <italic>M<bold>ou</bold>tas</italic>, <italic>P<bold>ou</bold>pa</italic><xref ref-type="fn" rid="fn271"><sup>79</sup></xref>. A representação por aquelas combinações gráficas, regular no <italic>Pacto</italic><xref ref-type="fn" rid="fn272"><sup>80</sup></xref> ou na <italic>Carta da Benfeita</italic>, é também maioritária nas restantes escrituras, mas com outras alternativas: o uso de grafema vocálico simples<xref ref-type="fn" rid="fn273"><sup>81</sup></xref> ou a associação da vogal a uma letra consonântica: &lt;ec&gt;, &lt;eg&gt;, &lt;oc&gt;<xref ref-type="fn" rid="fn274"><sup>82</sup></xref>. Este último procedimento está presente com alguma frequência na <italic>Notícia de torto</italic> (<italic>becio</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn275">83</xref></sup>, <italic>Figecrecdo</italic>, <italic>lecxasen</italic>, <italic>mandoc</italic>, <italic>octra</italic><sub>2</sub>, <italic>rec</italic><sub>2</sub>)<xref ref-type="fn" rid="fn276"><sup>84</sup></xref>, mas só marginalmente na <italic>Manda de D. Fruilhe</italic> (<italic>lecto</italic>, <italic>malfegturia</italic>) e no <italic>Testamento de Afonso II</italic>. No caso do diploma régio, há diferenças entre a versão de Lisboa, em que isso acontece em quatro ocasiões para o ditongo [ej], como &lt;ec&gt; ou &lt;eg&gt;<xref ref-type="fn" rid="fn277"><sup>85</sup></xref>, em <italic>derecto</italic><sub>2</sub>, <italic>entegramente</italic><sub>2</sub> e <italic>regno</italic>, e a cópia custodiada em Toledo, com um único exemplo: <italic>entegramente</italic> (vs. <italic>enteiramente</italic>)<xref ref-type="fn" rid="fn278"><sup>86</sup></xref>.</p>
<p>Uma aparente exceção à regularidade na representação dos ditongos por parte do <italic>notator</italic> da <italic>Esquisa</italic> estaria constituída pelo antropónimo <italic>Su<bold>e</bold>ro</italic> (“Sueiro”), o que nos levaria a pensar num caso de vogal simples &lt;e&gt; para [ej] (cf. <italic>infra</italic>). A variante com ditongo surge, em ocorrências singulares, no <italic>Pacto</italic> e também na <italic>Notícia de haver</italic>, mas nesta última é minoritária ao lado de quatro registos de <italic>Suero</italic>. A presença do tipo <italic>Suero</italic> / <italic>Suer</italic> noutros documentos românicos do séc. <sc>xiii</sc> ―e ainda em textos latinos anteriores― assegura que se trata de uma forma real<xref ref-type="fn" rid="fn279"><sup>87</sup></xref>. Encontrá-la-emos, de novo, em D5.</p>
<p>A habilitação do sinal abreviativo geral como diacrítico para identificar a vogal nasal prévia a -<sc>n</sc>- latino caduco é uma inovação atestada pela primeira em 1243 na <italic>Doação de Gondiães</italic> ―D2 deste trabalho―, mas que só se veio a consolidar no último terço do séc. <sc>xiii</sc><sup><xref ref-type="fn" rid="fn280">88</xref></sup>. Com anterioridade, a marcação da nasalidade vocálica era feita por um &lt;n&gt;<xref ref-type="fn" rid="fn281"><sup>89</sup></xref>, normalmente intervocálico, ou não contava com uma marca explícita<xref ref-type="fn" rid="fn282"><sup>90</sup></xref>. Na <italic>Esquisa</italic> só deparamos com a primeira das soluções: <italic>Marti<bold>n</bold>o</italic><sub>2</sub>, <italic>Sobri<bold>n</bold>o</italic>, <italic>sorega<bold>n</bold>o</italic>; situação que se repete na <italic>Carta da Benfeita</italic> com <italic>uino</italic> e maioritariamente no <italic>Pacto</italic> em <italic>bono</italic>, <italic>ganar</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn283">91</xref></sup>, <italic>homenem</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn284">92</xref></sup>, <italic>irmano</italic>, <italic>Menendo</italic>. Neste último texto, a única exceção estaria constituída pelo termo <italic>engeoida</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn285">93</xref></sup>.</p>
<p>O <italic>Testamento de Afonso II </italic>faculta exemplos de ambos os tipos, às vezes com opções divergentes em cada uma das cópias: [<sc>antt</sc>] <italic>alguus</italic>, <italic>asunar</italic>, <italic>dieiros</italic>, <italic>manus</italic>, <italic>nenguu</italic>, <italic>nouea</italic>, <italic>raina</italic>, <italic>una</italic>, <italic>uu</italic>, <italic>uinir</italic>; [ACT] <italic>alguno</italic>, <italic>asuar</italic>, <italic>dineiros</italic>, <italic>manos</italic>, <italic>nengúú, nona</italic>, <italic>reina</italic>, <italic>una</italic>, <italic>uno</italic>, <italic>uenir</italic>
<xref ref-type="fn" rid="fn286"><sup>94</sup></xref>. O mesmo acontece na <italic>Notícia de Torto</italic> (<italic>irmano</italic>, <italic>fíídos</italic>, <italic>senara</italic>), na <italic>Notícia de haver</italic> (<italic>gaei</italic> [‘ganhei’], <italic>germano</italic>, <italic>Quintana</italic>, <italic>sobrino</italic>) ou também na <italic>Manda de D. Fruilhe</italic> (<italic>gaado</italic><sub>2</sub>, <italic>lino</italic>, <italic>maenfesto</italic> [‘manifesto’], <italic>sauáás</italic>, <italic>una</italic>, <italic>uno</italic>). A presença de plicas sobre as vogais geminadas não constitui ―nem constituirá ao longo da Idade Média― uma marca de nasalidade, de facto ocorre com a mesma frequência em hiatos orais, como é o caso do antropónimo <italic>Verm<bold>úú</bold></italic> na <italic>Esquisa</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn287">95</xref></sup>.</p>
<p>De acordo com a hipótese mais plausível, o primitivo sistema consonântico galego-português contava com dois fonemas vozeados de articulação bilabial: um oclusivo /b/ e outro fricativo /β/, representados, respetivamente, por &lt;b&gt; e por &lt;u/v&gt;. Essa é a situação que se reflete de modo maioritário na documentação do período e na própria <italic>Esquisa</italic>: <italic><bold>B</bold>aptista</italic>, <italic>So<bold>b</bold>rino</italic>; <italic>Cara<bold>u</bold>a</italic>, <italic><bold>u</bold>asalo</italic>, <italic><bold>V</bold>ermúú</italic>. A única exceção é, em parte, constituída (de novo) pela <italic>Notícia de torto</italic>, na qual encontramos uma série de formas em que, para a variante fricativa, a opção grafémica foi &lt;f&gt;, a par de outras, mais numerosas, nas quais se recorre a &lt;u/v&gt;: <italic>Feracin</italic> (top. ‘Varzim’), <italic>fezes</italic>, <italic>fice</italic><sub>2</sub>, <italic>fíj́dos </italic>(‘vindos’), <italic>fíj́mento</italic> (‘vinda’), <italic>infiados</italic> (‘enviados’), <italic>Tefuosa</italic><xref ref-type="fn" rid="fn288"><sup>96</sup></xref> (top. ‘Tebosa’), <italic>testifigo</italic><xref ref-type="fn" rid="fn289"><sup>97</sup></xref>; <italic>auer</italic>, <italic>conuen</italic>, <italic>deuen</italic>, <italic>uencestes</italic>, etc<xref ref-type="fn" rid="fn290"><sup>98</sup></xref>.</p>
<p>Paio não estabelece contraste gráfico entre a fricativa apicoalveolar surda /s̺/ e a vozeada /z̺/, grafadas indistintamente por &lt;s&gt; em qualquer posição: <italic>aque<bold>s</bold>ta</italic>, <italic>esqui<bold>s</bold>a</italic><sub>2</sub>, <italic>filio<bold>s</bold></italic>, <italic>podero<bold>s</bold>o</italic>, <italic><bold>s</bold>enior</italic>, <italic><bold>s</bold>eu</italic>, <italic>ua<bold>s</bold>alo</italic>. O nosso texto concorda assim com o que é habitual na documentação da época<xref ref-type="fn" rid="fn291"><sup>99</sup></xref>, porquanto só observamos uma representação diferenciada, pelo recurso (quase sistemático) a &lt;ss&gt; em posição intervocálica para a variante surda, no <italic>Testamento de Afonso II</italic> (<italic>cousas</italic>, <italic>posermos</italic>, <italic>tesoureiro</italic>; <italic>essas</italic>, <italic>missa</italic>, <italic>vassalos</italic>)<xref ref-type="fn" rid="fn292"><sup>100</sup></xref>. Salvo esta manda, a documentação em romance anterior a ca. 1235 desconhece em boa medida o &lt;ss&gt;, de facto este dígrafo só aparece em dois termos da <italic>Manda de D. Fruilhe</italic>: <italic>missas</italic>, <italic>Tirssi</italic><xref ref-type="fn" rid="fn293"><sup>101</sup></xref>.</p>
<p>Até à definição e estabilização do uso do &lt;ç&gt;, o que ocorreu ao longo da segunda metade do séc. <sc>xiii</sc>, não podemos falar claramente de uma oposição gráfica nítida entre as africadas predorsodentais surda /t͡s/ e vozeada /d͡z/. É essa a situação que se reflete, com variações grafemáticas, na <italic>Carta da Benfeita</italic> (<italic>cabeca</italic>, <italic>cabeza</italic>, <italic>fazer</italic>, <italic>Padruzelus</italic>, <italic>puzal </italic>[‘poçal’]), na <italic>Notícia de haver</italic> (<italic>mozo</italic>, <italic>Palmazianos</italic> [top. ‘Palmazãos’]) ou na <italic>Notícia de torto</italic> (<italic>Bastuzio</italic> [top. ‘Bastuço’], <italic>conlazo </italic>[‘colaço’], <italic>fezes</italic>, <italic>Lourenzo</italic>, <italic>rezon</italic>, <italic>servical </italic>[‘serviçal’]). No <italic>Pacto</italic>, surge um contraste gráfico, parcial ―e talvez aparente―, pelo emprego de &lt;z&gt; para a sonora (<italic>fezer</italic>, <italic>plazo</italic>) e de &lt;z&gt; e &lt;ci&gt; para a surda (<italic>Gomeze</italic>, <italic>facio</italic>)<xref ref-type="fn" rid="fn294"><sup>102</sup></xref>.</p>
<p>O autor da versão do <italic>Testamento de Afonso II</italic> conservada no <sc>act </sc>estabeleceu, de modo indubitável, uma distinção rigorosa entre ambos os fonemas, sendo a solução maioritária &lt;ci&gt;, em distribuição complementar com &lt;c&gt;, para a surda e &lt;z&gt; para a sonora: <italic>Alcobacia</italic>, <italic>comemoraciones</italic>, <italic>decima</italic>, <italic>folgancia</italic>, <italic>gracia</italic>, <italic>paz</italic>, <italic>receba</italic>, <italic>servicio</italic>; <italic>aduzer</italic>, <italic>dezima </italic>(‘dízima’), <italic>fazer</italic>, <italic>Galiza</italic>, <italic>treze</italic>. Essa sistematicidade só se vê alterada nas formas do presente do indicativo e do conjuntivo de “fazer” em que o esperável &lt;ci&gt; foi substituído por &lt;c&gt; (<italic>faca</italic>, <italic>facan</italic><sub>7</sub>, <italic>faco</italic>), vindo a provocar, como noutros documentos, colisão com o valor de /k/. No caso da versão lisboeta, a distinção é muito menos nítida, sobretudo porque &lt;z&gt; foi utilizado igualmente para a surda: <italic>Alcobaza</italic>, <italic>comemorazones</italic>, <italic>faza</italic>, <italic>fazam</italic><sub>7</sub>, <italic>seruizo</italic>, <italic>undezima</italic>. Também, de modo pontual, &lt;c&gt; e &lt;ci&gt; serviram para a vozeada: <italic>facer</italic>, <italic>Galicia</italic>.</p>
<p>Apesar do tamanho reduzido da <italic>Esquisa</italic>, podemos verificar que nela “surge” a distinção em foco. Com efeito, pelo recurso a &lt;si&gt;, para plasmar a africada predorsodental surda em <italic>cria<bold>si</bold>om</italic> (arc. “criaçom”), e a &lt;z&gt;, para a vozeada em <italic>du<bold>z</bold>erem</italic>, Paio consegue discriminar entre essas variantes, reinterpretando ―mais uma vez― a tradição latina<xref ref-type="fn" rid="fn295"><sup>103</sup></xref>. De resto, ele mantém o uso já consagrado de &lt;z&gt; para a posição final absoluta: <italic>iui<bold>z</bold></italic> (‘juiz’), <italic>Rrorigi<bold>z</bold></italic>, <italic>Suari<bold>z</bold></italic><xref ref-type="fn" rid="fn296"><sup>104</sup></xref>.</p>
<p>No conjunto de escritos com que contextualizamos a <italic>Esquisa</italic>, a <italic>Manda de D. Fruilhe</italic>, além da prática similar à descrita para outros textos, apresenta a peculiaridade de usar o dígrafo &lt;ch&gt; para a africada predorsodental surda em <italic>chumacho</italic> (‘chumaço’), <italic>Gunchauiz</italic> (‘Gonçalves’), <italic>Manchelo</italic>s (top. ‘Mancelos’), <italic>urachun</italic> (‘oração’). Este facto constitui uma importante evidência sobre o carácter africado ―ainda não fricativo― do fonema em questão.</p>
<p>Para a representação da africada ou fricativa palatal sonora (/d͡ʒ/ ou /ʒ/<xref ref-type="fn" rid="fn297"><sup>105</sup></xref>), Paio utiliza os grafemas &lt;g&gt; ou &lt;i&gt; de acordo com os princípios que sobrevivem até à atualidade: <italic>estren<bold>g</bold>erum</italic><sub>2</sub>, <italic><bold>i</bold>uiz</italic>. Um modelo similar é o que observamos no <italic>Pacto</italic> (<italic>aiudarmonos</italic>, <italic>coregelo</italic>, <italic>engeoida</italic>, <italic>seiade</italic>s), na <italic>Carta da Benfeita</italic> (<italic>iugada</italic>) ou no <italic>Testamento de Afonso II</italic> do <sc>act</sc> (<italic>aia</italic>, <italic>beyio</italic>, <italic>ieitar</italic>, <italic>Iorgj</italic>, <italic>seia</italic>). Na versão do <italic>Testamento de Afonso II</italic> do <sc>antt</sc> surge outra opção alternativa ―similar à do italiano atual― que não contempla o uso &lt;i/j&gt; mas apenas o das variantes distributivas &lt;g&gt;<sup>+e/i </sup>e &lt;gi&gt;<sup>+a/o</sup> em função da vogal seguinte: <italic>agia</italic>, <italic>beigio</italic>, <italic>geitar</italic>, <italic>Gurge</italic>, <italic>segia</italic>. Esperaríamos o emprego do dígrafo também seguido de &lt;u&gt;, mas isso não acontece em <italic>Gurge</italic>, o único termo em que se produz esse facto, donde advém a colisão com o uso desse grafema para a oclusiva velar sonora. Na <italic>Notícia de torto</italic>, mais uma vez, registamos opções heterogéneas, algumas singulares: <italic>aguda</italic> (‘ajuda’), <italic>aiuda</italic>, <italic>beiso</italic> (‘beijou’?), <italic>iuizo</italic>, <italic>prison</italic> (arc. “prijom”).</p>
<p>Quanto à africada palatal surda /t͡ʃ/, fonema que só surge na forma <italic>ha<bold>ch</bold>arum</italic> (‘acharam’), Paio serve-se da grafia “inovadora” &lt;ch&gt; de utilização regular noutros textos do período como na <italic>Carta da Benfeita</italic> (<italic>Chamua</italic>, top. ‘Chama’), nas duas versões do <italic>Testamento de Afonso II</italic> (<italic>chus</italic><sub>2</sub>) ou na <italic>Manda de D. Fruilhe</italic> (<italic>chumazu</italic>, <italic>colchas</italic>, <italic>garnacha</italic>, <italic>Sanchiz</italic>). Porém, o facto de esse dígrafo ser desconhecido, com esse valor, na tradição latina fez com que ocorram outras grafias alternativas, sendo relativamente frequentes aquelas que serviam para a africada palatal sonora (cf. <italic>supra</italic>). Isto traduz-se no emprego de &lt;i&gt; ou &lt;g&gt; que, por exemplo, registamos em <italic>Gamua</italic><sub>2</sub> (antrop. ‘Châmoa’) da <italic>Notícia de haver</italic> e em diversos itens lexicais da <italic>Notícia de torto</italic>: <italic>agou</italic> (‘achou’), <italic>gacarun</italic> (‘chagaram’), <italic>iagarunt</italic>, etc. (cf. <italic>infra</italic>)<xref ref-type="fn" rid="fn298"><sup>106</sup></xref>. Por sua vez, a cópia toledana do <italic>Testamento</italic> opta por &lt;ci&gt; em <italic>Sancio</italic> (“Sancho”), dígrafo usado, nesse escrito, para a africada predorsodental surda<xref ref-type="fn" rid="fn299"><sup>107</sup></xref>.</p>
<p>Para a lateral /ʎ/ e a nasal /ɲ/ palatais, na <italic>Esquisa</italic> encontramos representações grafémicas paralelas caracterizadas, respetivamente, pela associação de &lt;l&gt; e de &lt;n&gt; à letra &lt;i&gt;: &lt;li&gt; <italic>fi<bold>li</bold>os</italic>, &lt;ni&gt; <italic>se<bold>ni</bold>or</italic>. A correlação com o modelo latino faz com que seja o uso mais bem documentado no período, tal como se evidencia no <italic>Pacto</italic> (<italic>filios</italic>, <italic>quinientos</italic>, <italic>taliado</italic>, <italic>tenia </italic>[‘tenha’], <italic>uenia</italic> [‘venha’]), na <italic>Notícia de haver</italic> (<italic>afiliados</italic>, <italic>Alvarelios</italic> [top. ‘Alvarelhos’], <italic>Ciuidadelia</italic> [top. ‘Cidadelha’], <italic>filios</italic>, <italic>lio</italic>(<italic>s</italic>) [‘lho’], <italic>milio</italic>) ou no <italic>Testamento de Afonso II</italic> (<italic>Idania</italic>, <italic>molier</italic>, <italic>tenia</italic> [‘tenha’], <italic>ualia</italic> [‘valha’])<xref ref-type="fn" rid="fn300"><sup>108</sup></xref>. Quanto ao vocábulo <italic>pignorarum</italic> da <italic>Esquisa</italic>, poderá ser testemunho do recurso a &lt;gn&gt; para a nasal, conhecido noutros textos também por sugestão etimológica (<xref ref-type="bibr" rid="ref13">Cintra 1963: 62-63</xref>). O mesmo podemos afirmar sobre o termo <italic>ligno</italic> que encontramos na <italic>Manda de D. Fruilhe</italic>.</p>
<p>Em meu entender, a configuração scriptográfica da <italic>Esquisa</italic>, até aqui examinada, não se coaduna com a proposta de Martins segundo a qual teriam existido duas tradições de escrita romance em Portugal durante o período em análise: uma vinculada à Chancelaria régia, por isso assente apenas nas duas versões do <italic>Testamento de Afonso II</italic>, e outra constituída pelo conjunto de documentos particulares de procedência heterogénea. Para fundamentar a sua teoria, <xref ref-type="bibr" rid="ref60">Martins (1999: 499)</xref> quer ver na <italic>Notícia de torto</italic> um modelo, oposto às cópias da manda régia, que se teria repetido noutros exemplares: “Muitos traços tidos por peculiaridades da Notícia de Torto reaparecem, no entanto, nos documentos que agora edito, mostrando que a Notícia de Torto não é um documento tão excepcional”<xref ref-type="fn" rid="fn301"><sup>109</sup></xref>. A nossa análise evidencia que, no tocante à representação do romance, a <italic>Esquisa</italic> ou o <italic>Pacto</italic> ficam tão longe das “peculiaridades” gráficas dessa <italic>Notícia</italic> quanto podem ficar as cópias do <italic>Testamento de Afonso II</italic>. É por isso que preferimos falar de uma única tradição ―ou até de subtradição dentro do conjunto ibérico centro-ocidental― com um grau relativamente alto de dispersão, expectável no contexto histórico em que se desenvolve<xref ref-type="fn" rid="fn302"><sup>110</sup></xref>.</p>
<p>Apesar da sua brevidade, a <italic>Esquisa</italic> integra algumas vozes, por vários motivos, singulares. Começaremos pelo termo que utilizamos para a denominar, <italic>esquisa</italic> (‘inquirição’), representado com duas ocorrências. Trata-se de um derivado do verbo <sc>exquiro</sc> que, com a forma <italic>exquisa</italic> (também <italic>exquisia</italic> ou <italic>esquisa</italic>)<xref ref-type="fn" rid="fn303"><sup>111</sup></xref>, surge em documentos latinos desde meados do séc. <sc>xi</sc><sup><xref ref-type="fn" rid="fn304">112</xref></sup>. Na documentação em romance desaparece em finais do séc. <sc>xiii</sc><sup><xref ref-type="fn" rid="fn305">113</xref></sup>; a partir de então só registamos a variante formalmente inovadora <italic>pesquisa</italic>.</p>
<p>A referência ao ato de reconduzir a herdade de Friamil para a esfera do realengo faz-se pelo recurso a <italic>duzerem</italic>, P6 do infinitivo pessoal do verbo “duzer” (&lt;lat. <sc>ducere</sc>, ‘conduzir’): “por <italic>duzerem</italic> sua hereditate a regahengo”. Descobrimos, de novo, uma variante arcaica e excecional, dado que o tipo “aduzer” já é praticamente sistemático na documentação medieval mais arcaica. Na lírica trovadoresca só comparece, sob a forma <italic>dusse</italic> (P3 do pretérito perfeito), na cantiga <italic>Fui eu,</italic> <italic>fremosa,</italic> <italic>fazer oraçon</italic> (B 738, V 320) de Afonso Lopes de Baião (ca. 1210-1282): “pois non vẽo nen o <italic>dusse</italic> Deus”<xref ref-type="fn" rid="fn306"><sup>114</sup></xref>. Também surge, com alguma frequência, na <italic>Demanda do Santo Graal</italic>: <italic>dusse</italic>, <italic>dusseres</italic>, <italic>dusserom</italic>, <italic>dussesse</italic>, <italic>dussessem</italic>, <italic>dussi</italic>, <italic>duxe</italic>, <italic>duxerom</italic>, <italic>duzem</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn307">115</xref></sup>. Estamos perante uma cópia do séc. <sc>xv</sc> em que sobreviveram múltiplas marcas do estrato linguístico primitivo ducentista<xref ref-type="fn" rid="fn308"><sup>116</sup></xref>, entre as quais também deverá ser incluída a variante verbal em questão.</p>
<p>Como já vimos, o texto apresenta duas ocorrências da terceira pessoa do plural do pretérito perfeito de “estrenger”: “<italic>Estrengerum</italic> domna Orraca et suos filios por duzerem sua hereditate a regahengo”, “<italic>Estrengerum</italic> et pignorarum”. É verbo derivado do latino <sc>stringo</sc> (‘apertar, pressionar’) que, com o significado físico primário, registamos nas <italic>Cantigas de Santa Maria</italic>: “o dedo coller / na boqu’ e gemendo / e fort’ <italic>estrengendo</italic> / tod’ e desfazendo, / llo fezo perder” (<xref ref-type="bibr" rid="ref76">Mettmann 1981 [1959], nº 192</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn309"><sup>117</sup></xref>.</p>
<p>Poupa Moutas, um dos indivíduos a que se atribui o exercício de pressão sobre D. Urraca e os filhos, aparece caracterizado como <italic>soregano</italic>: “Poupa Moutas, que era <italic>soregano</italic> da terra”. Este termo era desconhecido, até ao momento, na documentação em galego-português, mas contou com alguma presença em escrituras latinas. <xref ref-type="bibr" rid="ref42">Alexandre Herculano (1875: 191)</xref>, quando fala na organização administrativa de Portugal, alude a essa figura como variante do mordomo-menor:</p>
<p>
<disp-quote>
<p>Por igual modo, do mordomo-mór, do <italic>maior</italic>, como abbreviadamente se dizia, estavam dependentes os mordomos menores, chamados da <italic>terra</italic> e das <italic>eiras</italic>, cujo ministerio fiscal às vezes se dividia por outros, como em algums districtos, os subrogados (<italic>subregani</italic>), os mordomos especiaes dos prestameiros e os mordomos da voz e coima das muletas judiciaes<xref ref-type="fn" rid="fn310"><sup>118</sup></xref>.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>O vocábulo é utilizado, sob as variantes <italic>subreganus</italic>, <italic>subregao</italic>, <italic>suregao</italic> ou <italic>surreganus</italic>, em vários passos das <italic>Inquirições</italic> de Afonso II: “Petrus Petri, et Johannes Pelagii, et Don Dominicus sunt subregani de maiori maiordomo: Pelagius Petri, maiordomus maior” (<xref ref-type="bibr" rid="ref43"><italic>Inq</italic>. 91</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn311"><sup>119</sup></xref>. Trata-se, portanto, de uma espécie de mordomo investido nas funções de outrem, concretamente, neste caso, de um mordomo-mor de âmbito local ―não o da cúria―
com funções fiscais. O termo já não ocorre nas <italic>Inquirições de 1258</italic> propriamente ditas<xref ref-type="fn" rid="fn312"><sup>120</sup></xref>.</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title><bold>2.2. <italic>In aquele logual ei, de Gondiães</italic></bold></title>
<p>Não existem problemas para datar a doação pela qual Fernando Esteves entregou a Lourenço Eanes e à mulher, Maior Peres, o que lhe pertencia na quinta da Torre de Serrazim e no conjunto de Gondiães, freguesia do atual concelho de Vila Verde no distrito de Braga<xref ref-type="fn" rid="fn313"><sup>121</sup></xref>. O documento inclui a indicação do mês de outubro da era de 1281, o que corresponde ao ano de 1243, como espaço cronológico em que foi escrito por Afonso. Apesar de estar integrado no núcleo documental do mosteiro de Almoster (Almoster, Santarém), a escritura foi certamente lavrada naquela área do Baixo Minho português onde se situam os bens objeto de negócio. A presença desse diploma no cenóbio escalabitano, da qual se deduz que essas propriedades passaram à posse dessa instituição, está certamente relacionada com uma doação da fundadora do mesmo, Berengária Airas de Gosende<xref ref-type="fn" rid="fn314"><sup>122</sup></xref>. Por sua vez, esta última terá recebido essas posses do marido, Rui Garcia de Paiva<xref ref-type="fn" rid="fn315"><sup>123</sup></xref>; de facto, sabemos que este, o valido de Afonso III, contava com um paço em Gondiães<xref ref-type="fn" rid="fn316"><sup>124</sup></xref>.</p>
<sec>
<title>D2</title>
<p>1243, outubro.</p>
<p><italic>Fernando Estevães entrega a Lourenço Eanes e á mulher, Maior Peres, o que possui na quinta da Torre de Serrazim e em Gondiães (Vila Verde).</italic></p>
<p>
<disp-quote>
<p>Jn D<italic>e</italic>j n<italic>omi</italic>ne. Not<italic>um</italic> sit o<italic>mn</italic>jb<italic>us</italic> hominjb<italic>us</italic> ta<italic>m</italic> p<italic>r</italic>essentib<italic>us</italic> quam futuris q<italic>uo</italic>d ego, Ferna<italic>n</italic>do Stefanj, facio k<italic>arta</italic> <italic>et</italic> p<italic>er</italic>[p]etue firmitudinis t<italic>ib</italic>i, Loure<italic>n</italic>cio Ioh<italic>ann</italic>is, et vxorj tue, Maior Pet<italic>r</italic>i, dou u<italic>o</italic>b<italic>is</italic> et &lt;obtorgo&gt;<sup><xref ref-type="fn" rid="fn317">125</xref></sup>
q<italic>u</italic>anta m<italic>e</italic>a hereditate habeo i<italic>n</italic> a qui<italic>n</italic>táá q<italic>u</italic>i uo<italic>ca</italic>t<italic>ur</italic> “da Tore de Zarazy<italic>m</italic>” et i<italic>n</italic> Go<italic>n</italic>diaes, de mo<italic>n</italic>tib<italic>us</italic>
<italic>et</italic> i<italic>n</italic> fontib<italic>us</italic>, et i<italic>n</italic> ru<italic>m</italic>pis et i<italic>n</italic> po’_ro<italic>m</italic>per, qua<italic>n</italic>to ego, Ferna[n]do Stefanj, i<italic>n</italic>_a|quele logual ej, de Go<italic>n</italic>diães, q<italic>ue</italic> de suso ue<italic>m</italic> dicto, asi i<italic>n</italic> dereito q<italic>ue</italic> ego ej ibi d’ auer tudo dou t<italic>ib</italic>i, Loure<italic>n</italic>cio Ioh<italic>an</italic>nis, et vxorj, Maior Pet<italic>r</italic>i. Sillicet: como ego, Ferna<italic>n</italic>do Stefanj, t<italic>ib</italic>i, Loure<italic>n</italic>cio Ioh<italic>an</italic>nis, et vxorj tue, Maior Pet<italic>r</italic>i, obtogu_si todos aq<italic>ue</italic>les feitos q<italic>ue</italic> uos ibj fecerdes, asi i<italic>n</italic> casas, come i<italic>n</italic> uiñas, come i<italic>n</italic> pumares come i<italic>n</italic> ia<italic>n</italic>tados. <italic>Et</italic> obtorgo q<italic>ue</italic> todo u<italic>ost</italic>ro feito, q<italic>ue</italic> de suso ue<italic>m</italic> dito, se[n]pe seia staue. Q<italic>ue</italic> u<italic>o</italic>b<italic>is</italic>, Loure<italic>n</italic>cio Ioh<italic>an</italic>nis, <italic>et</italic> vxor tue, Maior Pet<italic>r</italic>i, q<italic>ue</italic> de suso uíj́des dictos, ego, Ferna<italic>n</italic>do Stefanj, obtorgo aqillo q<italic>ue</italic> uos ma<italic>n</italic>dardes facer. <italic>Et</italic> se ego, Ferna<italic>n</italic>do Stefanj, quiser facer i<italic>n</italic>no m<italic>eu</italic>m quino<italic>m</italic> algũa cousa, facero i<italic>n</italic> gvisa q<italic>ue</italic> a uos, Loure<italic>n</italic>cio Ioh<italic>an</italic>nis, et u<italic>ost</italic>ra moller, Maior Pet<italic>r</italic>i, no<italic>m</italic> faca peiar, <italic>et</italic> se<italic>n</italic>pe aq<italic>ue</italic>lle feito q<italic>ue</italic> uos, Loure<italic>n</italic>cio Ioh<italic>an</italic>nis, et u<italic>ost</italic>ra moller, Maior Pet<italic>r</italic>i, fecerdes senpe ste i<italic>n</italic> saluo. <italic>Et</italic> se ego, Ferna<italic>n</italic>do Stefanj, uẽer ob alge<italic>m</italic> da m<italic>e</italic>a parte q<italic>ue</italic> iste feito qera pasar, q<italic>ue</italic> de suso ue<italic>m</italic> dicto, <italic>con</italic>t<italic>r</italic>a t<italic>ib</italic>i, Loure<italic>n</italic>cio Ioh<italic>an</italic>nis, <italic>et</italic> <italic>con</italic>t<italic>r</italic>a vxor tua, Maior Pet<italic>r</italic>i, <italic>et</italic> <italic>con</italic>t<italic>r</italic>a quer<xref ref-type="fn" rid="fn318"><sup>126</sup></xref> q<italic>ue</italic> u<italic>ost</italic>ra uos fiq<italic>uem</italic>, ta<italic>n</italic>to i<italic>n</italic> duplo <italic>com</italic>po<italic>n</italic>nat, <italic>et</italic> peite t<italic>ib</italic>i, Loure<italic>n</italic>cio Ioh<italic>an</italic>nis, ob vxor tua, Maior Pet<italic>r</italic>i, ob a q<italic>ue</italic>m derdes u<italic>ost</italic>ra uoce<italic>m</italic>, peite<italic>m</italic>li mil m<italic>o</italic>r<italic>auedis</italic>; esta herdade(de) q<italic>ue</italic> de suso ue<italic>m</italic> dita seia dubada <italic>et</italic> qua<italic>n</italic>to fuerit mellorata. Feita k<italic>ar</italic>ta mensíj́ obtobj, sub e<italic>r</italic>a MªCCª.LXXXI. Petr<italic>us</italic>, ts. Ioha<italic>m</italic>, ts. P<italic>e</italic>lagj<italic>us</italic>, ts. Alfonsus qui not<italic>uit</italic>.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>
<fig id="gf6">
<caption>
<title>“Alfonsus qui notuit”</title>
</caption>
<graphic xlink:href="7721_gf7.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Podemos dizer que nos encontramos perante um exemplar até certo ponto excecional, do ponto de vista diplomático, no conjunto de textos romances portugueses anteriores a 1256. Com efeito, trata-se do primeiro documento em galego-português de natureza indubitavelmente dispositiva. Isto confirma-se, por exemplo, pela presença do escatocolo propriamente dito em que, como vimos, se inclui a data e a subscrição do autor material do texto, elementos de que carece a maior parte da produção citada<xref ref-type="fn" rid="fn319"><sup>127</sup></xref>. Não é de excluir que a sua existência, como texto em romance, seja fruto de uma sugestão “externa”, provavelmente galega. Gondiães situa-se apenas a 15 km do Lima, curso fluvial que na altura constituía a fronteira entre as dioceses de Tui e de Braga. Lembremos que o uso escrito do romance na Galiza se ativara, sem claras limitações jurídicas ou diplomáticas, a partir de 1231, na sequência da anexão ao reino de Castela produzida no ano anterior.</p>
<p>Quanto aos indicadores scriptolinguísticos que nos permitem ponderar o seu grau de romanceamento<xref ref-type="fn" rid="fn320"><sup>128</sup></xref>, cumpre notar que inclui 43 (84%) formas verbais não identificáveis como latinas: <italic>auer</italic>, <italic>derdes</italic>, <italic>dito</italic><sub>5</sub> (e var.), <italic>dou</italic><sub>2</sub>, <italic>dubada</italic> (‘dobrada’), <italic>ej</italic><sub>2</sub> (‘hei’), <italic>faca</italic> (‘faça’), <italic>facer</italic><sub>3</sub>, <italic>fecerdes</italic><sub>2</sub>, <italic>feita</italic>, <italic>fiquem</italic>, <italic>mandardes</italic>, <italic>mellorata</italic>, <italic>obtorgo</italic><sub>4</sub> (e var.) (‘outorgo’), <italic>pasar</italic>, <italic>peiar</italic> (‘pejar’), <italic>peite</italic>, <italic>peitem</italic>, <italic>qera</italic> (‘queira’), <italic>quer</italic>, <italic>quiser</italic>, r<italic>omper</italic>, <italic>seia</italic><sub>2</sub>, <italic>ste</italic> (‘esteja’), <italic>uẽer</italic> (‘vier’), <italic>uem</italic><sub>4</sub>, <italic>uíj́des</italic> (‘vindes’)<xref ref-type="fn" rid="fn321"><sup>129</sup></xref>. Outras oito apresentam uma configuração alatinada: <italic>componnat</italic>, <italic>facio</italic>, <italic>fuerit</italic>, <italic>habeo</italic>, <italic>notuit</italic>, <italic>notum</italic>, <italic>sit</italic>, <italic>uocatur</italic>. Os traços latinizantes, como seria de esperar, concentram-se naqueles segmentos que mais se deviam conformar a formulas preestabelecidas, pelo contrário, no corpo do documento, nomeadamente na <italic>dispositio</italic> e na <italic>sanctio</italic>, predomina largamente um modelo de <italic>scripta</italic> romance autónoma (<xref ref-type="bibr" rid="ref107">Souto Cabo 2014: 373</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn322"><sup>130</sup></xref>.</p>
<p>Do ponto de vista scriptográfico, registamos diversos traços arcaizantes de natureza similar àqueles que, a propósito da <italic>Esquisa</italic>, observamos na alínea prévia em documentos anteriores a ca. 1235, mas que sobreviverão na maior parte do séc. <sc>xiii</sc><sup><xref ref-type="fn" rid="fn323">131</xref></sup>. Entre outros<xref ref-type="fn" rid="fn324"><sup>132</sup></xref>, salientamos: (i) representação do ditongo [ow] pelo recurso frequente ao dígrafo &lt;ob&gt;, a par de &lt;ou&gt;: <italic>dou</italic><sub>2</sub>, <italic>obtorgo</italic><sub>4</sub> (e var.), <italic>ob</italic><sub>2</sub> (‘ou’), <italic>obtobi</italic> (‘outubro’)<xref ref-type="fn" rid="fn325"><sup>133</sup></xref>, <italic>ou</italic>, <italic>outras</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn326">134</xref></sup>; (ii) ausência de oposição gráfica entre surda e vozeada no âmbito das africadas predorsodentais e no das fricativas apicoalveolares: <italic>faca</italic>, <italic>fecerdes</italic>, <italic>Lourencio</italic>, <italic>Zarrazym</italic> (top. ‘Serrazim’)<xref ref-type="fn" rid="fn327"><sup>135</sup></xref>; <italic>casas</italic>, <italic>pasar</italic>; (iii) ou uso de &lt;i&gt; para a africada palatal surda /t͡ʃ/: <italic>iantados</italic> (‘chantados’) (cf. <italic>supra</italic>)<xref ref-type="fn" rid="fn328"><sup>136</sup></xref>. Quanto a <italic>uos</italic> (‘voz’), supõe uma falta de contraste gráfico entre a fricativa apicoalveolar e a africada/fricativa predorsodental na única ocorrência deste último fonema em posição final num termo romance<xref ref-type="fn" rid="fn329"><sup>137</sup></xref>, talvez indício do processo evolutivo que transformou a africada em fricativa.</p>
<p>Para a representação da lateral palatal serve-se de &lt;ll&gt; em <italic>me<bold>ll</bold>orata</italic> e <italic>mo<bold>ll</bold>er</italic>
<sub>2</sub>, dígrafo que também é usado para a lateral alveolar intervocálica (<italic>aque<bold>ll</bold>e</italic>, <italic>aqi<bold>ll</bold>o</italic>). No caso da nasal, recorre a &lt;n&gt; em <italic>qui<bold>n</bold>om</italic> ou a &lt;ñ&gt; na palavra “vinhas”, que poderia ser transcrita como <italic>u<bold>ĩn</bold>as</italic>, <italic>ui<bold>nn</bold>as</italic> ou, a que adotamos, <italic>ui<bold>ñ</bold>as</italic>.</p>
<p>O topónimo <italic>Zarrazym</italic> contém duas peculiaridades que não se repetem no texto: o emprego de &lt;z&gt; para /t͡s/ (cf. <italic>supra</italic>) e a ocorrência de &lt;y&gt;. Este último grafema conta com uma representação diminuta na documentação portuguesa anterior a ca. 1250<xref ref-type="fn" rid="fn330"><sup>138</sup></xref>, mas virá a ser largamente utilizado a partir da segunda metade do século, sobretudo, como segundo elemento numa sequência de duas vogais (cf. <italic>infra</italic>).</p>
<p>O texto incorpora uma notável inovação no que se refere à marcação da nasalidade vocálica (cf. <italic>supra</italic>). Com efeito, além da ausência de qualquer indicador grafémico em <italic>Gondi<bold>a</bold>es</italic>, <italic>quint<bold>á</bold>á</italic> ou <italic>u<bold>í</bold>ídes</italic>, Afonso recorre, com essa função, ao traço supralinear ―similar àquele que utiliza como marca de abreviação ou para consoante nasal em coda silábica― nos termos <italic>alg<bold>ũ</bold>a</italic>, <italic>Gondi<bold>ã</bold>es</italic> e <italic>u<bold>ẽ</bold>er</italic><xref ref-type="fn" rid="fn331"><sup>139</sup></xref>:</p>
<p>
<fig id="gf7">
<graphic xlink:href="7721_gf8.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Trata-se dos primeiros exemplos de um uso que se virá a espalhar ao longo da segunda metade do séc. <sc>xiii</sc> por todo o espaço galego-português. Os mais antigos registos, até agora conhecidos, situavam-se em escrituras de origem lucense de 1247 e 1253 (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 37, 40</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn332"><sup>140</sup></xref>. No reino de Portugal, só o conseguíamos atestar a partir de 1257 (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 298</xref>).</p>
</sec>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>3. Documentos da segunda metade do séc. <sc>xiii</sc></title>
<p>Na terceira parte deste trabalho, incluímos três diplomas pertencentes à fase de expansão do código românico autónomo, o que se verifica durante a segunda metade do séc. <sc>xiii</sc>. Nela, o (galego-)português começa a penetrar, sem solução de continuidade, (também) nas tipologias de natureza dispositiva. Ao mesmo tempo, o modelo de <italic>scripta</italic>, progressivamente deslatinizada, torna-se mais transparente a respeito da oralidade e ganha também em estabilidade, contudo, muito flutuável em função do centro produtor.</p>
<sec>
<title><bold>3.1. <italic>Unde podiades uos mercar ben</italic></bold></title>
<p>Pensamos que o relatório económico endereçado a Rui Garcia de Paiva poderá ser o mais antigo desses três<xref ref-type="fn" rid="fn333"><sup>141</sup></xref>. O escrito carece de data, mas a perspetiva biográfica que se desenha no próprio texto para Rui Garcia, falecido em 1276<xref ref-type="fn" rid="fn334"><sup>142</sup></xref>, junto com as características gráficas e materiais, levam-nos a propor como localização temporal aproximada a década de sessenta do séc. <sc>xiii</sc>, o que traduzimos na indicação “ca. 1265”<xref ref-type="fn" rid="fn335"><sup>143</sup></xref>.</p>
<p>A ausência da cláusula cronológica, bem como dos outros elementos que outorgam validade a uma escritura pública<xref ref-type="fn" rid="fn336"><sup>144</sup></xref>, explica-se pela sua espécie não-diplomática<xref ref-type="fn" rid="fn337"><sup>145</sup></xref>: uma missiva privada com informações de interesse patrimonial para Rui Garcia elaborada por dois dos seus vassalos, os irmãos Miguel Peres e André Peres de Viariz (<xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura 1992: 681</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn338"><sup>146</sup></xref>. Embora não exista constância explícita, supomos que cada um deles foi autor, nessa ordem, de um dos textos que ocupam, respetivamente, o reto (D3A) e o verso (D3B) do pergaminho, tratando-se, portanto, de um opistógrafo<xref ref-type="fn" rid="fn339"><sup>147</sup></xref>.</p>
<sec>
<title>D3</title>
<p>Sem data (ca. 1265) ― Miguel Peres e André Peres.</p>
<p><italic>Relatório sobre rendimentos endereçado a Rui Garcia de Paiva pelo seu clérigo, Miguel Peres de Viariz (Baião), e pelo seu “homem”, André Peres, sobre propriedades em Vila Meã (Amarante?) e nas Açoreiras (Peso da Régua).</italic></p>
</sec>
<sec>
<title>D3A</title>
<p>
<disp-quote>
<p>Ao mujto u<italic>n</italic>rado senor e sages do<italic>m</italic> Ruy Ga<italic>r</italic>cia de Pauia. Eu Micahel Pet<italic>r</italic>i de Veariz, uoso clerico, é_éu Andre Pet<italic>r</italic>i, uoso homẽ, com<italic>en</italic>damo<italic>n</italic>os áá uosa (<strike>grac</strike>) g<italic>r</italic>azia, como a senor u<italic>n</italic>de auemos ben e m<italic>er</italic>zéé e ate<italic>n</italic>demos á_áuer. Sabiades q<italic>ue</italic> nos uimos uosa carta, q<italic>ue</italic> fosemos p<italic>r</italic>imeiro dia de janeiro na uosa q<italic>u</italic>intáá de Villa Mediana e nas Azoreiras cum F<italic>er</italic>nam Reymo<italic>n</italic>do, caualeiro q<italic>ue</italic> séé casado cu<italic>m</italic> dona Giralda, moller q<italic>ue</italic> foy de Domi<italic>n</italic>g<italic>os</italic> Iohanes, q<italic>ue</italic> foy homẽ del rey, e q<italic>ue</italic> soubesemos bem e fielm<italic>en</italic>te p<italic>er</italic> homéés da t<italic>er</italic>ra e z<italic>er</italic>tos q<italic>ue</italic> erdada auia hi dona Giralda, subred<italic>i</italic>cta, cu<italic>m</italic> seu marido, F<italic>er</italic>nam Reymu<italic>n</italic>do, ou q<italic>ue</italic> bodia re<italic>n</italic>der cada ano, e q<italic>ue</italic> soubesemos u<italic>n</italic>de podiades uos m<italic>er</italic>car ben. E nos fomos ao dia e no<italic>m</italic> ueo F<italic>er</italic>na<italic>m</italic> Reymu<italic>n</italic>do, e ueo poys a t<italic>er</italic>cer dia, e fomos hi cu<italic>m</italic> ele e achamos q<italic>ue</italic> á dona Giralda cu<italic>m</italic> seu marido, F<italic>er</italic>na<italic>m</italic> Reymu<italic>n</italic>do, e cu<italic>m</italic> úú fillo, q<italic>ue</italic> a de Domi<italic>n</italic>gos Iohanes, q<italic>ue</italic> am nas Azoreiras Iª q<italic>u</italic>airela e II q<italic>u</italic>intas doutra. E feze ende Domi<italic>n</italic>gos Iohanes, q<italic>u</italic>ando era uiuo, II casaes, e re<italic>n</italic>dem cada ano al rey III<sup>es</sup> modios <italic>e</italic> I q<italic>uar</italic>t<italic>ei</italic>ro pela q<italic>u</italic>arta e pela &lt;talega&gt; de Fontes, <italic>e</italic> o pam e<italic>m</italic> q<italic>u</italic>artado<xref ref-type="fn" rid="fn340"><sup>148</sup></xref>, e re<italic>n</italic>dem q<italic>u</italic>ino<italic>m</italic> de uno bragal <italic>e</italic> de uno m<italic>o</italic>r<italic>a</italic>b<italic>e</italic>d<italic>i</italic> <italic>e</italic> de uno s<italic>es</italic>t<italic>ei</italic>r<italic>o</italic> de nozes <italic>e</italic> de uno s<italic>es</italic>t<italic>ei</italic>r<italic>o</italic> de (<strike>nozes e</strike>) pam <italic>e</italic> de IIII<sup>or</sup> afusaes de lino, <italic>e</italic> de IIII<sup>or</sup> galinas <italic>e</italic> de XX ouos, e uno &lt;...&gt; s<italic>er</italic>uizo no ano ao ric’homẽ. E que<italic>m</italic> fez<italic>er</italic> omezio peitar ende o medio, e no<italic>m</italic> ent<italic>r</italic>a hi maiordomo n<italic>em</italic> sayom. E re<italic>n</italic>dem esses dous casaes, ao senor da erdade, q<italic>u</italic>arta p<italic>ar</italic>te de pam aroto <italic>e</italic> q<italic>u</italic>inta do q<italic>ue</italic> aro<italic>m</italic>perem, <italic>e</italic> t<italic>er</italic>cia de lino, <italic>e</italic> medio de vino, e cada casal III s<italic>o</italic>l<italic>dos</italic> de pedida, <italic>e</italic> I bragal de VIII uaras, e II capones, <italic>e</italic> XV ouos, <italic>e</italic> I spadua, <italic>e</italic> I cabrito <italic>e</italic> I t<italic>a</italic>l<italic>eg</italic>a de t<italic>r</italic>itico, e d’ ejradiga I q<italic>uar</italic>t<italic>ei</italic>ro de pam <italic>e</italic> I puzal de uino<xref ref-type="fn" rid="fn341"><sup>149</sup></xref>. It<italic>em</italic>, achamos en Uila Mediana úú casal q<italic>ue</italic> re<italic>n</italic>de de cabedal VI t<italic>a</italic>l<italic>eg</italic>as de pane, <italic>e</italic> III s<italic>o</italic>l<italic>dos</italic> de pedida, <italic>e</italic> I bragal de VII uaras, <italic>e</italic> II capoes, <italic>e</italic> XV ouos, <italic>e</italic> I spadua, <italic>e</italic> I pata ao ric’omẽ <italic>e</italic> I s<italic>es</italic>t<italic>ei</italic>r<italic>o</italic> de pam secu<italic>n</italic>do. E disto de Vila Mediana, dize<italic>m</italic> q<italic>ue</italic> a ende á eccl<italic>es</italic>ia de Sedéélos a q<italic>u</italic>arta p<italic>ar</italic>te e out<italic>r</italic>a q<italic>u</italic>arta fillos de M<italic>ar</italic>tin Mouro. U<italic>n</italic>de dize ú caualeyro ca disto no<italic>m</italic> sabe rem, maes sabiase á u<italic>er</italic>dade e aja cada úú u seu dereyto. It<italic>em</italic>, á hy úú molino, u<italic>n</italic>de á dona Giralda cu<italic>m</italic> seu fillo, da medietate, una t<italic>er</italic>cia, e da out<italic>r</italic>a medietate, do úú q<italic>u</italic>arto, us dous q<italic>u</italic>inioes. E q<italic>u</italic>ando leua<italic>m</italic> us out<italic>r</italic>os sennos q<italic>u</italic>arteiros, leua dona Giralda VI t<italic>a</italic>l<italic>eg</italic>as. It<italic>em</italic>, do q<italic>ue</italic> leua dona Giralda, do seu q<italic>u</italic>ino<italic>m</italic> das Azoreiras, deue ende a s<italic>er</italic>uir al rey todo ú seu dereyto. Vn<italic>de</italic>, senor, a todo isto auede uos <italic>con</italic>sello áá erdade, ca nos no<italic>m</italic> podemos dar p<italic>re</italic>zo q<italic>u</italic>anto ual, ca nos semella peq<italic>ue</italic>na re<italic>n</italic>da. E nos no<italic>m</italic> auemos seelo, e por se no<italic>m</italic> tornar en douida, poemos esta carta sú_ú sinal do tabali<italic>om</italic> del rey, q<italic>ue</italic> foy p<italic>re</italic>sente en testemonio.</p>
</disp-quote>
</p>
</sec>
<sec>
<title>D3B</title>
<p>
<disp-quote>
<p>It<italic>em</italic>, sabbades: pagada á re<italic>n</italic>da de el rey dos II<sup>os</sup> casaes das Azureyras, podedes i<italic>n</italic>de be<italic>n</italic> au<italic>er</italic> i<italic>n</italic> saluo, cada I ááno, VII m<italic>o</italic>r<italic>a</italic>b<italic>e</italic>d<italic>i</italic>s uedros, i<italic>n</italic> saluo. E podedes y au<italic>er</italic> muytas maladias é muytas i<italic>n</italic>comendas e outra h<italic>er</italic>dade &lt;.quela aueredes p<italic>er</italic> aquela. É u<italic>ost</italic>ra&gt; h<italic>er</italic>dade podedes h<italic>er</italic>mar e pobrar cada ááno. It<italic>em</italic>, do casal de Uila Meyáá: re<italic>n</italic>de, cada aano, XXVª s<italic>o</italic>l<italic>dos</italic> e Iº d<italic>ieyro</italic> e leua ende Sedéélos o q<italic>u</italic>arto. É sabede muy be<italic>n</italic> q<italic>ue</italic> é muy bóó logar. It<italic>em</italic>, sabbades dos casááes d<italic>e</italic> Ueriz que uos re<italic>n</italic>de, cada ááno, XI <italic>e</italic> /t<italic>er</italic>cio/ m<italic>o</italic>r<italic>abedis</italic>, as derecturas soos a<italic>n</italic>tre uos <italic>e</italic> M<italic>ar</italic>ti<italic>n</italic> Laurenzo. E uos sabbede (<strike>l</strike>) se os auedes cada ááno. É uos sabbede q<italic>ue</italic> nu<italic>n</italic>ca os uossos (<strike>uosso</strike>) homéés d<italic>e</italic> Uéériz ta<italic>n</italic> mal foron treytos i<italic>n</italic> tempo de uossa madre como ora son do uosso homẽ Ioh<italic>an</italic> M<italic>ar</italic>tiniz. It<italic>em</italic>, vos credatis iste uosso homẽ
Laurenzo do que uos disser, d<italic>e</italic> m<italic>e</italic>a parte &lt;...&gt;, que my faze<italic>n</italic>.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>
<fig id="gf18">
<caption>
<title>“eu Micahel Petri de Veariz”</title>
</caption>
<graphic xlink:href="7721_gf19.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Os textos em questão mostram diversos aspetos arcaizantes, nomeadamente o primeiro (D3A), que se destaca no grau de latinidade de alguns vocábulos: <italic>clerico</italic>, <italic>ecclesia</italic>, <italic>medietate</italic><sub>2</sub>, <italic>medio</italic><sub>2</sub>, <italic>Micahel</italic>, <italic>modios</italic>, <italic>molino</italic>, <italic>pane</italic>, <italic>tritico</italic>, <italic>Villa Mediana</italic><sub>3</sub> (top. ‘Vila Meã’), etc. Em D3B, que apresenta a versão romance do topónimo anterior (<italic>Vila Meyáá</italic>), surge <italic>credatis</italic> (‘creiais’) e, em modo abreviado, o possessivo <italic>mea</italic>.</p>
<p>No primeiro dos escritos observamos o uso de &lt;u&gt; para /o/, sobretudo quando esta vogal é seguida de consoante nasal em coda (<italic>cum</italic><sub>7</sub>, <italic>puzal</italic> [‘poçal’], <italic>Reymund</italic>o<sub>3</sub> ―a par de <italic>Reymondo</italic>― <italic>subredicta</italic>, <italic>unde</italic><sub>4</sub>, <italic>unrado</italic>) e para o artigo masculino <italic>u</italic>(<italic>s</italic>)<sub>6</sub>, mas <italic>do</italic><sub>5</sub> (prep. + art.). Com exceção do topónimo <italic>Azureyras</italic>, formas similares não se registam em D3B, no qual, em troca, encontramos &lt;i&gt; para /e/ em <italic>in</italic><sub>3</sub>, <italic>incomendas</italic>, <italic>inde</italic> e <italic>iste</italic>, talvez por inércia latinizante<xref ref-type="fn" rid="fn342"><sup>150</sup></xref>. Essa mesma motivação explicará o uso ocasional de &lt;ec&gt; para [ej] em <italic>derecturas</italic>. A marcação da nasalidade vocálica faz-se pelo recurso tradicional a &lt;-n-&gt; ou sem sinal específico: <italic>capones</italic>, <italic>galinas</italic>, <italic>lino</italic><sub>2</sub>, <italic>una</italic>, <italic>uno</italic><sub>5</sub>, <italic>uino</italic><sub>2</sub>; <italic>bóó</italic>, <italic>capoes</italic>, <italic>homéés</italic>, <italic>Meyáá</italic>, <italic>quintáá</italic>, <italic>úú</italic><sub>5</sub> (‘um’), <italic>ueo </italic>(‘veio’). Essa última possibilidade ―ausência de marca― é exclusiva de D3B.</p>
<p>Não detetamos oposição gráfica entre surda e vozeada para as africadas/fricaticas predorsodentais, visto ter-se recorrido sistematicamente a &lt;z&gt;/&lt;zi&gt; em <italic>Azoreiras</italic>/<italic>Azureiras </italic>(top. ‘Açoreiras’), <italic>fezer</italic>, <italic>grazia</italic>, <italic>Laurenzo</italic>, <italic>merzéé</italic>, <italic>nozes</italic>, <italic>prezo</italic>, <italic>puzal</italic>, <italic>zertos</italic>. No caso das fricativas apicoalveolares, existe uma nítida diferença entre a falta de contraste observável em D3A (<italic>afusaes</italic>, <italic>casado</italic>; <italic>fosemos</italic>, <italic>uosa</italic><sub>3</sub>, <italic>uoso</italic><sub>2</sub>) e a regularidade com que o registamos em D3B (<italic>casal</italic>, <italic>casaes</italic>; <italic>disser</italic>, <italic>uosso</italic>[<italic>s</italic>]<sub>3</sub>)<xref ref-type="fn" rid="fn343"><sup>151</sup></xref>.</p>
<p>A lateral palatal é representada sistematicamente por &lt;ll&gt;: <italic>consello</italic>, <italic>fillo</italic>(<italic>s</italic>)<sub>3</sub>, <italic>moller</italic>, <italic>semella</italic>. O reflexo gráfico da nasal palatal conta com três variantes &lt;n&gt;, &lt;ni&gt; e &lt;nn&gt;: <italic>senor</italic><sub>4</sub>, <italic>quinom</italic><sub>2</sub>; <italic>quinioes</italic>, <italic>testemonio</italic>; <italic>sennos</italic>. A situação descrita corresponde a D3A, pois o texto copiado no verso não integra vocábulos contendo qualquer desses fonemas.</p>
<p>Noutro nível de análise, cumpre sublinhar a presença em ambos os escritos, como traço inovador, de diversos termos contendo &lt;y&gt; (cf. <italic>supra</italic>). No primeiro, é o procedimento maioritário, mas não exclusivo, para representar a vogal /i/ precedida doutro grafema vocálico prévio<xref ref-type="fn" rid="fn344"><sup>152</sup></xref>: <italic>Azoreiras</italic><sub>3</sub>, <italic>caualeiro</italic>, <italic>caualeyro</italic>, <italic>dereyto</italic><sub>2</sub>, <italic>ejradega</italic>, <italic>foy</italic><sub>3</sub>, <italic>maiordomo</italic>, <italic>peitar</italic>, <italic>poys</italic>, <italic>quarteiros</italic>, <italic>rey</italic><sub>4</sub>, <italic>Reymondo </italic>/ <italic>Reymundo</italic><sub>4</sub>, <italic>Ruy</italic>, <italic>sayom</italic><xref ref-type="fn" rid="fn345"><sup>153</sup></xref>. Também alterna, de modo minoritário, com &lt;i&gt; para o pronome adverbial: <italic>hy</italic>, <italic>hi</italic><sub>3</sub>. Essa tendência torna-se sistemática e expansiva em D3B, onde já não encontramos &lt;i&gt; nessas situações: <italic>Azureyras</italic>, <italic>Meyáá</italic>, <italic>muy</italic><sub>2</sub>, <italic>muytas</italic><sub>2</sub>, <italic>my</italic>, <italic>treytos</italic>, <italic>y</italic>.</p>
<p>Um aspeto digno de nota deriva da natureza deste texto, próximo do género epistolar, portanto, em parte alheio à expressão formulaica própria do discurso diplomático. Surgem pormenores fraseológicos ou itens lexicais infrequentes na documentação instrumental, como as expressões “auede uos consello áá erdade”, “fosemos [...] na uosa quintáá”, “fomos ao dia”, “séé casado”, “tornar en douida”, ou termos como <italic>treyto</italic>, <italic>sages</italic>, etc. Também podemos assinalar a variação linguística existente entre ambos os textos, não apenas do ponto de vista grafemático. Assim, por exemplo, o contraste que se reflete no presente de conjuntivo entre formas em que a semivogal permanece depois do /b/ e outras analógicas dos verbos regulares (<xref ref-type="bibr" rid="ref50">Maia 1986: 809-811</xref>): <italic>sabiades </italic>(D3A), <italic>sabbades </italic>(D3B).</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title><bold>3.2. <italic>Maestro da Orden da Cauallaria de Sanctiago</italic></bold></title>
<p>O protagonismo de Rui Garcia de Paiva não se esgota nos textos anteriores. O seu nome surge, de novo, num ato documental de 1268 pelo qual estabelecia uma série de acordos económicos com a Ordem de Santiago, representada pelo mestre da mesma, Paio Peres Correia. O documento em questão foi lavrado em Almada, localização que se prende à presença na área da referida instituição desde o último quartel do séc. <sc>xii</sc>. Com efeito, em 1186, os santiaguistas receberam de D. Sancho I as vilas de Alcácer, Palmela, Almada e Arruda em recompensa pela participação dessa milícia na recuperação cristã da região (<xref ref-type="bibr" rid="ref23">Costa 2016: 115-118</xref>). Na altura em que se elabora o diploma, a sede conventual da Ordem já se situava na vila alentejana de Mértola ―tal como se reflete em alusão ao comendador-mor―, após ter sediado em Palmela e em Alcácer-do-Sal.</p>
<sec>
<title>D4</title>
<p>1268, janeiro, 20 ― Almada.</p>
<p><italic>Contrato económico entre a Ordem de Santiago e Rui Garcia de Paiva, em que se contempla a entrega de uma quantia económica e o usufruto de propriedades em Torres Vedras e em Orta Lagoa (Santarém).</italic></p>
<p>
<disp-quote>
<p>Conoçuda cousa seia a q<italic>u</italic>a<italic>n</italic>tos esta carta uir<italic>en</italic> cõmo nos, don Pay P<italic>er</italic>ez, por|la gr<italic>aç</italic>a de Deus, maest<italic>r</italic>o da Orden da Cauall<italic>ar</italic>ia de S<italic>anct</italic>iago, co<italic>n</italic> outorgame<italic>n</italic>to de don Johan Reimo<italic>n</italic>do, com<italic>en</italic>dador mayor de M<italic>er</italic>tolla, <italic>et</italic> do comue<italic>n</italic>to desse lugar <italic>et</italic> de nosso cabidóó geeral, asignam<italic>os</italic> a uos do[n] Roy G<italic>arci</italic>a de Pauya doçentas <italic>et</italic> sesaenta lib<italic>r</italic>as en cada_un anno, p<italic>er</italic>lo nosso relego d’ Almadáá, <italic>et</italic> dam<italic>os</italic> uos o h<italic>er</italic>dam<italic>en</italic>to q<italic>ue</italic> auem<italic>os</italic> en Torres Uedras <italic>et</italic> en seu t<italic>er</italic>mho, que foy de don Suero Paez <italic>et</italic> de dona Steueya, sa moller, <italic>et</italic> de dona M<italic>ari</italic>a Gom<italic>e</italic>z, q<italic>ue</italic> o teñades de nos <italic>et</italic> de nosa orden, por en todos uossos dias, por mujta aiuda q<italic>ue</italic> nos <italic>et</italic> nosa orden recebem<italic>os</italic> de uos <italic>et</italic> recebe<italic>r</italic>em<italic>os</italic> mais adeant<italic>e</italic>, q<italic>u</italic>a<italic>n</italic>do mester nos for. Et sse p<italic>er</italic>la uent<italic>ur</italic>a auéér q<italic>ue</italic> nos uos dem<italic>os</italic> Orta Lagoa desenbargadament<italic>e</italic> <italic>et</italic> a uos receberdes, as sobreditas doçentas <italic>et</italic> sesaenta lib<italic>r</italic>as <italic>et</italic> o he<italic>r</italic>dam<italic>en</italic>to q<italic>ue</italic> de nos téédes en Torres ficar a_nos <italic>et</italic> a_nosa orden liure, <italic>et</italic> q<italic>u</italic>ite <italic>et</italic> sin out<italic>r</italic>o enbargo ni<italic>n</italic>húú, <italic>et</italic> dardes nos esta carta q<italic>ue</italic> de nos téédes, <italic>et </italic>nos darm<italic>os</italic> uos out<italic>r</italic>a de outorgame<italic>n</italic>to de Orta Lagoa. Et se, perla uent<italic>ur</italic>a, aueesse q<italic>ue</italic> o erdame<italic>n</italic>to de dona Sancha &lt;M<italic>a</italic>r<italic>t</italic>inz&gt;, qu<italic>e</italic> a en Torres <italic>et</italic> en seu t<italic>er</italic>mho, ficasse a nossa orden <italic>et</italic> q<italic>ue</italic> uos|lo dessem<italic>os</italic> desenbargadame<italic>n</italic>t<italic>e</italic>, sacado end<italic>e</italic> a Moreira, reçeberdes lo uos do[n] Roy Ga<italic>rcia</italic>, o sobredito, <italic>et</italic> teerdes lo por en uossos dias co<italic>n</italic> este outro h<italic>er</italic>dam<italic>en</italic>to sobredito q<italic>ue</italic> uos dam<italic>os</italic> en Torres, <italic>et</italic> leixardes as sobreditas doçentas <italic>et</italic> sesaenta lib<italic>r</italic>as, q<italic>ue</italic> uos posem<italic>os</italic> no noso relego sobredito, q<italic>ue</italic> as no<italic>n</italic> demandedes uos ni<italic>n</italic> out<italic>re</italic> por uos. Out<italic>r</italic>osj mandam<italic>os</italic> que, depos uosa morte, fiq<italic>ue</italic> todo esto q<italic>ue</italic> uos dam<italic>os</italic> a nos <italic>et</italic> a nosa orden, liurem<italic>en</italic>t<italic>e</italic> <italic>et</italic> sin outro enbargo ni<italic>n</italic>húú, con q<italic>u</italic>a<italic>n</italic>to ben et con q<italic>u</italic>a<italic>n</italic>to acrescentame<italic>n</italic>to uos y fez<italic>er</italic>des <italic>et</italic> mandardes faz<italic>er</italic>. Et por este nosso feito fosse f<italic>ir</italic>me <italic>et</italic> stauil <italic>et</italic> no<italic>n</italic> ueesse en douida, ma<italic>n</italic>dam<italic>os</italic> en esta nosa carta poer nossos seellos, q<italic>ue</italic> touessedes de nos. Feita en Almadáá, uernes, XX dias andados de jan<italic>eir</italic>o, era mill <italic>et</italic> CCC <italic>et</italic> VI a<italic>n</italic>nos.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>
<fig id="gf9">
<caption>
<title>“Roy Garcia de Pauya”</title>
</caption>
<graphic xlink:href="7721_gf10.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>No referente à representação de vogais e ditongos orais, o documento desconhece qualquer dos traços arcaizantes que, em maior ou menor medida, observávamos nos exemplares anteriores<xref ref-type="fn" rid="fn346"><sup>154</sup></xref>. O &lt;i&gt; que encontramos na terminação do adjetivo <italic>stauil</italic> não entra nessa categoria pois reflete a pronúncia real da vogal palatal alta com origem semierudita no latim -<sc>bĭlem</sc><sup><xref ref-type="fn" rid="fn347">155</xref></sup>. A passagem para -v/e/l, favorecida talvez pelo contacto com a lateral alveolar em coda, já se documenta na primeira metade do séc. <sc>xiii</sc><sup><xref ref-type="fn" rid="fn348">156</xref></sup>, mas será um processo demorado que só se completará no séc. <sc>xv</sc> (<xref ref-type="bibr" rid="ref7">Cardeira 2010: 86-88</xref>). Pelo contrário, o escrito inclui <italic>outre</italic>, resultado que, na altura, convive com “outri”. Apesar de remontar a um vocábulo latino em -<sc>ī</sc> (<sc>altĕrī</sc>), o tipo em -<italic>e</italic> já é predominante na documentação do período (<xref ref-type="bibr" rid="ref57">Mariño Paz 2009: 84</xref>). Noutros casos, a presença de &lt;e&gt; decorre, muito provavelmente, de influxo castelhano (cf. <italic>infra</italic>), dado que as formas com &lt;i&gt; surgem de modo consistente na documentação portuguesa. Referimo-nos, em concreto, ao vocábulo <italic>orden</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn349">157</xref></sup> e aos patronímicos em -ez: <italic>Paez</italic>, <italic>Perez </italic>―a par do esperável <italic>Gomez</italic>.</p>
<p>O texto do contrato económico dos santiaguistas com Rui Garcia não se afasta das práticas scriptográficas “tradicionais” na ausência de lineta ou de qualquer outro procedimento como marcação grafémica da nasalidade vocálica: <italic>au<bold>é</bold>ér</italic>, <italic>g<bold>e</bold>eral</italic>, <italic>h<bold>ú</bold>ú</italic>, <italic>p<bold>o</bold>er</italic>, <italic>Steu<bold>e</bold>ya</italic>, <italic>t<bold>é</bold>édes</italic>, <italic>u<bold>e</bold>esse</italic>, etc.</p>
<p>O emprego de &lt;ç&gt;, em data relativamente precoce<xref ref-type="fn" rid="fn350"><sup>158</sup></xref>, junto com o recurso ao tradicional &lt;z&gt;, permitiu ao anónimo autor do texto discriminar regularmente a africada/fricativa predorsodental surda da vozeada: <italic>cono<bold>ç</bold>uda</italic>, <italic>gra<bold>ç</bold>a</italic>, <italic>re<bold>c</bold>eberedes</italic>; <italic>fa<bold>z</bold>er</italic>, <italic>fe<bold>z</bold>erdes</italic>, etc. Isso não acontece, com a mesma regularidade, para as fricativas apicoalveolares, pois a surda é transcrita por grafema simples em mais de um terço das ocorrências em posição intervocálica: <italic>a<bold>s</bold>ignamos</italic>, <italic>auee<bold>ss</bold>e</italic>, <italic>de<bold>ss</bold>e</italic>, <italic>de<bold>ss</bold>emos</italic>, <italic>fica<bold>ss</bold>e</italic>, <italic>fo<bold>ss</bold>e</italic>, <italic>no<bold>s</bold>a</italic><sub>5</sub>, <italic>no<bold>ss</bold>a</italic>, <italic>no<bold>s</bold>o</italic>, <italic>no<bold>ss</bold>o</italic>(<italic>s</italic>)<sub>4</sub>, <italic>outro<bold>s</bold>j</italic>, <italic>se<bold>s</bold>enta</italic><sub>3</sub>, <italic>toue<bold>ss</bold>edes</italic>, <italic>uee<bold>ss</bold>e</italic>, <italic>uo<bold>s</bold>a</italic>, <italic>uo<bold>s</bold>sos</italic><sub>2</sub>, etc. No caso da sonora, o uso de &lt;-s-&gt; é sistemático: <italic>cou<bold>s</bold>a</italic>, <italic>de<bold>s</bold>enbargadamente</italic>, <italic>po<bold>s</bold>emos</italic>.</p>
<p>Uma notável novidade deste diploma é a utilização de &lt;h&gt; para representar a semivogal palatal, como primeiro elemento de ditongo crescente, antecedida da nasal bilabial nas duas ocorrências de <italic>term<bold>h</bold>o</italic>. A sequência de &lt;mh&gt; é frequente na documentação portuguesa do último quartel do séc. <sc>xiii</sc> e da primeira metade do séc. <sc>xiv</sc>. Essa associação gráfica, paralela à de &lt;uh/vh&gt; e &lt;bh&gt;, fora interpretada como efeito analógico da implantação dos dígrafos &lt;lh&gt; e &lt;nh&gt;. No entanto, como se evidencia neste e noutros documentos do período, o uso de &lt;mh&gt; surge amiúde em exemplares que desconhecem esses dígrafos, como acontece, de facto, com esta escritura (<italic>moller</italic>, <italic>teñades</italic>). Não se confirma, assim, o carácter secundário da sequência &lt;mh&gt; a respeito das associações gráficas anteriores, constituindo um importante argumento para a reconhecermos como prática grafemática de origem autóctone; consideração extensível a &lt;lh&gt; e &lt;nh&gt;. Retomaremos este tópico ao tratar do último texto analisado neste trabalho.</p>
<p>O uso vacilante de &lt;y&gt; que observávamos em D3A repete-se em condições similares: <italic>fo<bold>y</bold></italic>, <italic>mais</italic>, <italic>ma<bold>y</bold>or</italic>, <italic>Moreira</italic>, <italic>muita</italic>, <italic>Pau<bold>y</bold>a</italic><xref ref-type="fn" rid="fn351"><sup>159</sup></xref>, <italic>Pa<bold>y</bold></italic>, <italic>Reimondo</italic>, <italic>Steue<bold>y</bold>a</italic>, <bold><italic>y</italic></bold> (cf. <italic>infra</italic>).</p>
<p>Aquilo que claramente individualiza este texto é a presença de um conjunto de traços que decorrem do provável cruzamento com uma tradição de escrita não (galego-)portuguesa vinculada ao castelhano (ou leonês), que se reflete, a diversos níveis, em termos como <italic>doçentas</italic>, <italic>maestro</italic>, <italic>nin</italic>, <italic>orden</italic>, <italic>Perez</italic>, <italic>sin</italic>, <italic>touessedes</italic>, <italic>uernes</italic>; em vez dos esperados: “duzentas” (ou “dozentas”), “meestre”, “nen”, “ordin”<xref ref-type="fn" rid="fn352"><sup>160</sup></xref>, “Periz”, “sen”, “tevessedes”, “sexta-feira”. As raízes castelhano-leonesas da Ordem de Santiago, instituição emissora do diploma, e a sua implantação transnacional explicam a presença desses elementos, o que logo nos remete para exemplos similares já conhecidos<xref ref-type="fn" rid="fn353"><sup>161</sup></xref>.</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title><bold>3.3. <italic>Eu, Gil Uicente, publico tabellion del rey en Coimbra</italic></bold></title>
<p>O diploma mais moderno dos examinados neste trabalho, procedente do núcleo documental da Sé de Coimbra, contém a doação feita pelo cónego Pedro Viegas a favor da instituição a que ele próprio pertencia. O documento foi lavrado no dia 6 de setembro do ano 1270 por mão de Gil Vice<italic>n</italic>te, “publico tabellion del rey en Coimbra”. Além desta carta ―a que nos referimos como 1270B― e de duas escrituras latinas de 1273 e 1275<xref ref-type="fn" rid="fn354"><sup>162</sup></xref>, conhecemos outros seis exemplares em galego-português escritos por esse notário nos anos de 1269, 1270 (= 1270A), 1271<xref ref-type="fn" rid="fn355"><sup>163</sup></xref>, 1279<xref ref-type="fn" rid="fn356"><sup>164</sup></xref>, 1283 (= 1283A e 1283B)<xref ref-type="fn" rid="fn357"><sup>165</sup></xref>, dos quais os dois mais antigos já foram incluídos em <xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic> (nº 354, 358)</xref>.</p>
<p>Pelos três exemplares situados entre 1269 e 1270 (1269, 1270A, 1270B), Gil Vicente passa a ser um dos notários mais bem representados antes de 1271, sendo ultrapassado unicamente por Pedro Gonçalves, notário de Celorico de Basto, com quatro documentos. No entanto, o facto de dois dos exemplares lavrados por este último serem apenas conhecidos através de transcrições publicadas por <xref ref-type="bibr" rid="ref95">Ribeiro (1860 [1810]: 285-287)</xref>
<xref ref-type="fn" rid="fn358"><sup>166</sup></xref> faz com que o tabelião conimbricense venha a ocupar o primeiro lugar no que se refere a originais conservados. Considerando a representatividade para o biénio 1269-1270, os diplomas devidos a Gil Vicente supõem 11%, percentagem que sobe para 14% se só contemplarmos as versões originais, pois nessa situação só se encontram 21 documentos.</p>
<sec>
<title>D5</title>
<p>1270, setembro, 6 ― Gil Vicente, notário do rei em Coimbra.</p>
<p><italic>Doação feita por Pedro Viegas ao Cabido da Sé de Coimbra de vinhas, lagar, casas e pomar no Campo de Coimbra.</italic></p>
<p>
<disp-quote>
<p>Conoscam todos aq<italic>ue</italic>les q<italic>ue</italic> esta carta uir<italic>en</italic> q<italic>ue</italic> eu, Pedro Uẽ́égas, cóónigo de Coimbra, ne<italic>m</italic>bra<italic>n</italic>do me de muyto ben e de muyta m<italic>er</italic>céé q<italic>ue</italic> recebj dos cóónigos dessa méésma egreía, dou e ma<italic>n</italic>do aos cóónígos dessa méésma egreía aq<italic>ue</italic>las mĩas viñas q<italic>ue</italic> ey no canpo de Coimbra, en ribeyra do río de Mondego, co<italic>n</italic> aq<italic>ue</italic>l lagar q<italic>ue</italic> eu hy fiz de nouo, e co<italic>n</italic> seu pomar, e co<italic>n</italic> sas casas e co<italic>n</italic> todos aq<italic>ue</italic>les dereytos q<italic>ue</italic> p<italic>er</italic>tẽ́éce<italic>n</italic> a essas viñas, e a essas casas, e a esse lagar e a esse pomar. E entrego logo os cóónigos dessa egreia dessas possissões p<italic>er</italic> meu capelo, do qual enuesto ende logo, en logo de possisson, do<italic>n</italic> Joha<italic>n</italic> Uice<italic>n</italic>te arcediagóó e vigayro de Coimbra, en nome desses cóónigos. E esta dõaço<italic>n</italic> e esta ma<italic>n</italic>da faço a esses cóónigos, q<italic>ue</italic> eles sei<italic>an</italic> tẽudos a faz<italic>er</italic> aniu<italic>er</italic>ssario por mĩa alma, poys q<italic>ue</italic> eu deste mu<italic>n</italic>do sayr, cada ãno en tal dia come aq<italic>ue</italic>le q<italic>ue</italic> eu sayr deste mu<italic>n</italic>do. E faça<italic>n</italic> cantar en aq<italic>ue</italic>l día hũa missa por mĩa alma e uáán co<italic>n</italic> p<italic>ro</italic>cisson sobre meu muyme<italic>n</italic>to, assi como costume e. E esses cóónigos, deste día adea<italic>n</italic>te, por senpre aiam e possuya<italic>n</italic> essas viñas de suso nomeadas co<italic>n</italic> seu lagar, e co<italic>n</italic> sas casas, e co<italic>n</italic> seu pomar, assi como sobredito é, e collam e receba<italic>n</italic> delas o fructo p<italic>er</italic>a si. E no<italic>n</italic> aíam poder de as dar, ne<italic>n</italic> de as uender, ne<italic>n</italic> de as enpenorar, ne<italic>n</italic> de as emplazar por outras, ne<italic>n</italic> nas possa<italic>n</italic> allẽar en nẽhũa g<italic>u</italic>isa, mays ma<italic>n</italic>tenanas senp<italic>re</italic> o mellor q<italic>ue</italic> podere<italic>n</italic> en seu bṍó estado. E se as q<italic>u</italic>isere<italic>n</italic> dar a algṹú homẽ, en sa uida, q<italic>ue</italic> as laure e q<italic>ue</italic> de por elas renda sabuda, metanas a almoeda e aquel q<italic>ue</italic> mays por elas p<italic>ro</italic>meter tena essas viñas por essa renda e seía tal homẽ q<italic>ue</italic> laure be<italic>n</italic> essas viñas, e pare be<italic>n</italic> o logar e pague be<italic>n</italic> a rrenda. E se os cóónigos fezere<italic>n</italic> co<italic>n</italic>tra esto, Nostro Senor Iheso Chr<italic>ist</italic>o llilo dema<italic>n</italic>de por mi<italic>n</italic>. E se, p<italic>er</italic> ue<italic>n</italic>tura, algṹú de meu linage<italic>n</italic> ou estrãyo q<italic>u</italic>iser uĩ́ír co<italic>n</italic>tra esta mĩa dõaço<italic>n</italic> e <italic>contr</italic>a esta mĩa ma<italic>n</italic>da, no<italic>n</italic> lj ualla re<italic>n</italic>, mays polo p<italic>ro</italic>uar solame<italic>n</italic>te peyte aos cóónigos dous mil morauidís por pẽa ou a aq<italic>ue</italic>l a q<italic>ue</italic> eles dere<italic>n</italic> sa uoz, é en todas g<italic>u</italic>isas este meu feyto ualla e fiq<italic>ue</italic> fi<italic>r</italic>me por senp<italic>re</italic>. E reteno por|a mĩ todalas outras mĩas possissões, q<italic>ue</italic> possa delas faz<italic>er</italic> meu plaz<italic>er</italic> e toda mĩa uóóntade. E ma<italic>n</italic>do q<italic>ue</italic> os sobreditos cóónigos seia<italic>n</italic> tẽudos a dar, e de<italic>n</italic> cada ãno, en día de Natal, do fructo dessas viñas q<italic>ue</italic>_lis dey, tres lib<italic>ras</italic> aa egreía de San Saluador de Coimbra por he<italic>r</italic>dade q<italic>ue</italic> mi<italic>n</italic> deu o p<italic>r</italic>iol e os cl<italic>er</italic>igos dessa Egreía, en q<italic>ue</italic> fiz hũa peça dessas viñas. E q<italic>ue</italic> esto seía mays fi<italic>r</italic>me e mays estau<italic>e</italic>l e q<italic>ue</italic> no<italic>n</italic> possa de|poys uĩ́ír en duuida, eu, sobredito Pedro Uẽ́égas fíz ende faz<italic>er</italic> esta carta p<italic>er</italic> mão de Gil Uic<italic>en</italic>te, publico tabellio<italic>n</italic> del rey en Coimbra, a qual ende tena<italic>n</italic> os sobreditos cóónigos en testemõyo desta cousa. E eu, Gil Uice<italic>n</italic>te, publico tabellio<italic>n</italic> del rey en Coimbra, a estança do sobredito P<italic>edr</italic>o Uẽ́égas, ento<italic>n</italic> en todas estas cousas p<italic>re</italic>sente fui e a rogo del esta carta ende co<italic>n</italic> mĩa mão p<italic>ro</italic>p<italic>r</italic>ia sc<italic>r</italic>iuj e este meu sinal ẽ́éla pusj en testemõyo desta cousa. Esto foy feyto sabado de manháá, sex dias andados de sete<italic>m</italic>bro, no cabidóó da Séé sobredita, e<italic>r</italic>a Mª CCCª VIIIª. Q<italic>ue</italic> p<italic>re</italic>sentes foro<italic>n</italic>: do<italic>n</italic> Gonçalo Gonçaluiz, chantre; do<italic>n</italic> Joha<italic>n</italic> Uice<italic>n</italic>te, arcediagóó e vigayro; do<italic>n</italic> Pedro Martĩ́íz, maestrescola; Marti<italic>n</italic> Uẽ́égas, arcediago en Riba de Vouga; Gonçalo M<italic>een</italic>diz e out<italic>r</italic>os cóónigos de Coi<italic>m</italic>bra; Gonçalo G<italic>onça</italic>luiz, raçõeyro de Santiago de Coi<italic>m</italic>bra; Afonso M<italic>een</italic>diz, p<italic>r</italic>iol da egreía de Lauãos; Marti<italic>n</italic> Domi<italic>n</italic>guiz, cl<italic>er</italic>igo do sobredito chantre; Pedro M<italic>een</italic>diz, cl<italic>er</italic>igo do choro da sobredita Séé. <italic>testemõyas</italic>.</p>
<p>It<italic>em</italic>, sabuda cousa seía q<italic>ue</italic> en p<italic>re</italic>sença de mj<italic>n</italic>, sobredito tabellio<italic>n</italic>, e das testemõyas iuso sc<italic>r</italic>itas, Gonçalo M<italic>een</italic>diz, cóónigo sobredito, lééu en nota a sobredita carta ante Pedro Uẽ́égas, sobredito, no choro da sobredita Séé. E essa nota leuda, eu, sobredito tabellio<italic>n</italic>, p<italic>re</italic>gu<italic>n</italic>tey o sobredito P<italic>edr</italic>o Uẽegas e dissilj se ma<italic>n</italic>daua e outorgaua assi en_como era co<italic>n</italic>tẽudo ẽ́éssa nota e se o fazía de seu plaz<italic>er</italic> ou se era be<italic>n</italic> en seu poder e en seu acordo p<italic>er</italic>a fazelo. E esse P<italic>edr</italic>o Uẽ́égas ento<italic>n</italic> disse q<italic>ue</italic> era, e q<italic>ue</italic> ma<italic>n</italic>daua e outorgaua todo assi como sobredito e, e q<italic>ue</italic> me rogaua q<italic>ue</italic> fezesse ende esta carta e q<italic>ue</italic> a desse é entregasse aos sobreditos cóónigos. E eu ento<italic>n</italic>, de seu ma<italic>n</italic>dado e de seu rogo, esta carta ende co<italic>n</italic> mĩa mão p<italic>ro</italic>p<italic>r</italic>ia sc<italic>r</italic>iuj, e dey e entreguey ela aos sobreditos cóónigos. Q<italic>ue</italic> p<italic>re</italic>sentes foro<italic>n</italic>: do<italic>n</italic> Joha<italic>n</italic> Uice<italic>n</italic>te, arcediagóó e vigayro; don Joha<italic>n</italic> G<italic>onça</italic>luiz; Gonçalo M<italic>een</italic>diz; maestre Joh<italic>a</italic>ne: cóónigos. Domi<italic>n</italic>gos F<italic>er</italic>na<italic>n</italic>diz, raçõeyro da sobredita Séé; Domi<italic>n</italic>gos M<italic>een</italic>diz, p<italic>r</italic>iol da egreía de San Be<italic>r</italic>tolameu de Coi<italic>m</italic>bra; Pay Martĩ́íz, raçõeyro dessa méésma egreía; Marti<italic>n</italic> M<italic>een</italic>diz, p<italic>r</italic>iol da egreía do Aluorge: <italic>testemõyas</italic>.</p>
</disp-quote>
</p>
<p>
<fig id="gf10">
<caption>
<title>“E eu Gil Uicente”</title>
</caption>
<graphic xlink:href="7721_gf11.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Estamos perante um dos escritos instrumentais do período que mostra maior grau de clareza e estabilização grafémica na representação do romance, em coerência com o que é característico do conjunto de cartas lavradas pelo seu autor material. No que se refere à integração de elementos latinizantes, apenas se poderia atribuir esse rótulo a <italic>fructo</italic><sub>2</sub> e <italic>sex</italic>, que mais parecem formas de influxo gráfico erudito ―sobretudo o primeiro dos vocábulos― registadas durante toda a Idade Média<xref ref-type="fn" rid="fn359"><sup>167</sup></xref>.</p>
<p>Como já acontecia com o documento D4, não se observam casos de hesitação gráfica no âmbito do vocalismo. A ocorrência de &lt;i&gt; em unidades que posteriormente o substituíram por &lt;e&gt; reflete a presença real do fonema vocálico palatal alto. É assim que devemos interpretar <italic>diss<bold>i</bold></italic> (‘[eu] disse’), <italic>pus<bold>j</bold></italic> (‘[eu] pus’); <italic>l<bold>i</bold></italic>(<italic>s</italic>) / <italic>ll<bold>i</bold>lo</italic>; <italic>Fernand<bold>i</bold>z</italic>, <italic>Gonçalu<bold>i</bold>z</italic>, etc. Trata-se de resultados ―terminação da P1 dos pretéritos fortes<xref ref-type="fn" rid="fn360"><sup>168</sup></xref>, clítico dativo<xref ref-type="fn" rid="fn361"><sup>169</sup></xref> e sufixo patronímico (cf. <italic>supra</italic>)― em que o fonema vocálico /i/, enquanto átono final, se virá a fundir com /e/<xref ref-type="fn" rid="fn362"><sup>170</sup></xref>. Pelo contrário, esta regra evolutiva aparece concluída na conjunção <italic>s<bold>e</bold></italic><sub>6</sub> (&lt;lat. sī), utilizada de modo constante por Gil Vicente, o que condiz com o ocaso do arcaico <italic>si</italic> na primeira metade do séc. <sc>xiii</sc><sup><xref ref-type="fn" rid="fn363">171</xref></sup>. No que se refere à, já contemplada, alternância entre [e] e [i] no operador sufixal -vel, o texto em questão apresenta a variante inovadora com [e] <italic>estau<bold>e</bold>l</italic>. É interessante notar que se trata da única opção utilizada por Gil Vicente na restante produção conhecida dele: <italic>perdurauel</italic> (1269, 1271), <italic>mouel</italic><sub>2</sub> (1271).</p>
<p>De natureza diferente é a ocorrência desse grafema vocálico em <italic>cóón<bold>i</bold>go</italic>(<italic>s</italic>)<sub>16</sub> e <italic>scr<bold>i</bold>ui</italic>
<sub>2</sub>. A primeira constitui a variante semierudita mais frequente, no período, para o atual “cónego”<xref ref-type="fn" rid="fn364"><sup>172</sup></xref>. Quanto à forma verbal, reflete a elevação por influxo da vogal tónica /i/, habitual desde a Idade Média (<xref ref-type="bibr" rid="ref50">Maia 1986: 365</xref>).</p>
<p>Para a marcação grafémica da nasalidade vocálica, o notário de Coimbra serve-se do traço supralinear: <italic>all<bold>ẽ</bold>ar</italic>, <italic>d<bold>õ</bold>açon</italic>, <italic>estr<bold>ã</bold>yo</italic>, <italic>h<bold>ũ</bold>a</italic>, <italic>m<bold>ã</bold>o</italic>, <italic>m<bold>ĩ</bold>as</italic>, <italic>p<bold>ẽ</bold>a</italic>, <italic>possiss<bold>õ</bold>es,</italic> <italic>raç<bold>õ</bold>eyro</italic>, <italic>testem<bold>õ</bold>yo</italic>, <italic>t<bold>ẽ</bold>udos</italic>, <italic>u<bold>ĩ́</bold>ír</italic>, etc. Salvo no caso de <italic>manh<bold>á</bold>á</italic>, em que falta provavelmente por lapso, a omissão da lineta em termos que continham um -<sc>n</sc>- em origem, desaparecido em galego-português, poderá ser indício de denasalamento: <italic>alm<bold>o</bold>eda</italic>, <italic>arcediag<bold>ó</bold>ó</italic> / <italic>arcediag<bold>o</bold></italic>, <italic>c<bold>ó</bold>ónigo</italic>, <italic>m<bold>u</bold>ymento</italic> e <italic>nom<bold>e</bold>adas</italic>.</p>
<p>Gil Vicente demonstra uma notável perícia para refletir, com sistematicidade, a oposição de vozeamento no que diz respeito às africadas/fricativas predorsodentais e às fricativas apicoalveolares, mas não se fica por aí. De modo também regular, no caso das primeiras, pratica a distribuição complementar de &lt;c&gt; ou &lt;ç&gt; em função da vogal que se segue<xref ref-type="fn" rid="fn365"><sup>173</sup></xref>: <italic>fa<bold>ç</bold>o</italic>, <italic>mer<bold>c</bold>éé</italic>, <italic>pe<bold>ç</bold>a</italic>, <italic>pro<bold>c</bold>isson</italic>, <italic>ra<bold>ç</bold>õeyro</italic>, <italic>re<bold>c</bold>ebj</italic>; <italic>empla<bold>z</bold>ar</italic>, <italic>fa<bold>z</bold>er</italic>, <italic>fa<bold>z</bold>ia</italic>; <italic>a<bold>ss</bold>i</italic>, <italic>di<bold>ss</bold>e</italic>, <italic>e<bold>ss</bold>es</italic>, <italic>mi<bold>ss</bold>a</italic>, <italic>po<bold>ss</bold>i<bold>ss</bold>on</italic>; <italic>ca<bold>s</bold>as</italic>, <italic>cou<bold>s</bold>as</italic>, <italic>gui<bold>s</bold>a</italic>, <italic>pre<bold>s</bold>ente</italic>, <italic>pu<bold>s</bold>j</italic>, etc<xref ref-type="fn" rid="fn366"><sup>174</sup></xref>.</p>
<p>A lateral palatal é grafada por &lt;ll&gt;, ao passo que para a lateral alveolar usa &lt;l&gt;: <italic>a<bold>ll</bold>ẽar</italic>, <italic>co<bold>ll</bold>an</italic>, <italic><bold>ll</bold>ilo</italic> (arc. “lhe-lo” [= lhes + o])<xref ref-type="fn" rid="fn367"><sup>175</sup></xref>, <italic>me<bold>ll</bold>or</italic>, <italic>ua<bold>ll</bold>a</italic>; <italic>aque<bold>l</bold>es</italic>, <italic>toda<bold>l</bold>as</italic>. A essa sistematicidade só foge o recurso etimologizante ao dígrafo no termo <italic>tabe<bold>ll</bold>ion</italic> (&lt;lat. <sc>tabellione</sc>). A alternância que observamos no texto entre <italic><bold>l</bold>i</italic>(<italic>s</italic>) e <italic><bold>ll</bold>ilo</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn368">176</xref></sup> reflete, muito provavelmente, uma variação real na articulação da líquida inicial, explicável na deriva evolutiva do pronome de dativo (<sc>ci</sc>), que ainda hoje se manifesta em diversos espaços da oralidade galego-portuguesa (“le” / “lhe”)<xref ref-type="fn" rid="fn369"><sup>177</sup></xref>.</p>
<p>A situação gráfica da nasal palatal é, em parte, mais complexa e revela algumas novidades. O fonema em questão aparece maioritariamente representado pelo grafema que também se utiliza para a nasal alveolar: <italic>co<bold>n</bold>oscam, enpe<bold>n</bold>orar, li<bold>n</bold>agen, mante<bold>n</bold>an, rete<bold>n</bold>o, te<bold>n</bold>an</italic>. No entanto, nas sete ocorrências da palavra “vinhas” (<italic>viñas</italic>), além do &lt;n&gt;, observamos a presença do traço supralinear a encimar a sequência &lt;in&gt;, o que permitiria editá-la como <italic>viñas</italic>, <italic>vĩnas</italic> ou <italic>vinnas</italic>. O aspeto mais salientável é a presença de &lt;nh&gt;, embora limitado à ocorrência única do vocábulo <italic>ma<bold>nh</bold>áá</italic>. Trata-se de uma das mais recuadas comparências dos dígrafos &lt;lh&gt; e &lt;nh&gt;, cujos mais antigos testemunhos podem ser situados ca. 1263-1269. Com efeito, este texto de Gil Vicente encontra-se entre as posições quarta e sétima no elenco dos primeiros escritos contendo as associações gráficas em questão<xref ref-type="fn" rid="fn370"><sup>178</sup></xref>.</p>
<p>
<fig id="gf11">
<caption>
<title>“sabado de manháá”</title>
</caption>
<graphic xlink:href="7721_gf12.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Como dissemos, em referência ao uso de &lt;mh&gt; em D4, tudo leva a pensar numa criação autóctone, como com muita acuidade já percebera, em meados do séc. <sc>xix</sc>, <xref ref-type="bibr" rid="ref77">Paul Meyer (1865: 280)</xref>: “De plus, les Portugais ont non-seulement <italic>lh</italic> et <italic>nh</italic>, mais aussi <italic>mh</italic>, qui manque en provençal; cela montre bien, ce me semble, que la combinaison de l’ aspirée <italic>h</italic> avec les liquides <italic>l</italic>, <italic>m</italic>, <italic>n</italic>, est chez eux originale”. Contudo, até tempos recentes, a tese da origem occitana foi aceite, por inércia, sem contestação. A partir do exame das práticas que caracterizam a documentação portuguesa em romance mais recuada, eu próprio comecei a pôr em causa, já nos primeiros anos deste século, esse alegado influxo alóctone, valorizando, entre outros aspetos, a criação das combinações &lt;bh&gt;, &lt;mh&gt; e &lt;vh&gt;<xref ref-type="fn" rid="fn371"><sup>179</sup></xref>. Nesses mesmos estudos, descrevíamos sumariamente o panorama dos primeiros testemunhos, só agora, em parte, modificado pela localização do escrito de Gil Vicente. Este interessante aspeto scriptográfico foi explorado posteriormente por <xref ref-type="bibr" rid="ref91">Ramos (2013: 507)</xref> num trabalho de síntese cuja conclusão necessária supõe uma “interpretação poligenética” para explicar o uso dos dígrafos em Portugal e na tradição provençal, sem necessidade de recorrer a uma relação de dependência<xref ref-type="fn" rid="fn372"><sup>180</sup></xref>. O uso dos grafemas compostos, que passará a individualizar a escrita do nosso idioma, ter-se-á espalhado ao longo do último quartel do séc. <sc>xiii</sc> e primeiro do séc. <sc>xiv</sc> ao conjunto de Portugal e, em parte, ao sudoeste da Galiza<xref ref-type="fn" rid="fn373"><sup>181</sup></xref>. Trata-se, portanto, de uma tendência inversa àquela que observamos noutros aspetos grafémicos em que se verifica uma progressiva convergência com o modelo castelhano.</p>
<p>A análise comparativa dos vários exemplares produzidos, em romance, por Gil Vicente, apresentada em gráfico anexo, permite-nos observar a evolução pessoal deste inovador notário relativamente a este aspeto. No documento de 1269, o mais recuado, os fonemas de articulação palatal não contam com grafemas diferentes dos simples utilizados para /l/ e /n/, de facto &lt;ll&gt; surge de forma isolada no vocábulo <italic>tabellion</italic>, termo que Gil Vicente plasmou sistematicamente com esse molde gráfico (cf. <italic>supra</italic>), o que também acontece no topónimo <italic>Ce<bold>ll</bold>as</italic> (1283A, 1283B). Encontrá-lo-emos ainda noutros vocábulos: <italic>bace<bold>ll</bold>os</italic> (1283A), <italic>cape<bold>ll</bold>am</italic> (1283B), <italic>Pene<bold>ll</bold>a</italic> (1270A), <italic>vi<bold>ll</bold>a</italic> (1283B). Nos documentos lavrados entre 1270 e 1271, o uso de &lt;ll&gt; passa a identificar a palatal lateral de modo estável, mas isso não tem paralelo no que acontece para a nasal palatal. Neste caso, a situação dominante continua a ser, nesse período, a falta de oposição gráfica a respeito da nasal alveolar pelo recurso indiscriminado a &lt;n&gt;. Como foi exposto, em 1270B, a diferenciação surge apenas nos termos <italic>manháá</italic> e <italic>viñas</italic>. A presença de &lt;nh&gt; nessa escritura constitui o prenúncio daquilo com que deparamos nas cartas de 1279 e 1283A. É nelas sistemática a adoção de &lt;lh&gt; e &lt;nh&gt; para os fonemas de articulação palatal, criando uma oposição gráfica nítida com os alveolares correspondentes<xref ref-type="fn" rid="fn374"><sup>182</sup></xref>. Essa regularidade só será retomada em 1283B no caso da lateral (<italic>conselho</italic>), porquanto a nasal é grafada com &lt;n&gt; nos dois termos que a continham: <italic>conoscan</italic> e <italic>senor</italic><sub>2</sub>.</p>
<p>No tocante ao uso de &lt;y&gt;, ele aparece como segundo elemento de sequências vocálicas que, na maior parte dos casos, constituem ditongos ou hiatos (&lt;ay&gt;, &lt;ãy&gt;, &lt;ey&gt;, &lt;oy&gt;, &lt;õy&gt;, &lt;uy&gt;): <italic>dere<bold>y</bold>tos, de<bold>y</bold>, estrã<bold>y</bold>o, e<bold>y</bold>, fe<bold>y</bold>to, fo<bold>y</bold>, ma<bold>y</bold>s, mu<bold>y</bold>to, pe<bold>y</bold>te, possu<bold>y</bold>an, po<bold>y</bold>s, pregunte<bold>y</bold>, raçõe<bold>y</bold>ro, re<bold>y</bold>, ribe<bold>y</bold>ra, sa<bold>y</bold>r</italic>, <italic>testemõ<bold>y</bold>o</italic>, <italic>viga<bold>y</bold>ro</italic>. Está ainda presente na única ocorrência do pronome adverbial <italic>h<bold>y</bold></italic>. Naquela situação gráfica, apenas falta em <italic>fui</italic>, P1 do pretérito perfeito do verbo “ser”, e no total das nove ocorrências do topónimo <italic>Coimbra</italic>. Na restante produção do notário, encontramos essa letra em contextos parcialmente diversos (<italic>Avoym</italic>, <italic>dayam</italic>, <italic>Juyães</italic> [1279]), também como vogal nasal (<italic>moỹos</italic> [1283A]), mas volta a ser omitida em <italic>fui</italic> (1270A) e nas dezanove menções da cidade do Mondego. Trata-se de uma interessante evidência relativa à difusão lexical do &lt;y&gt; que remete para a sobrevivência de uma conceção (ainda) logográfica da escrita<xref ref-type="fn" rid="fn375"><sup>183</sup></xref>.</p>
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<title>4. Conclusão</title>
<p>Apesar de reunidas por uma motivação circunstancial, as escrituras publicadas e examinadas neste artigo permitem, em essência, reconhecer os modos e os tempos que levaram à constituição, no âmbito da documentação instrumental portuguesa, de uma tradição discursiva jurídica em romance, quer do ponto de vista diplomático, quer na configuração do seu veículo scriptolinguístico. A <italic>Esquisa</italic> representa aquela primeira fase, até ca. 1245-1255, em que a documentação dispositiva se mostra refratária ao romanceamento, surgindo apenas textos classificáveis como “escritos em português” no caso de práticas comunicativas não sujeitas (necessariamente) aos formulários em latino-romance. Essa limitação diplomática, ultrapassada precocemente na <italic>Doação de Gondiães</italic>, desaparece paulatinamente na segunda metade do século, altura em que encontramos documentos tipicamente dispositivos, como as compra-vendas, em galego-português. Os três diplomas situáveis nesse período cronológico refletem essa fase expansiva, nomeadamente os produzidos em 1268 e 1270. O <italic>Relatório</italic> económico lavrado para Rui Garcia de Paiva constitui um exemplo singular de penetração do romance num campo praticamente desconhecido para a dimensão em análise.</p>
<p>Relativamente à elaboração do código escrito, observamos um processo de autonomização a respeito do tradicional latino, com o qual os três primeiros ainda mantêm uma variável relação de heteronomia. Essa independência vai-se traduzir num padrão de <italic>scripta</italic> mais transparente e isomorfo na representação da língua falada, que, como modelo padrão para o conjunto da Idade Média, aparece quase colmatado na <italic>Doação</italic> que lavra Gil Vicente em 1270. Quanto ao contrato económico entre o conselheiro régio e a Ordem de Santiago, ele coloca-nos ante uma questão de notável interesse nas duas vertentes abordadas: a de até que ponto o exemplo do castelhano orientou a habilitação diplomática plena do português como língua escrita e foi modelo para a reconfiguração do sistema gráfico que observamos na segunda metade do século.</p>
</sec>
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<title>Bibliografia</title>
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<mixed-citation publication-type="book"><sc>Afonso</sc>, Marta. 2013. Considerações scriptológicas em torno de um pequeno corpus notarial medieval. Em <italic>XXIX Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística. Textos selecionados</italic>, Coimbra: <sc>apl</sc>, 41-58.</mixed-citation>
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<surname>Afonso</surname>
<given-names>Marta</given-names>
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<source>XXIX Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística. Textos selecionados</source>
<year>2013</year>
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<lpage>58</lpage>
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<chapter-title>Considerações scriptológicas em torno de um pequeno corpus notarial medieval</chapter-title>
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<surname>Souto Cabo</surname>
<given-names>José António</given-names>
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<source>Documentos galego-portugueses dos séculos xii e xiii</source>
<year>2008</year>
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<publisher-name>Universidade da Coruña</publisher-name>
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<comment>(monografia 5 da Revista Galega de Filoloxía) (= dgp)</comment>
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<mixed-citation publication-type="journal"><sc>Souto Cabo</sc>, José António. 2011. A cessão do mosteiro de Armeses à condessa D.ª Sancha Fernandes (1222). Intersecções escriturais no primeiro documento romance da Galiza. <italic>Revista Galega de Filoloxía</italic> 12, 217-243. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.17979/rgf.2011.12.0.3858">https://doi.org/10.17979/rgf.2011.12.0.3858</ext-link>
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<surname>Souto Cabo</surname>
<given-names>José António</given-names>
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<article-title>A cessão do mosteiro de Armeses à condessa D.ª Sancha Fernandes (1222). Intersecções escriturais no primeiro documento romance da Galiza</article-title>
<source>Revista Galega de Filoloxía</source>
<year>2011</year>
<volume>12</volume>
<fpage>217</fpage>
<lpage>243</lpage>
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<pub-id pub-id-type="doi">10.17979/rgf.2011.12.0.3858</pub-id>
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<mixed-citation publication-type="book"><sc>Souto Cabo</sc>, José António. 2012. <italic>In capella domini regis in Ulixbona</italic> e outras nótulas trovadorescas. Em Antonia Martínez Pérez e Ana Luisa Baquero Escudero (eds.), <italic>Estudios de literatura medieval: 25 años de la Asociación Hispánica de Literatura Medieval</italic>, Murcia: Universidad de Murcia, 879-888. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ahlm.es/IndicesActas/Murcia2012.htm">https://www.ahlm.es/IndicesActas/Murcia2012.htm</ext-link> [23/05/2021].</mixed-citation>
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<surname>Souto Cabo</surname>
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<surname>Martínez Pérez</surname>
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<surname>Baquero Escudero</surname>
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<source>Estudios de literatura medieval: 25 años de la Asociación Hispánica de Literatura Medieval</source>
<year>2012</year>
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<publisher-name>Universidad de Murcia</publisher-name>
<chapter-title>In capella domini regis in Ulixbona e outras nótulas trovadorescas</chapter-title>
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<mixed-citation publication-type="book"><sc>Souto Cabo</sc>, José António. 2014. Os primeiros escritos em galego-português: revisão e balanço. Em Leticia Eirín García e Xoán López Viñas (eds.), <italic>Lingua, texto, diacronía. Estudos de lingüística histórica</italic>, Corunha: Universidade da Coruña (Monografía 9 da <italic>Revista Galega de Filoloxía</italic>), 369-393. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://illa.udc.gal/rgf/monografias/pdf/mon_9.pdf">https://illa.udc.gal/rgf/monografias/pdf/mon_9.pdf</ext-link> [23/05/2021]</mixed-citation>
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<surname>Souto Cabo</surname>
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<source>Lingua, texto, diacronía. Estudos de lingüística histórica</source>
<year>2014</year>
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<lpage>393</lpage>
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<publisher-name>Universidade da Coruña</publisher-name>
<chapter-title>Os primeiros escritos em galego-português: revisão e balanço</chapter-title>
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<comment>Monografía 9 da Revista Galega de Filoloxía</comment>
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<mixed-citation publication-type="book"><sc>Souto Cabo</sc>, José António (coord.). 2017. <italic>Primeiros textos em português. Cantigas trovadorescas, prosa literária e documentação instrumental</italic>, Lisboa: Círculo de Leitores (Vol. 1 de <italic>Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa</italic>, dirigido por J. E. Franco e C. Fiolhais).</mixed-citation>
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<surname>Souto Cabo</surname>
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<source>Primeiros textos em português. Cantigas trovadorescas, prosa literária e documentação instrumental</source>
<year>2017</year>
<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
<publisher-name>Círculo de Leitores</publisher-name>
<comment>Vol. 1 de Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa, dirigido por J. E. Franco e C. Fiolhais</comment>
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<mixed-citation publication-type="book"><sc>ucantigas = Ferreiro</sc>, Manuel (dir.). 2014–. <italic>Universo Cantigas. Edición crítica da poesía medieval galego-portuguesa</italic>, Universidade da Coruña. &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://universocantigas.gal">http://universocantigas.gal</ext-link>&gt; [23/05/2021] </mixed-citation>
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<collab>ucantigas</collab>
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<surname>Ferreiro</surname>
<given-names>Manuel</given-names>
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<source>Universo Cantigas. Edición crítica da poesía medieval galego-portuguesa</source>
<year>2014</year>
<publisher-name>Universidade da Coruña</publisher-name>
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<mixed-citation publication-type="book"><sc>Vasconcellos</sc>, José Leite de. 1970 [1901]. <italic>Esquisse d’une dialectologie portugaise</italic>, Lisboa: Centro de Estudos Filológicos.</mixed-citation>
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<surname>Vasconcellos</surname>
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<source>Esquisse d’une dialectologie portugaise</source>
<year>1970</year>
<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
<publisher-name>Centro de Estudos Filológicos</publisher-name>
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<mixed-citation publication-type="thesis"><sc>Ventura</sc>, Leontina. 1992. <italic>A nobreza de corte de Afonso III</italic> [dissertação de doutoramento], Coimbra: Universidade de Coimbra, 2 vols.</mixed-citation>
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<surname>Ventura</surname>
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<source>A nobreza de corte de Afonso III</source>
<year>1992</year>
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<comment content-type="degree">dissertação de doutoramento</comment>
<comment>2 vols</comment>
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<mixed-citation publication-type="book"><sc>Viterbo</sc>, Joaquim de Santa Rosa de. 1865. <italic>Palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram</italic>, Lisboa: Editor A. J. Fernandes Lopes, 2 vols.</mixed-citation>
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<surname>Viterbo</surname>
<given-names>Joaquim de Santa Rosa de</given-names>
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<source>Palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram</source>
<year>1865</year>
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<publisher-name>Editor A. J. Fernandes Lopes</publisher-name>
<comment>2 vols</comment>
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<title>Notas</title>
<fn id="fn192" fn-type="other">
<label>*</label>
<p>O título provém da <italic>directio</italic> com que começa o documento D3A. O trabalho contou com o apoio dos projetos PTDC/LLTEGL/30984/2017 (PT) e PID2019-108910GB-C22 (ES). Quero expressar a minha gratidão àqueles que, com a sua ajuda ou sugestões, contribuíram para a elaboração deste artigo. Em concreto, desejo citar os nomes de Aida Sampaio Lemos, Ivo Castro, João Paulo Martins Ferreira, Leontina Ventura, Maria Ana Ramos, Maria José de Azevedo Santos e Ricardo Pichel.</p>
</fn>
<fn id="fn193" fn-type="other">
<label><sup>1</sup></label>
<p>Tal recolha pretendeu ser (tendencialmente) exaustiva no caso dos escritos que temos por romances, mas com duas balizas cronológicas: 1270 para a produção portuguesa e 1260 para a galega. Aquela fase de exploração sistemática dos fundos do Arquivo Nacional da Torre do Tombo “concluiu-se” em 2005, sendo os resultados divulgados em diversos trabalhos e, como dissemos, na coletânea citada. Algumas imprecisões na organização de vários fundos, hoje em boa medida ultrapassadas, impossibilitaram durante algum tempo a localização dos diplomas agora editados.</p>
</fn>
<fn id="fn194" fn-type="other">
<label><sup>2</sup></label>
<p>O núcleo documental do mosteiro de S. Simão da Junqueira no <sc>antt</sc> (m. 6, nº 31) integra um testamento sem data que <xref ref-type="bibr" rid="ref30">Emiliano e Pedro (2004: 61)</xref> situam, de modo impreciso, na “primeira metade do século <sc>xiii</sc>” e qualificam como “documento proto-português inédito”. Essa manda é transcrita e comentada no <xref ref-type="app" rid="app1">segundo apêndice</xref> deste trabalho.</p>
</fn>
<fn id="fn195" fn-type="other">
<label><sup>3</sup></label>
<p>A nossa análise envolve tópicos concretos tratados em estudos prévios da nossa responsabilidade (Souto Cabo <xref ref-type="bibr" rid="ref97">1996</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref98">2002</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref99">2003a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref100">2003b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref101">2004</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref102">2005</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref105">2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref107">2014</xref>) e, com maior ou menor incidência, em contributos doutros investigadores (Cintra <xref ref-type="bibr" rid="ref13">1963</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref14">1971</xref>; Maia <xref ref-type="bibr" rid="ref50">1986</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref51">1988</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref67">Martins e Albino 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref55">Mariño 1998</xref>; Martins <xref ref-type="bibr" rid="ref60">1999</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref63">2004</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref65">2007</xref>; Emiliano <xref ref-type="bibr" rid="ref28">2003a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref29">2003b</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref30">Emiliano e Pedro 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref11">Castro 2006</xref>; Carvalho <xref ref-type="bibr" rid="ref8">2005</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref9">2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref4">Boullón Agrelo e Monteagudo 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Afonso 2013</xref>). Porém, com o intuito de evitar prolixas referências bibliográficas, só faremos menção pontual àquelas que julgarmos imprescindíveis. Por outro lado, fica fora das nossas pretensões o confronto com outras tradições escribais não galego-portuguesas. Não podemos deixar de salientar, contudo, o interesse das recentes investigações de Marcet Rodríguez (<xref ref-type="bibr" rid="ref52">2005</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref53">2006</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref54">2011</xref>) ou de <xref ref-type="bibr" rid="ref59">Martín Aizpuru (2020)</xref>, respetivamente, para o leonês e para o castelhano da chancelaria. Lembremos, finalmente, o contributo “clássico” de <xref ref-type="bibr" rid="ref74">Menéndez Pidal (1972 [1926])</xref>, fundamental para muitas das questões examinadas.</p>
</fn>
<fn id="fn196" fn-type="other">
<label><sup>4</sup></label>
<p>De entre as quais, o destaque vai para a ocorrência da vogal oral palatal alta em posição átona final (/i/). Em concreto, a partir dos resultados presentes nos documentos em análise (exemplificados entre parênteses), considera-se a sua presença (ou alternância com /e/) nos seguintes contextos: o sufixo patronímico -ez (<italic>Fernandiz, Gonçaluiz, Perez, Suariz</italic>), o sufixo -vel (<italic>staue, stauil, estauel</italic>), a P1 dos pretéritos fortes (<italic>dissi, pusj</italic>), os clíticos de dativo (<italic>lli</italic>), a conjunção condicional “se” (<italic>se</italic> vs. “si”), o substantivo “ordem” (<italic>orden</italic> vs. “ordim”) e o pronome (arc.) “outre” (<italic>outre</italic> vs. “outri”).</p>
</fn>
<fn id="fn197" fn-type="other">
<label><sup>5</sup></label>
<p>De modo a que as diferentes secções deste trabalho não constituíssem compartimentos estanques, utilizámos com frequência as notas de rodapé como meio de estabelecer conexões entre os textos editados, sem que isso resulte na desvirtuação da especificidade de cada um deles.</p>
</fn>
<fn id="fn198" fn-type="other">
<label><sup>6</sup></label>
<p>Manteve-se <italic>nẽhũa</italic> de D5, pois não podemos excluir que a lineta sobre o &lt;e&gt; seja marca de vogal nasal, atendendo às propriedades gráficas desse escrito, o que não acontece em D4.</p>
</fn>
<fn id="fn199" fn-type="other">
<label><sup>7</sup></label>
<p>Como se sabe, sobrevivem dúvidas a respeito da evolução do lat. <sc>homine</sc>(<sc>m</sc>) e de como interpretar as variantes (gráficas) medievais. Leia-se <xref ref-type="bibr" rid="ref50">Maia (1986: 639: 640)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="ref88">Pichel Gotérrez (2012: 90-91)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn200" fn-type="other">
<label><sup>8</sup></label>
<p>O texto foi, pela primeira vez, apresentado publicamente em 27 de novembro de 2020 no <italic>V Seminário Internacional. História e Língua: Interfaces</italic> organizado pela Universidade de Évora.</p>
</fn>
<fn id="fn201" fn-type="other">
<label><sup>9</sup></label>
<p>É uma forma derivada do genitivo do antropónimo germânico <italic>Fredamirus</italic> ([<sc>villa</sc>] <sc>Fredamiri</sc>&gt; Freamir&gt; Freamil&gt; Friamil).</p>
</fn>
<fn id="fn202" fn-type="other">
<label><sup>10</sup></label>
<p>Constitui, assim, um valioso testemunho relativo à existência ocasional de inquirições alguns decénios antes de se ter tornado, a partir do reinado de Afonso II, prática sistemática por parte da monarquia. A mais antiga inquirição conhecida foi promovida pelos condes Henrique e Teresa em 1127 (<xref ref-type="bibr" rid="ref94">Ribeiro 1815, nº 1</xref>). A obra <italic>Inquirir na Idade Média</italic>, editada por <xref ref-type="bibr" rid="ref2">Andrade e Fontes (2015)</xref>, contém informação atualizada sobre o tema.</p>
</fn>
<fn id="fn203" fn-type="other">
<label><sup>11</sup></label>
<p>Embora de natureza diversa, podemos aproximar dela a <italic>Renembrancia da enquisa</italic> (ca. 1251-1258), o documento mais antigo do conjunto conhecido como <italic>Tombo das vinhas de Ribadávia</italic> (Arquivo da Catedral de Ourense), reeditado recentemente por <xref ref-type="bibr" rid="ref73">Méndez Fernández (2020)</xref>. Apesar de ter como objetivo bens situados na vila do Ávia, estamos perante um texto, sem dúvida, leonês. É, portanto, confuso o (hesitante) posicionamento da editora (<xref ref-type="bibr" rid="ref73">2020: 115</xref>) quando o chega a qualificar como “galego”. Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref103">Souto Cabo (2006: 44-45)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn204" fn-type="other">
<label><sup>12</sup></label>
<p>Supomos que em “suo uasalo” e “seu de criasiom” os possessivos estabelecem uma relação de “posse” a respeito de dona Urraca.</p>
</fn>
<fn id="fn205" fn-type="other">
<label><sup>13</sup></label>
<p>O suporte é constituído por uma tira de pergaminho irregular e encurvada (43,3/43 cm x 3,3/3 cm), talvez apara de material utilizado para elaborar um códice (<xref ref-type="bibr" rid="ref41">Guerra 2003: 92-97</xref>). É similar ao da <italic>Nómina de Pedro Viegas</italic> (<sc>antt</sc>, Most. de
Pendorada, m. 12, nº 3; <xref ref-type="bibr" rid="ref99">Souto Cabo 2003a: 379</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn206" fn-type="other">
<label><sup>14</sup></label>
<p><sc>antt</sc>, Most. de Arouca, gav. 6, m. 2, nº 34 [1291]. Na escritura pela qual a abadessa de Arouca autoriza essa permuta, o conjunto de casais é identificado como “erdade que est em terra de Pavha na freyguesia de Santa Maria de Rial” (<sc>antt</sc>, Most. de Arouca, gav. 6, m. 1, nº 16). Nas <italic>Inquirições de 1258</italic>, citam-se aqueles dois casais e um terreno na margem do rio Sardoura: “De Freamil. Gunsalvus Pelagii juratus et interrogatus dixit, quod in villa de Freamil habet Dominus Rex duo casalia regalenga [...]. Et addit, quod Dominus Rex habet in termino Freamil unam pezam de regalengo in ripa de Sardoyra” (<xref ref-type="bibr" rid="ref43"><italic>Inq</italic>. 972</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn207" fn-type="other">
<label><sup>15</sup></label>
<p><sc>antt</sc>, Most. de Tarouquela, m. 5, nº 34. Foi publicado por <xref ref-type="bibr" rid="ref60">Martins (1999: 519)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="ref84">Pedro (2013: 235-236)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn208" fn-type="other">
<label><sup>16</sup></label>
<p>De acordo com esse escrito, Paio Soares de Paiva (1171-1177) tinha propriedades em Sobrado (Castelo de Paiva), Sardoura (Castelo de Paiva) e Manhuncelos (Marco de Canaveses), portanto, no mesmo quadro geográfico em que se encontra Friamil. Entre os credores, surge Múnio Viegas da linhagem dos Ortigosa (“Monio Venegas de Ortigosa”), cujo solar ―Ortigosa (Travanca, Cinfães)― dista apenas 6,5 km de Friamil. Pelo conteúdo de um documento de 1146 (<sc>antt</sc>, Most. de Rio Tinto, m. 2, nº 10; <xref ref-type="bibr" rid="ref60">Martins 1999: 516-517</xref>), sabemos que Soeiro Pais Mouro, pai de Paio Soares, tinha dado à mulher (Urraca Mendes) posses “in terra de Pavia” situadas em Gondim (Sobrado, Castelo de Paiva), Gião (Sobrado, Castelo de Paiva), Rial (Castelo de Paiva), etc.</p>
</fn>
<fn id="fn209" fn-type="other">
<label><sup>17</sup></label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref60">Martins (1999: 519)</xref> situa-o “cerca de 1171-77”.</p>
</fn>
<fn id="fn210" fn-type="other">
<label><sup>18</sup></label>
<p>“Ego Pelagius Rial et uxor mea Elvira Petris [...] facimus kartam venditionis de hereditate nostra propria, scilicet de quanta que abemus in loco predicto in Leirea” (<sc>antt</sc>, Most. de Pendorada, m. 12, nº 7 e nº 9). <xref ref-type="bibr" rid="ref49">Machado (1993</xref>, s. v. <italic>Leiria</italic>) refere a existência de um povoado com essa denominação no Marco de Canaveses ―portanto, no mesmo concelho em que se encontra a instituição monástica―, talvez identificável com a atual rua de Leiria.</p>
</fn>
<fn id="fn211" fn-type="other">
<label><sup>19</sup></label>
<p><sc>antt</sc>, Most. de Pendorada, m. 12, nº 3. O documento foi publicado por Souto Cabo (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 14</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="ref84">Pedro (2013: 301)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn212" fn-type="other">
<label><sup>20</sup></label>
<p>Ela libertou-o dessa condição em 1164. Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref112">Viterbo (1865</xref>, s. v. <italic>carta</italic>) e <xref ref-type="bibr" rid="ref33">Fernandes (1985: 81)</xref>. O escrito regista diversos topónimos dessa mesma zona, como Bairros (Castelo de Paiva), Ortigosa (Travanca, Cinfães), Quintã (Fornelos, Cinfães), Guimbra (Moimenta, Cinfães), Ervilhais (Nespereira, Cinfães).</p>
</fn>
<fn id="fn213" fn-type="other">
<label><sup>21</sup></label>
<p><sc>antt</sc>, Most. de Arouca, gav. 3, m. 9, nº 8. Pela riqueza lexical e toponímica, estamos perante uma das notícias-relação mais interessantes daquelas que se conhecem.</p>
</fn>
<fn id="fn214" fn-type="other">
<label><sup>22</sup></label>
<p>Dado que no testamento de Urraca Viegas, ordenado em outubro de 1199 (<xref ref-type="bibr" rid="ref18">Coelho 1988, nº 171</xref>), não se especifica o seu património ―só o modo como deverá ser dividido―, supomos que esse elenco lhe terá antecedido. A essa mesma conclusão conduz uma escritura de 1199 (<sc>antt</sc>, Most. de Pedroso, m. 4, nº 34) em que Urraca vende um casal em Pindelo nele citado.</p>
</fn>
<fn id="fn215" fn-type="other">
<label><sup>23</sup></label>
<p>A área situa-se no sul do concelho de Penafiel e é limítrofe com o município de Castelo de Paiva.</p>
</fn>
<fn id="fn216" fn-type="other">
<label><sup>24</sup></label>
<p>Apesar das dúvidas que poderia levantar a ausência do apelido toponímico (<italic>Sequeiroo</italic>), isso não parece motivo suficiente para renuir o reconhecimento proposto. Menos segura é a identificação com o homónimo que, em 1195, testemunha a compra-venda de uma herdade em Mesão Frio (Valpedre, Penafiel) (<sc>antt</sc>, Most. de Pendorada, m. 12, nº 27). As <italic>Inquirições de 1258</italic> conservam a memória de um Paio Mouro que tinha morado em Vila Boa (Tendais, Cinfães): “Pelagius Maurus villanus morabatur in ipso loco, et vendidit ipsum locum Martino Menendi patri illorum militum” (<xref ref-type="bibr" rid="ref43"><italic>Inq</italic>. 984</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn217" fn-type="other">
<label><sup>25</sup></label>
<p>Como nota <xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura (1992: 291)</xref>, o rico-homem podia proceder a efetuar inquirições.</p>
</fn>
<fn id="fn218" fn-type="other">
<label><sup>26</sup></label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura (1992: 997)</xref> identifica, para esse encargo, as denominações (latinas) de “<italic>potestas, princeps, dominus terre, ricus homo ou tenens</italic>”.</p>
</fn>
<fn id="fn219" fn-type="other">
<label><sup>27</sup></label>
<p>Não conhecemos tenentes privativos para essa <italic>terra</italic> entre 1146 e 1241 (<xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura 1992: 1037</xref>). Embora limitada à área de Arouca, veja-se a aproximação à história da administração territorial oferecida por <xref ref-type="bibr" rid="ref18">Coelho (1988: 9-20)</xref>. A integração da área no território de Lamego aparece de modo recorrente (<xref ref-type="bibr" rid="ref18">Coelho 1988: 244, 265, 276, 287, 290, 295, 299, 313, 326, 329</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn220" fn-type="other">
<label><sup>28</sup></label>
<p>No escrito de Pedro Viegas (cf. <italic>supra</italic>) é citado o seu colaço, cujo nome, de leitura problemática, foi interpretado como “Vermud’ Usoriz”, mas não podemos descartar, antes pelo contrário, que se trate de “Vermudu So[a]riz” de Riba Douro. Ora, se Teresa Afonso era proprietária de Pedro Viegas também o teria sido da mãe, escrava moura que terá amamentado Bermudo Soares (neto de D. Teresa), daí o tratamento de “colaço” que recebe.</p>
</fn>
<fn id="fn221" fn-type="other">
<label><sup>29</sup></label>
<p>O obituário de Salzedas (<xref ref-type="bibr" rid="ref92">Reis 2002 [1934]: 59</xref>) arrola um “Dom Vermundo”, que supomos Bermudo Soares de Riba Douro, falecido nessa data (“Era 1229. 8º. Calend. Julij”). <xref ref-type="bibr" rid="ref31">Fernandes (1981: 111)</xref> refere-se a ele, talvez por lapso, como “falecido até 1198”. O seu nome é seguido pelos dos irmãos Rodrigo e Urraca Soares (cf. <italic>infra</italic>). D. Teresa Afonso foi a fundadora do mosteiro de Salzedas (Viseu).</p>
</fn>
<fn id="fn222" fn-type="other">
<label><sup>30</sup></label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura (1992: 1016)</xref> aponta a existência de um Rodrigo Soares como tenente de Gouveia (1194) e da Guarda (1196) que, no segundo dos casos, é apelidado “de Valadares”.</p>
</fn>
<fn id="fn223" fn-type="other">
<label><sup>31</sup></label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref90">Pizarro (1997/1: 451, 1997/3: 4.6)</xref> inclui-o no esquema genealógico dos Riba Douro a partir das indicações de <xref ref-type="bibr" rid="ref31">Fernandes (1981: 110-111)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn224" fn-type="other">
<label><sup>32</sup></label>
<p>O exercício do cargo de tenente por parte de uma pessoa concreta era amiúde intermitente e podia ficar limitado a períodos muito curtos. O carácter lacunar dos dados que, a esse respeito, lemos nas fontes históricas, aliado às circunstâncias anteriores, faz com que não seja fácil preencher com um nome os períodos de silêncio documental; isto mesmo quando, aparentemente, poderíamos deduzir continuidade no cargo.</p>
</fn>
<fn id="fn225" fn-type="other">
<label><sup>33</sup></label>
<p>Lembremos que, até ao terceiro quartel do séc. <sc>xii</sc>, o termo “vassalo” designava apenas “indivíduos pertencentes à clientela armada de reis ou nobres e a eles ligados por compromissos de fidelidade pessoal” segundo lembra <xref ref-type="bibr" rid="ref69">Mattoso (1982: 41)</xref> a partir de H. Grassoti.</p>
</fn>
<fn id="fn226" fn-type="other">
<label><sup>34</sup></label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref32">Fernandes (1982: 414-415)</xref> considera que morreu em 1218, com base na informação indireta que temos sobre a documentação do (desaparecido) <italic>Livro das doações de Salzeda</italic>. Porém, numa bula de 1211 (<xref ref-type="bibr" rid="ref22">Costa e Marques 1989, nº 166</xref>), o papa Inocêncio III, a propósito dos bens da infanta Mafalda, fala de “hereditates quas ei nobilis mulier Urraca Egee nomine, que nutrivit eandem et adoptavit in filiam, hereditario sibi jure concessit, sicut ea juste ec pacifice possidet”, do qual se poderia deduzir que Urraca Viegas já falecera nessa altura. De facto, o último diploma original em que ela é mencionada data de 1201 (<xref ref-type="bibr" rid="ref18">Coelho 1988, nº 175</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn227" fn-type="other">
<label><sup>35</sup></label>
<p>A participação de Paio Mouro na <italic>Esquisa</italic> depõe a favor da identificação com Urraca Viegas, já que um indivíduo desse nome poderá ter sido arrendatário de D. Urraca (cf. <italic>supra</italic>).</p>
</fn>
<fn id="fn228" fn-type="other">
<label><sup>36</sup></label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref90">Pizarro (1997/1: 446)</xref> nota a apetência “pelo controle de um considerável número de mosteiros ―Paço de Sousa, Tuías, Vila Boa do Bispo, Pendorada, Arouca, Cárquere, Tarouca, e Salzedas―, estrategicamente situados junto aos afluentes do Douro, tanto na margem Norte
como na margem Sul [...]. A sua localização acaba por nos dar uma imagem da área geográfica de implantação dos de Riba Douro”. Veja-se também a descrição
das propriedades de diferentes membros da linhagem feita por Mattoso (<xref ref-type="bibr" rid="ref68">1981: 192-199</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref70">1985/2: 226 [“Domínios de Egas Moniz”]</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn229" fn-type="other">
<label><sup>37</sup></label>
<p>Ela foi “a mais benemérita doadora da sua época, cumulando a congregação com numerosos e avultados bens do seu património” (<xref ref-type="bibr" rid="ref18">Coelho 1988: 38</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn230" fn-type="other">
<label><sup>38</sup></label>
<p>“coram Egas Moniz et coniuge sua domna Tarasia in uilla Cresconii asistentes” (<xref ref-type="bibr" rid="ref18">Coelho 1988, nº 65 [1133]</xref>), “ante presentiam Egee Moniiz et uxoris eius domne Tarasie [...] in uilla Cresconii” (<xref ref-type="bibr" rid="ref18">Coelho 1988, nº 83 [1144]</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn231" fn-type="other">
<label><sup>39</sup></label>
<p>As propriedades nessa área ainda se estendiam, em direção nordeste, por Cidadelhe, Painçais (Cinfães, Cinfães) e Souto (Nogueira, Cinfães). Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref32">Fernandes (1982: 117)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="ref18">Coelho (1988, nº 130, 131)</xref>. A última localização surge na <italic>Notícia</italic> acima citada: “In Píídelo: casal de Quintana”.</p>
</fn>
<fn id="fn232" fn-type="other">
<label><sup>40</sup></label>
<p>“mando medietatem alumpne mee regine domne Maphalde quam recepi loco filie” (<xref ref-type="bibr" rid="ref18">Coelho 1988, nº 171 [1199]</xref>). Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura (1992: 241-249, 559-562)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn233" fn-type="other">
<label><sup>41</sup></label>
<p>Mordomo-mor de D. Teresa (1112) e tenente de Vermoim (1128-1146), Penafiel de Bastuço e Refoios de Riba de Ave (1146).</p>
</fn>
<fn id="fn234" fn-type="other">
<label><sup>42</sup></label>
<p>Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref31">Fernandes (1981: 359)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="ref70">Mattoso (1985/1: 157)</xref>, que situa os últimos registos em “1180 ou 1182”. Ele foi mordomo-mor entre 1169 e 1172. O facto de D. Urraca não aparecer como mulher desse último nem ter ostentado o título de condessa induz a considerar uma provável anulação do enlace por motivos de consanguinidade. A mãe do marido, Teresa Mendes de Riba Douro, era prima-irmã de D. Urraca, enquanto filha de Mem Moniz, um irmão de Egas Moniz.</p>
</fn>
<fn id="fn235" fn-type="other">
<label><sup>43</sup></label>
<p>Pelo conteúdo do seu testamento (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 280</xref>), sabemos que Fruilhe Rodrigues de Pereira
possuía uma herdade em Friamil (“Mando a Fernan Gunchaviz hereditate que habeo in Freamir”). Ora, D. Fruilhe esteve relacionada familiarmente com Urraca Viegas por duas vias. Por um lado, Rui Gonçalves, pai de D. Fruilhe, foi enteado de D. Urraca, enquanto filho de Gonçalo Rodrigues de Pereira e da sua primeira mulher, Fruilhe Afonso de Cela Nova. Por outro, esta última foi prima de Vasco Sanches de Cela Nova, o segundo marido de D. Urraca. Qualquer destes vínculos poderia constituir uma via para explicar a coincidência espacial com a herdade que (ilicitamente?) possuía Urraca Viegas.</p>
</fn>
<fn id="fn236" fn-type="other">
<label><sup>44</sup></label>
<p>De acordo com o conteúdo de duas doações de D. Urraca ao mosteiro de Salzedas, Gonçalo e Fernando faleceram, respetivamente, em 1185 e 1198 (<xref ref-type="bibr" rid="ref31">Fernandes 1981: 358-360)</xref>. Num documento de 1224, encontramos um Pedro Fernandes que se declara filho de Fernando Álvares, neto de D. Gonçalo Gonçalves e bisneto de D. Gonçalo Rodrigues (<xref ref-type="bibr" rid="ref18">Coelho 1988, nº 237</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn237" fn-type="other">
<label><sup>45</sup></label>
<p>Para além de várias filhas de identidade desconhecida, ela teve outro filho, Gonçalo Vasques, falecido ―talvez junto com o irmão― na batalha de Ervas Tenras (1198?). No seu testamento, D. Urraca cita unicamente as filhas de Rodrigo Vasques: “filiabus filii mei domni Roderici Valasquiz” (<xref ref-type="bibr" rid="ref18">Coelho 1988: 171</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn238" fn-type="other">
<label><sup>46</sup></label>
<p>O envolvimento dos sobrinhos de D. Urraca poderá ser o reflexo de algum tipo de conflito de interesses no seio da própria linhagem, circunstância que subjaz à existência de outros textos, como o <italic>Pacto entre Gomes Pais e Ramiro Pais ou a Notícia de Torto</italic>.</p>
</fn>
<fn id="fn239" fn-type="other">
<label><sup>47</sup></label>
<p>D. Elvira contava, entre outras, com propriedades nas freguesias de Canelas, Sebolido e Eja no concelho de Penafiel, portanto, numa área contígua ao município de Castelo de Paiva (<xref ref-type="bibr" rid="ref31">Fernandes 1981: 114-116</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn240" fn-type="other">
<label><sup>48</sup></label>
<p>Sobre ele e o seu grupo familiar, leia-se Mattoso (<xref ref-type="bibr" rid="ref68">1981: 216-217</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref69">1982: 53-54</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref70">1985/1: 178</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="ref90">Pizarro (1997/1: 253-259)</xref> ou Ferreira (<xref ref-type="bibr" rid="ref35">2009: 120-135</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref36">2019: 188, 191-192, 718 e n. 3192</xref>). São várias as formas que adota o sobrenome nas Inquirições: <italic>Jaguum</italic>, <italic>Jaimi</italic>, <italic>Jaimim</italic>, <italic>Jami</italic>, etc. (<xref ref-type="bibr" rid="ref90">Pizarro 1997/1: 257, n. 32</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn241" fn-type="other">
<label><sup>49</sup></label>
<p>Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura (1992: 1000, 1003, 1020, 1032, 1034, 1036)</xref>. Relativamente à tenência de Valença (ou Froião), só sabemos que ela foi exercida em data e período indeterminados do reinado de Sancho I (1185-1211) com base num dado contido em <italic>Inq</italic>. 365: “[...] del rey Don Sancho I [...] et en aquel tempo tenia a terra don Martinus Petri, filo de Petro Pelaiz alferaz”. Supomos que, com lapso no segundo numeral, talvez tenha sido isso o que tencionava indicar <xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura (1992: 1034)</xref> quando aponta o período de “[1185-1215]”. Esse dado foi, por sua vez, objeto de interpretação imprecisa por <xref ref-type="bibr" rid="ref90">Pizarro (1997/1: 257)</xref>, que lhe atribui a função de tenente desde 1185.</p>
</fn>
<fn id="fn242" fn-type="other">
<label><sup>50</sup></label>
<p>Contudo, ele mantinha o cargo de tenente de Tui em 1188 (<xref ref-type="bibr" rid="ref35">Ferreira 2009: 133</xref>). A sua presença nessa região galega, cuja tenência exerce (ao menos) desde 1180, é relacionada com o seu cunhado Gonçalo Pais de Toronho, marido de Ximena Pais da Maia.</p>
</fn>
<fn id="fn243" fn-type="other">
<label><sup>51</sup></label>
<p>Segundo os <italic>Livros de Linhagens</italic>, uma filha de Martim Peres, Guiomar Martins, foi freira no mosteiro de Arouca: “outra filha houve nome dona Guimar Martins, que foi monja de Arouca” (<xref ref-type="bibr" rid="ref45"><italic>LV</italic> 1BD10</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn244" fn-type="other">
<label><sup>52</sup></label>
<p>Sobre as características da carolina e da carolino-gótica, veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref96">Santos (1994: 166-187)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn245" fn-type="other">
<label><sup>53</sup></label>
<p>A documentação associada a pesquisas de diverso tipo foi especialmente permeável ao romance (<xref ref-type="bibr" rid="ref78">Monteagudo 2007: 276</xref>; Pichel Gotérrez <xref ref-type="bibr" rid="ref86">2007</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref87">2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref107">Souto Cabo 2014: 374</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn246" fn-type="other">
<label><sup>54</sup></label>
<p>Leia-se <xref ref-type="bibr" rid="ref107">Souto Cabo (2014)</xref>. Seguimos este último trabalho para todas as questões envolvidas na identificação dos primeiros escritos em galego-português.</p>
</fn>
<fn id="fn247" fn-type="other">
<label><sup>55</sup></label>
<p>Para não haver confusão com a marca das notas de rodapé, o número de ocorrências de uma determinada forma será indicado por numeral subscrito.</p>
</fn>
<fn id="fn248" fn-type="other">
<label><sup>56</sup></label>
<p>Para evitarmos uma excessiva heterogeneidade na configuração das unidades linguísticas consideradas, são reproduzidas consoante os critérios de edição aqui utilizados. Salvo que venha justificado pela natureza do aspeto em apreço, o levantamento de exemplos dos textos complementares não será necessariamente exaustivo.</p>
</fn>
<fn id="fn249" fn-type="other">
<label><sup>57</sup></label>
<p>Utilizamos as siglas <sc>act</sc> e <sc>antt</sc> para identificar, respetivamente, o Arquivo da Catedral de Toledo e, como dissemos, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo.</p>
</fn>
<fn id="fn250" fn-type="other">
<label><sup>58</sup></label>
<p>Apresentamo-los por ordem cronológica. Em meu entender, <xref ref-type="bibr" rid="ref84">Pedro (2013: 171-175)</xref> não justifica com argumentos concludentes a pretensão de antecipar a data da <italic>Notícia</italic> para “<italic>ante</italic> 1206”.</p>
</fn>
<fn id="fn251" fn-type="other">
<label><sup>59</sup></label>
<p>Também recorreremos, de modo ocasional, à <italic>Partição de Mor Martins e Durão Martins</italic> (ca. 1234-1244), à <italic>Manda de Margarida Garcia</italic> e a outros documentos do segundo terço do séc. <sc>xiii</sc>. Entre as edições de todos ou parte dos escritos citados, podemos citar as que se incluem em <xref ref-type="bibr" rid="ref11">Castro (2006)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref16">Cintra (1990)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref21">Costa (1992)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref30">Emiliano e Pedro (2004)</xref>, Martins (<xref ref-type="bibr" rid="ref60">1999</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref61">2001a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref62">2001b</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="ref67">Martins e Albino (1998)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref84">Pedro (2013)</xref> ou Souto Cabo (<xref ref-type="bibr" rid="ref99">2003a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref100">2003b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref104">2008</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref108">2017</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn252" fn-type="other">
<label><sup>60</sup></label>
<p>Trata-se de vocábulos como <italic>abate</italic><sub>3</sub>, <italic>bona, carualio, cecar</italic> (‘cegar’), <italic>Coina</italic><sub>3</sub> (top. ‘Cunha’), <italic>cun</italic><sub>15</sub>, <italic>filia, filios</italic><sub>5</sub>, <italic>fructu</italic><sub>2</sub>, <italic>ille</italic>(<italic>s</italic>)<sub>9</sub>, <italic>in</italic><sub>19</sub>, <italic>inde</italic><sub>7</sub>, <italic>ista</italic><sub>2</sub>, <italic>iste</italic>(<italic>s</italic>)<sub>2</sub>, <italic>Laurenco, Laurenzo, multas, multo, noticia</italic> (“nodiza” arc.), <italic>Petro, plecto ‘preito’, testifigo,
una</italic>, <italic>unde</italic><sub>7</sub>, <italic>uno, uices</italic> (‘vezes’), etc.</p>
</fn>
<fn id="fn253" fn-type="other">
<label><sup>61</sup></label>
<p>Entre elas, encontramos as seguintes: <italic>alia</italic><sub>5</sub> (‘outra’), <italic>casales</italic><sub>3</sub>, <italic>die</italic> (‘dia’), <italic>fice</italic> (‘vez’), <italic>hic</italic><sub>3</sub> (‘aqui’), <italic>ille</italic> (‘lhe’), <italic>ilo</italic> (‘el’ art.), <italic>illos</italic><sub>5</sub> (‘eles’), <italic>ipso</italic> (‘esse’), <italic>isto</italic> (‘este’), <italic>Laurencius, mater, pane</italic> (‘pão’), <italic>pater</italic><sub>3</sub>, <italic>Pelagio</italic><sub>2</sub>, <italic>plu</italic>s, <italic>quale</italic>(<italic>s</italic>)<sub>4</sub>, <italic>suo</italic>(s)<sub>4</sub>, <italic>super</italic><sub>5</sub>, <italic>uice</italic><sub>5</sub> (‘vez’), etc. Estamos perante “formas gráficas latinas anisomórficas relativamente às formas fonémicas portuguesas” (<xref ref-type="bibr" rid="ref29">Emiliano 2003b: 274</xref>). De acordo com os usos gráficos da <italic>Notícia</italic>, não parece que <italic>plus</italic> possa representar o arc. “chus” (‘mais’); notemos, de facto, a ocorrência de <italic>maes</italic> nesse mesmo texto. A integração de alguns termos num ou noutro grupo pode, portanto, colocar dúvidas.</p>
</fn>
<fn id="fn254" fn-type="other">
<label><sup>62</sup></label>
<p>Com independência dessa realidade, tem-se oscilado, em edições interpretativas, na representação desse elemento com maior ou menor grau de alatinamento. A identificação da <italic>Esquisa</italic> parece ser um motivo para optar pela transcrição como -<italic>unt</italic> e não por -<italic>un</italic>/-<italic>um</italic> (cf. <italic>infra</italic>).</p>
</fn>
<fn id="fn255" fn-type="other">
<label><sup>63</sup></label>
<p>Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref96">Santos (1994: 101, 137, 174, 211)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn256" fn-type="other">
<label><sup>64</sup></label>
<p>Como demonstram os usos gráficos do período (cf. <italic>infra</italic>), não há motivos para pensar que, na altura, as vogais seguidas de consoante nasal em coda fossem fonemas nasais (Souto Cabo <xref ref-type="bibr" rid="ref101">2004: 269</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref104">2008: 16</xref>). Coincidimos parcialmente, neste ponto, com a interpretação de <xref ref-type="bibr" rid="ref48">Lorenzo (1988: 295)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn257" fn-type="other">
<label><sup>65</sup></label>
<p>Prescindimos dos hagiónimos pela sua natureza particular.</p>
</fn>
<fn id="fn258" fn-type="other">
<label><sup>66</sup></label>
<p>No referente aos patronímicos, a <italic>Notícia de fiadores</italic> ―texto que não temos por escrito em romance― contrasta, de modo muito significativo, com a situação dos documentos em questão por conter maioritariamente o sufixo em -<italic>ici</italic> (<italic>Anriquici</italic><sub>2</sub>, <italic>Menendici, Moniici, Suarici</italic><sub>2</sub>), mas apenas um com a terminação romanceada em -<italic>iz</italic> (<italic>Pelaiz</italic>). Trata-se de “um traço de alatinamento importante” (<xref ref-type="bibr" rid="ref29">Emiliano 2003b: 265</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn259" fn-type="other">
<label><sup>67</sup></label>
<p>Salvo que para isso exista uma motivação concreta, nesta e nas secções posteriores, só se tomam em consideração aquelas palavras que possam ser etiquetadas, do ponto de vista scriptolinguístico, como galego-portuguesas. A consideração geral de um texto como “escrito em romance” não converte todas as unidades nele contidas em formas românicas, como se pode deduzir das análises levadas a efeito por alguns investigadores.</p>
</fn>
<fn id="fn260" fn-type="other">
<label><sup>68</sup></label>
<p>Este procedimento baseia-se nas práticas de lecto-escritura latino-romance, bem como em casos em que o estatuto e circunstância da vogal puderam induzir a elevação articulatória. Veja-se, entre outros, Souto Cabo (<xref ref-type="bibr" rid="ref97">1996: 129-132</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref101">2004: 367-368</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn261" fn-type="other">
<label><sup>69</sup></label>
<p>O resultado <italic>difindemento</italic> do exemplar de Lisboa, se não contém lapso(s) por troca gráfica, explica-se por processos de assimilação e dissimilação.</p>
</fn>
<fn id="fn262" fn-type="other">
<label><sup>70</sup></label>
<p>O único escrito dos situáveis na primeira metade (ou em meados) do séc. <sc>xiii</sc> em que se regista com profusão é a <italic>Manda de Margarida Garcia</italic>. No caso da documentação galega, essa prática surge também de modo recorrente em cartas do segundo terço do séc. <sc>xiii</sc> (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 33, 85, 197, etc.</xref>). Trata-se, contudo, de exemplos da natureza diversa, pois neles não se descobre necessariamente móbil etimográfico.</p>
</fn>
<fn id="fn263" fn-type="other">
<label><sup>71</sup></label>
<p>Ao lado de seis casos de <italic>in</italic>, este texto apresenta dois de <italic>en</italic>.</p>
</fn>
<fn id="fn264" fn-type="other">
<label><sup>72</sup></label>
<p>Na <italic>Carta da Benfeita</italic>, essa preposição surge, como <italic>in</italic>, apenas na invocação, o que dificulta o confronto com os textos
restantes.</p>
</fn>
<fn id="fn265" fn-type="other">
<label><sup>73</sup></label>
<p>Isso mesmo podemos postular relativamente aos clíticos de dativo (<sc>ci</sc>) <italic>mi</italic>, <italic>li</italic>(<italic>s</italic>) do <italic> Testamento de Afonso II</italic>, <italic>li</italic> da <italic>Notícia de haver</italic> e da <italic>Manda de D. Fruilhe</italic> e <italic>si</italic> (‘se’) que encontramos no <italic>Pacto</italic> e na <italic>Carta da Benfeita</italic>. Esta última também inclui o resultado <italic>me</italic>. Na <italic>Notícia de torto</italic>, além de <italic>si</italic>, em contexto infrequente em galego-português ―<italic>comeruntsilo</italic>, também <italic>comeruntso</italic>, <italic>comeruntsa</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="ref30">Emiliano e Pedro 2004: 58, n. 279</xref>)―, produz-se a alternância, aliás sistemática, entre <italic>li</italic><sub>33</sub> e o plural <italic>les</italic><sub>4</sub>. Observamos uma situação similar no tocante à conjunção condicional <italic>si</italic>, que surge no <italic>Pacto</italic> e no manuscrito do <sc>antt</sc> do <italic>Testamento de Afonso II</italic>, e ainda à terminação -vil (<italic>mouil</italic>[<italic>s</italic>]) e à forma <italic>ordin</italic> registadas nas duas cópias desse <italic>Testamento</italic>. Veja-se o que será dito a respeito de D2, D4 e D5.</p>
</fn>
<fn id="fn266" fn-type="other">
<label><sup>74</sup></label>
<p>“La terminación -<italic>iz</italic> es, con mucho, la más empleada de todas en los siglos <sc>ix</sc> y <sc>x</sc> [...] el paso de -<italic>iz</italic> a -<italic>ez</italic> es normal en español en sílaba final átona, por lo que resulta evidente el paso del sufijo -<italic>iz</italic> [...] a -<italic>ez</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="ref75">Menéndez Pidal e Tovar 1962: 407</xref>). Sobre esse operador sufixal, leia-se a síntese de <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Diéguez González (2000: 341-361)</xref>. Como se sabe, o nome <italic>Gomez</italic> que, com variantes, encontramos no <italic>Pacto</italic>
(<italic>Gomenze</italic> / <italic>Gomeze</italic>) e na <italic>Notícia de torto</italic> (<italic>Gomez</italic>), tem origem, função e percurso evolutivo diversos ―de facto foi também nome próprio― (<xref ref-type="bibr" rid="ref3">Boullón Agrelo 1995: 466-467</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref25">Diéguez González 2000: 296</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn267" fn-type="other">
<label><sup>75</sup></label>
<p>No manuscrito do <sc>act</sc> notamos diferenças em sentidos opostos. Assim, ao passo que acrescenta novos vocábulos com &lt;u&gt;: <italic>nun</italic><sub>6</sub> (‘não’) ―vs. <italic>non</italic><sub>8</sub>―, <italic>susu</italic><sub>10</sub> (&lt;lat. <sc>sursum</sc>) (exclusiva), <italic>u</italic>(<italic>s</italic>)<sub>11</sub> (art. e pron.) ―vs. <italic>o</italic>(<italic>s</italic>)<sub>39</sub>―, aquela letra é substituída por  &lt;o&gt; em <italic>foron, manos</italic> e <italic>Porto</italic><sub>3</sub>. Cumpre notar que as formas <italic>u</italic>(<italic>s</italic>) se concentram apenas em seis linhas (num total de trinta e sete) e são agrupáveis em três sequências da parte central do documento: (i) 12<sub>1</sub>, 13<sub>5</sub>; (ii) 19<sub>1</sub>, 21<sub>2</sub>; (iii) 28<sub>1</sub>, 30<sub>1</sub>. Isto coloca alguns obstáculos para pensar que a variação gráfica &lt;o&gt;/&lt;u&gt; possa vir determinada foneticamente, como fora sugerido por Martins (<xref ref-type="bibr" rid="ref64">2006</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref65">2007: 174-177</xref>). Por conseguinte, só é possível constatar que o uso de &lt;-u&gt;, em <italic>susu</italic> e <italic>u</italic>(<italic>s</italic>), está sujeito a fatores lexicais (e locativos), o que vem ao encontro da oportuna observação que fazia <xref ref-type="bibr" rid="ref11">Castro (2006: 102)</xref> sobre as sibilantes: “parece
haver um vínculo entre cada solução gráfica e certos vocábulos, o que sugere uma aprendizagem logográfica da escrita por unidades lexicais”.</p>
</fn>
<fn id="fn268" fn-type="other">
<label><sup>76</sup></label>
<p>Entre os documentos do período, a <italic>Carta da Benfeita</italic> e a <italic>Manda de D. Fruilhe</italic> são aqueles que contêm um número mais significativo de exemplos, não apenas nessa posição: <italic>Bilidu, cumu, du, Padruzelus</italic> (top. ‘Parrozelos’), <italic>Redundu, seixu; almuzala</italic> (“almoçala”, ‘almocela’), <italic>chumazu, cuiru</italic> (arc. “coiro”), <italic>cuzudra</italic> (“côçodra”, ‘côcedra’), <italic>Fernandu, Furnelos, Gunzauiz, Ramiru, Ribeiru, Sueiru, u</italic> (art. ‘o’), <italic>urachun</italic> (cf. <italic>infra</italic>). Pelo contrário, no <italic>Pacto</italic>, só aparece como vogal final de duas das quatro ocorrências do antropónimo <italic>Ramiru</italic> e para o ditongo [oj] na variante <italic>mormuiral</italic> (a par de <italic>mormoiral</italic>). De modo similar ao que acontecia no caso de &lt;i&gt;, a <italic>Manda de Margarida Garcia</italic> apresenta, quase sem exceção<italic>, </italic>&lt;u&gt;<italic/> em qualquer posição (<italic>curpu, Furnelus, gafus, leisu, maridu, pudirusu, tudu,</italic> etc.).</p>
</fn>
<fn id="fn269" fn-type="other">
<label><sup>77</sup></label>
<p>O &lt;u&gt; final de <italic>Vermúú</italic> (&lt;Vermuo &lt;<sc>beremūdu</sc>) reflete atração da átona final pela tónica, por isso, é uma forma real em /-u/, com evolução similar à de <sc>nūdu</sc>&gt; nuu&gt; nu.</p>
</fn>
<fn id="fn270" fn-type="other">
<label><sup>78</sup></label>
<p>Note-se que, no caso do possessivo, estamos perante um ditongo com vogal aberta ([ɛw]). Como vimos, também conhece a variante alatinada <italic>suo</italic>(<italic>s</italic>)<sub>2</sub>.</p>
</fn>
<fn id="fn271" fn-type="other">
<label><sup>79</sup></label>
<p>Como foi indicado, não tomamos em consideração <italic>fuit</italic> e <italic>notuit</italic> por serem interpretáveis apenas como formas latinas.</p>
</fn>
<fn id="fn272" fn-type="other">
<label><sup>80</sup></label>
<p>O mesmo podemos dizer da representação de [oj] e [uj]: <italic>mormoiral</italic>, <italic>mormuiral</italic>, etc. (cf. <italic>supra</italic>).</p>
</fn>
<fn id="fn273" fn-type="other">
<label><sup>81</sup></label>
<p>É especialmente frequente na <italic>Notícia de torto</italic>: <italic>beiso</italic> (‘beijou’?), <italic>getarunt</italic> (vb. arc. “jeitar”), <italic>lexaren</italic>; <italic>desunro</italic> (‘desonrou’), <italic>fio</italic> (‘fiou’), <italic>mando</italic> (‘mandou’), <italic>otra</italic>(<italic>s</italic>)<sub>4</sub>, <italic>otro</italic>(<italic>s</italic>)<sub>3</sub>, <italic>oue</italic><sub>6</sub> (‘houve’), etc. Na <italic>Notícia de haver</italic> aparece exclusivamente em <italic>pexotas</italic> (‘peixotas’), o que sugere absorção da semivogal pela fricativa palatal surda. Estes dois últimos
textos também utilizam &lt;au&gt; em nomes com esse ditongo em latim: <italic>Mauro</italic> (<italic>Notícia de haver</italic>), <italic>Laurecdo, Laurenzo</italic> (<italic>Notícia de torto</italic>), etc.</p>
</fn>
<fn id="fn274" fn-type="other">
<label><sup>82</sup></label>
<p>Na <italic>Notícia de aver</italic> registamos a alternância -<italic>eo</italic> / -<italic>eu</italic> para a terminação da P3 do pretérito perfeito dos verbos da CII: <italic>meteo</italic><sub>2</sub>, <italic>uendeo, uendeu </italic>―mas pron. poss. <italic>seu</italic>.</p>
</fn>
<fn id="fn275" fn-type="other">
<label><sup>83</sup></label>
<p>A interpretação como “bênção” ―e não como “beijo”―, proposta por <xref ref-type="bibr" rid="ref30">Emiliano e Pedro (2004: 61)</xref>, confronta-se com a falta de uma sílaba (arc. “bẽeçom” / “bẽeiçom”) e, pelo menos, com a omissão da nasal final.</p>
</fn>
<fn id="fn276" fn-type="other">
<label><sup>84</sup></label>
<p>Também surge &lt;uc&gt;  para [uj] em <italic>fructu</italic><sub>2</sub>. Pelas mesmas motivações etimográficas, é representado como &lt;ul&gt; em <italic>multas</italic><sub>2</sub>, multo.</p>
</fn>
<fn id="fn277" fn-type="other">
<label><sup>85</sup></label>
<p>Neste exemplar, registamos ainda um caso isolado de &lt;uc&gt; para [uj]: <italic>luctosas</italic>.</p>
</fn>
<fn id="fn278" fn-type="other">
<label><sup>86</sup></label>
<p>Contém também a forma <italic>beio</italic> (‘beijo’) ―a par de <italic>beyio</italic>― em que, se não é lapso, o &lt;i&gt; parece reunir o valor da semivogal e da fricativa palatal.</p>
</fn>
<fn id="fn279" fn-type="other">
<label><sup>87</sup></label>
<p>Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref49">Machado (1993</xref>, s. v. <italic>Soeiro</italic>) e os dados do <sc>cgpa</sc> sobre <italic>Suero</italic> e <italic>Suer</italic>. Além dos citados, encontramos <italic>Suero</italic> ―também <italic>Sueiro</italic>― na <italic>Partição de Mor Martins e Durão Martins</italic> (ca. 1235-1244) e <italic>Suer</italic> num documento de 1267 copiado no <italic>Livro de João de Portel</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 282, 333</xref>). As mesmas variantes surgem em escrituras galegas (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 4 [1238], 38 [1247], 128 [1260], 151 [1261]</xref>). Na documentação latina dos sécs. <sc>xi</sc>-<sc>xiii</sc> registamos <italic>Suer, Suerus</italic> e <italic>Suero</italic> (<sc><xref ref-type="bibr" rid="ref17">codolga</xref></sc>).</p>
</fn>
<fn id="fn280" fn-type="other">
<label><sup>88</sup></label>
<p>Anteriormente, era apenas um modo de substituir &lt;n&gt; ou &lt;m&gt;.</p>
</fn>
<fn id="fn281" fn-type="other">
<label><sup>89</sup></label>
<p>Não podemos excluir que, nalguns casos, o &lt;n&gt; já esteja a representar uma nasal palatal. Esta observação é válida para todos aqueles termos, tratados neste artigo, em que um /i/ nasalado desenvolveu essa consoante (<xref ref-type="bibr" rid="ref58">Mariño Paz 2017: 352</xref>), <italic>v. g.</italic> <sc>uinu</sc> &gt; vĩo&gt; vinho.</p>
</fn>
<fn id="fn282" fn-type="other">
<label><sup>90</sup></label>
<p>Neste caso, não podemos excluir, obviamente, uma eventual desnasalação. A consideração das formas <italic>moastica</italic> (‘monástica’) e <italic>elemosias</italic> (por “elemosinas”, ‘esmolas’) da carta de <italic>Fundação da Igreja de Lardosa</italic> (882) como os mais antigos testemunhos da queda de -<sc>n</sc>-, proposta por <xref ref-type="bibr" rid="ref27">Emiliano (1999: 33)</xref>, defronta-se com o importante obstáculo de tal mudança estar ausente no percurso evolutivo do segundo dos vocábulos; sendo, ao mesmo tempo, desconhecida a existência de uma variante patrimonial (com síncope daquela consoante) para o adjetivo “monástico”. Em meu entender, antes poderá tratar-se de uma questão de natureza “paleográfica”, já que a omissão do &lt;n&gt; parece estar sujeita a fatores concretos de distribuição grafémica, como é o caso das sequências &lt;nas&gt; e &lt;ans&gt;  (<italic>moastica, elemosias; confirmas</italic> “confirmans”) —talvez ass ociada a uma interpretação peculiar do nexo a+s—, ou de difusão lexical (<italic>setentja </italic>/<italic> setemtja</italic>, ‘sentença’). Fora desses supostos, não é omitida (<italic>donatione, manus, plena</italic>, etc.).</p>
</fn>
<fn id="fn283" fn-type="other">
<label><sup>91</sup></label>
<p>O &lt;n&gt; poderia refletir a nasal palatal, mas o tipo “gãar” está amplamente atestado no séc. <sc>xiii</sc> (<xref ref-type="bibr" rid="ref47">Lorenzo 1977</xref>, s. v. <italic>gaanar</italic>).</p>
</fn>
<fn id="fn284" fn-type="other">
<label><sup>92</sup></label>
<p>Este resultado coloca vários problemas interpretativos.</p>
</fn>
<fn id="fn285" fn-type="other">
<label><sup>93</sup></label>
<p>Cabe concluir que se trata da versão galego-portuguesa do lat. *<sc>ingenuita</sc> (recriação regular a partir de <sc>ingenuitas</sc>), termo que localizamos em textos dos sécs. <sc>x</sc>-<sc>xi</sc> (<sc><xref ref-type="bibr" rid="ref17">codolga</xref></sc>), por vezes transformado em <italic>ingenuitate</italic> pelos editores. Num documento bracarense do <italic>Liber Fidei</italic> surge em contexto muito similar ao do <italic>Pacto</italic>: “a susu sicut illa comparavi de illos comites sic est ipsa hereditate de ingenuita” (<xref ref-type="bibr" rid="ref20">Costa 1965, nº 32 [1028]</xref>). O acento poderia estar situado na segunda sílaba, o que teria favorecido a desnasalação.</p>
</fn>
<fn id="fn286" fn-type="other">
<label><sup>94</sup></label>
<p>Lembremos que a edição de <xref ref-type="bibr" rid="ref21">Costa (1992: 229-235)</xref> contém a transcrição inexata do <italic>nengúú</italic> da versão do <sc>act</sc> (l. 32) como <italic>nengũu</italic>, o que criava um obstáculo para a compreensão da prática gráfica em análise. Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref104">Souto Cabo (2008: 16-17, n. 18-19; nº 277, 278)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn287" fn-type="other">
<label><sup>95</sup></label>
<p>Atente-se como, amiúde, estamos perante a marcação mecânica de dois grafemas de referência vocálica, mesmo quando não representam duas vogais (<italic>Gunçalúú</italic>), nem eram realmente contíguos (<italic>páá</italic> = <italic>para a</italic>) (<xref ref-type="bibr" rid="ref97">Souto Cabo 1996: 134</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref26">Dono López 2015: 230</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn288" fn-type="other">
<label><sup>96</sup></label>
<p>Na sequência &lt;uo&gt; reconhecemos as duas vogais derivadas da sua origem etimológica: <sc>Tabulosa</sc>&gt; Tavoosa&gt; Tevuosa / Tevoosa&gt; Tevosa (<xref ref-type="bibr" rid="ref14">Cintra 1971: 166</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn289" fn-type="other">
<label><sup>97</sup></label>
<p>Devemos entender que seriam equivalentes a “Veracin”, “vezes”, “vice”, “vĩidos”, “vĩimento”, “inviados”, “Tevuosa” e “testivigo” (vb. arc. “testivigar”). A presença desse uso gráfico não foi tradicionalmente reconhecida em <italic>fíj́dos, fíj́mento</italic> e <italic>infiados</italic>. <xref ref-type="bibr" rid="ref16">Cintra (1990: 68-69)</xref> viu vocábulos de uma mesma família lexical para exprimir o significado de “acordo”. No entanto, <xref ref-type="bibr" rid="ref65">Martins (2007: 167)</xref> já traduzia muito acertadamente <italic>fíídos</italic> por “vindos”. Essa interpretação é extensiva aos outros dois termos (<xref ref-type="bibr" rid="ref108">Souto Cabo 2017: 307, n. 4</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn290" fn-type="other">
<label><sup>98</sup></label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref65">Martins (2007: 167)</xref> considera <italic>deuenda</italic> (‘defenda’) da <italic>Notícia de haver</italic> como um caso de representação da fricativa labiodental surda por &lt;u&gt;, mas poderá tratar-se do verbo arcaico “devender”, como se deduz de alguns exemplos obtidos através do <sc><xref ref-type="bibr" rid="ref17">codolga</xref></sc>. Note-se que a palavra “devesa” tem origem no latim <sc>defensa</sc>(<sc>m</sc>). Nesse texto também ocorre a forma <italic>defender</italic>.</p>
</fn>
<fn id="fn291" fn-type="other">
<label><sup>99</sup></label>
<p>A falta de sistematicidade na oposição gráfica ultrapassou o período medieval. A título de exemplo, vejam-se alguns dos documentos da primeira metade do séc. <sc>xvi</sc> publicados por <xref ref-type="bibr" rid="ref61">Martins (2001a, nº 107, 108, 216, 217)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn292" fn-type="other">
<label><sup>100</sup></label>
<p>Talvez por segmentação imperfeita, essa prática discriminativa não foi respeitada nos dois exemplos de <italic>asuar</italic> do manuscrito do <sc>act</sc> e num de <italic>asunar</italic> que, ao lado do “correto” <italic>assunar</italic>, aparece na versão do <sc>antt</sc>.</p>
</fn>
<fn id="fn293" fn-type="other">
<label><sup>101</sup></label>
<p>Encontramos &lt;s&gt; para o fonema surdo em posição intervocálica no <italic>Pacto</italic> (<italic>fosadeira</italic>) e na <italic>Notícia de torto</italic> (<italic>asi, dese, podesen, teuese, uencesen, uosa</italic>). Neste último texto, &lt;s&gt; é utilizado com o valor de /ʃ/ em <italic>troserunt</italic> (‘trouxeram’). Note-se a ocorrência isolada de &lt;x&gt; em inicial absoluta na <italic>Carta da Benfeita</italic> para /s̺/ para <italic>Xusana</italic>, também interpretável como exemplo raro de palatalização em inicial (<xref ref-type="bibr" rid="ref38">Ferreiro 1999: 120</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn294" fn-type="other">
<label><sup>102</sup></label>
<p>O carácter surdo do fonema presente em <italic>Gomeze</italic> / <italic>Gomenze vem</italic> assegurado, entre outros motivos, pela ocorrência do tipo <italic>Gomeço</italic> (cf. <italic>supra</italic>). Relativamente a &lt;ci&gt;, parece resultado da representação etimográfica da forma verbal, por nós considerada como provável latinismo (<xref ref-type="bibr" rid="ref99">Souto Cabo 2003a: 348</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn295" fn-type="other">
<label><sup>103</sup></label>
<p>A adoção de &lt;s&gt; para representar o fonema em questão, sem que seja necessário pensar num processo de mudança, não é inédita (<xref ref-type="bibr" rid="ref101">Souto Cabo 2004: 372</xref>). Num breve documento datável de meados do séc. <sc>xiii</sc>, o uso dessa letra, salvo em posição final, é quase sistemático: <italic>criasun</italic> (‘criação’), <italic>Gunsalus, Trauasus</italic> (top. ‘Travaços’) (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 285</xref>). A presença etimográfica de &lt;s&gt; no antropónimo “Gonçalo” (&lt;lat. <sc>Gundisaluus</sc>) é frequente.</p>
</fn>
<fn id="fn296" fn-type="other">
<label><sup>104</sup></label>
<p>Trata-se de um procedimento conhecido em todos os documentos do período, mas escassamente representado fora dos patronímicos: Margaraz (<italic>Carta da Benfeita</italic>); <italic>fiz, paz</italic> (<italic>Testamento de Afonso II</italic>); <italic>fez, paz</italic> (<italic>Notícia de Torto</italic>). É provável que, enquanto se manteve a articulação africada, tenha como referente um fonema surdo, tendo-se desenvolvido como arquifonema, surdo ou sonoro, em função do som seguinte, quando evoluiu para fricativo (<xref ref-type="bibr" rid="ref97">Souto Cabo 1996: 141-142</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref54">Marcet Rodríguez 2011: 73-75</xref>). O recurso ocasional a &lt;-t&gt; poderá assegurar essa interpretação. Na documentação portuguesa parece ser menos frequente do que na galega, mas já o encontramos de modo regular na <italic>Manda de Mendo Ermigues</italic> (ca. 1245): <italic>Ermigit</italic><sub>3</sub>, <italic>Nunit, calet</italic> (arc. “calez”, ‘cálice’) (cf. <italic>infra</italic>).</p>
</fn>
<fn id="fn297" fn-type="other">
<label><sup>105</sup></label>
<p>Pelo menos para uma parte do séc. <sc>xiii</sc>, aceita-se a existência de dois fonemas de articulação palatal sonora, uma africada e outra fricativa. Visto não ter existido uma representação diferenciada, consideramo-los conjuntamente.</p>
</fn>
<fn id="fn298" fn-type="other">
<label><sup>106</sup></label>
<p>O uso de &lt;ch&gt; para a africada palatal sonora é menos habitual, mas conhecemos alguns casos, como os que surgem numa escritura de 1293 lavrada na terra de Barroso: <italic>chacen</italic> (‘jazem’), <italic>Chaneyro</italic> (antrop. ‘Janeiro’), <italic>San Chẽes</italic> (top. ‘São Gens’) (<sc>antt</sc>, Colegiada de Guimarães, m. 15, nº 7).</p>
</fn>
<fn id="fn299" fn-type="other">
<label><sup>107</sup></label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref11">Castro (2006: 125)</xref> realça, com razão, o facto de essa representação por &lt;ci&gt; se produzir na pena de um copista “tão atento às distinções fonéticas”.</p>
</fn>
<fn id="fn300" fn-type="other">
<label><sup>108</sup></label>
<p>Outro procedimento consistiu no uso das consoantes simples, como se observa na <italic>Carta da Benfeita</italic> (<italic>toler, uino</italic>) e, a par do anterior, no <italic>Pacto</italic> (<italic>penores</italic>), na <italic>Notícia de torto</italic> (<italic>acanocese, carualio, filar, filia, filo, quinion, quinon</italic>) ou na <italic>Manda de D. Fruilhe</italic> (<italic>filia, Fruili, mulier, uela</italic>). Na versão lisboeta do <italic>Testamento de Afonso II</italic>, encontramos  &lt;li&gt; para [l] em <italic>aquelias</italic>, o que condiz com certa falta de habilidade do escriba para manter, de modo consistente, alguns contrastes fonémicos.</p>
</fn>
<fn id="fn301" fn-type="other">
<label><sup>109</sup></label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref30">Emiliano e Pedro (2004: 41-42)</xref> tecem louvores, em meu entender, pouco convenientes sobre a escrita da <italic>Notícia de torto</italic>, desvalorizando os interessantes pontos de vista de <xref ref-type="bibr" rid="ref14">Cintra (1971)</xref> ou <xref ref-type="bibr" rid="ref10">Castro (1991)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn302" fn-type="other">
<label><sup>110</sup></label>
<p>A situação não difere, em substância, daquilo que observamos em Castela, sem que ninguém tenha postulado uma bifurcação de tradições, provavelmente porque a multiplicidade de textos em romance projeta uma visão de <italic>continuum</italic>.</p>
</fn>
<fn id="fn303" fn-type="other">
<label><sup>111</sup></label>
<p>Formou-se, por analogia com outros particípios fortes, a partir do particípio <sc>exquisita</sc>.</p>
</fn>
<fn id="fn304" fn-type="other">
<label><sup>112</sup></label>
<p>O primeiro testemunho do <sc>codolga</sc> situa-se em diploma do <italic>Tombo Velho</italic> de Lugo de 1069.</p>
</fn>
<fn id="fn305" fn-type="other">
<label><sup>113</sup></label>
<p>As únicas ocorrências procedentes do espaço português pertencem ao <italic>Foro Real</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="ref37">Ferreira 1987: 127</xref>). Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref104">Souto Cabo (2008, nº 120 [1260], 273 [sem data])</xref> e dados do <sc><xref ref-type="bibr" rid="ref12">cgpa</xref></sc>. De acordo com o <xref ref-type="bibr" rid="ref19"><sc>corde</sc></xref>, para o espaço castelhano-leonês, parece tratar-se de uma variante leonesa, escassamente atestada, que desaparece no terceiro quartel do séc. <sc>xiii</sc>.</p>
</fn>
<fn id="fn306" fn-type="other">
<label><sup>114</sup></label>
<p>Alguns editores consideram que houve omissão do &lt;a&gt; inicial por motivos métricos, editando como “nen o ‘dusse”.</p>
</fn>
<fn id="fn307" fn-type="other">
<label><sup>115</sup></label>
<p>Elas são, contudo, minoritárias relativamente àquelas que remetem para “aduzer”, de acordo com o <sc>cgpa</sc>.</p>
</fn>
<fn id="fn308" fn-type="other">
<label><sup>116</sup></label>
<p>Leia-se <xref ref-type="bibr" rid="ref71">Megale (2001: 131-162)</xref> e Martins (<xref ref-type="bibr" rid="ref65">2007: 179-182</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref66">2013</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn309" fn-type="other">
<label><sup>117</sup></label>
<p>Encontramo-lo na <italic>Demanda do Santo Graal</italic>: “III anos e mais foi Lançarot na ermida asi que nenhũu homem non poderia d’afan mais e de trabalho sofrer ca el sofria en jejũar e en velar e en prezes e en orações fazer. E en <italic>estrenger</italic> sas carnes de toda las guisas que podia” (<xref ref-type="bibr" rid="ref89">Piel e Nunes 1988: 472, §707</xref>) ou na <italic>Crónica de 1404</italic>: “e foy çercar hũa çibdade que a nome Labarre. Et tãto a <italic>estrengerõ</italic> ata que lla deron” (<xref ref-type="bibr" rid="ref85">Pérez Pascual 1990: 476</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn310" fn-type="other">
<label><sup>118</sup></label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref112">Viterbo (1865</xref>, s. v. <italic>subrregano</italic>) faz uma interpretação estranha: “<sc>Subrregano</sc>, e <sc>Suriegano</sc>. Casal, ou prazo, que paga leitão, marrão, côbro, ou espadão de porco. Vem de Surex, que na baixa latinidade era o mesmo que Porcellus. Nas Inquirições reaes de 1258 se achou no concelho de Celorico de Basto, e na freguesia de S. Martinho de Val-de-Boiro um casal, que costumava dar ‘Directuras, sicut aliud casale forarium: et de magis debet esse Surrieganus’, e segundo outra lição ‘Subrreganus’”. Na verdade, o texto original procede das <italic>Inquirições</italic> de Afonso II, embora tenha sido reproduzido em códices cronologicamente posteriores.</p>
</fn>
<fn id="fn311" fn-type="other">
<label><sup>119</sup></label>
<p>Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref43"><italic>Inq.</italic> 87, 98, 133, 138, 140, 656, 694</xref>. Quanto à origem etimológica, mais do que “subrogado”, poderá relacionar-se com quem está sob o domínio do rei (<sc>sub</sc>-<sc>reg</sc>-<sc>anus</sc>).</p>
</fn>
<fn id="fn312" fn-type="other">
<label><sup>120</sup></label>
<p>Manifestamos a nossa gratidão a Leontina Ventura pela ajuda na identificação da figura em questão.</p>
</fn>
<fn id="fn313" fn-type="other">
<label><sup>121</sup></label>
<p>Este documento foi, pela primeira vez, apresentado publicamente no <italic>IV Colóquio de Linguística Histórica</italic> (13-14 outubro, 2016) celebrado na Universidade de Cáceres. Porém, já tínhamos dado notícia da sua existência dois anos antes (<xref ref-type="bibr" rid="ref107">Souto Cabo 2014: 373</xref>). Numa primeira aproximação, chegamos a pensar que podia constituir uma compra-venda em que fora omitido o montante económico, o que explica a denominação que lhe atribuíamos nessa última publicação. Não fica, contudo, muito claro qual é a natureza diplomática concreta da transação.</p>
</fn>
<fn id="fn314" fn-type="other">
<label><sup>122</sup></label>
<p>Esta dama era filha de Sancha Peres Vide e de Aires Nunes de Gosende, por sua vez, filho do galego Nuno Fernandes de Orzelhão (<xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura 1992: 661-663</xref>). A mãe foi prole de Pero Martins Vide e de Teresa Afonso, e neta, por via materna, de Afonso Teles de Córdova e da galega Maria Eanes (uma filha de João Fernandes de Lima ou Batissela) (<xref ref-type="bibr" rid="ref72">Mendes e Henriques 2015: 88</xref>). Sobre as 
origens do mosteiro, leia-se <xref ref-type="bibr" rid="ref93">Rêpas (2003)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn315" fn-type="other">
<label><sup>123</sup></label>
<p>Relativamente à figura deste magnate, veja-se a síntese biográfica de <xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura (1992: 673-683)</xref>. É personagem que marcou presença na lírica galego portuguesa (<xref ref-type="bibr" rid="ref83">Oliveira 2003</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref106">Souto Cabo 2012: 781-784</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref39">González Martínez 2014</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn316" fn-type="other">
<label><sup>124</sup></label>
<p>As notícias sobre o “paaço de Gondiães” surgem num documento de 1278 pelo qual Afonso III confirmava a Berengária a posse desse imóvel, de que fora indevidamente usurpada por Afonso Vasques Pimentel (<sc>antt</sc>, Most. de Almoster, m. 6, nº 51). Nele, consta que os direitos de Berengária e da filha, Sancha Rodrigues, sobre esse bem remontavam ao “tenpo de don Ruy Garcia”. Numa escritura de 1274 alude-se ao “serviçal de Roi Garcia de Pavha, que era serviçal de Gondiães” (<sc>antt</sc>, Most. Arouca, gav. 5, m. 2, nº 16).</p>
</fn>
<fn id="fn317" fn-type="other">
<label><sup>125</sup></label>
<p>A segunda e a terceira vogais aparecem afetadas por danificação do suporte, o que nos impede de precisar com certeza absoluta se é &lt;o&gt;, como pensamos, ou &lt;u&gt;.</p>
</fn>
<fn id="fn318" fn-type="other">
<label><sup>126</sup></label>
<p>Parece ter sido omitido o primeiro elemento da locução pronominal “qualquer” / “quaisquer”.</p>
</fn>
<fn id="fn319" fn-type="other">
<label><sup>127</sup></label>
<p>Os restantes documentos do período a que cabe atribuir o rótulo de “escrito em romance” ―uma boa parte dos quais foi considerada na secção prévia― integram-se em “práticas comunicativas escritas que, pela própria natureza ou por fatores circunstanciais, não estavam estritamente sujeitas aos formulários notariais em latino-romance” (<xref ref-type="bibr" rid="ref107">Souto Cabo 2014: 372</xref>), o que não é aplicável à escritura em apreço. Só outro diploma anterior a 1255 é suscetível de ser aproximado do documento em questão, pela constituição diplomática interna, a <italic>Partição de Mor Martins e Durão Martins</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 282</xref>), datável de 1235-1244. Neste último, também são nitidamente visíveis as três partes próprias dos diplomas dispositivos, mas carece de elementos que lhe teriam outorgado forma jurídica plena: a data e a subscrição do notário. Essa natureza pseudo-dispositiva justifica-se porque não é apenas um inventário de partilhas, portanto de interesse particular, ele também inclui uma permuta e uma doação em que aparece envolvido o mosteiro de Arouca.</p>
</fn>
<fn id="fn320" fn-type="other">
<label><sup>128</sup></label>
<p>No caso do exemplar que agora nos ocupa e dos considerados na divisão seguinte, a análise não terá a perspetiva abrangente daquela efetuada sobre a <italic>Esquisa</italic> em relação a outros documentos do período.</p>
</fn>
<fn id="fn321" fn-type="other">
<label><sup>129</sup></label>
<p>Reconsideramos a inclusão de <italic>dicto</italic>(<italic>s</italic>) como latinismo, subjacente às percentagens patentes na nossa análise anterior (<xref ref-type="bibr" rid="ref107">Souto Cabo 2014: 373</xref>), porquanto funcionalmente só podem ser formas românicas.</p>
</fn>
<fn id="fn322" fn-type="other">
<label><sup>130</sup></label>
<p>Esta dicotomia de registos está atestada noutros textos do período como, por exemplo, no contrato enfitêutico implementado, em 1233, entre D. Gomes, abade do mosteiro ourensano de Melom, e Fernando Airas (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 29</xref>). Porém, não podemos falar claramente de outros espécimes similares na documentação lusitana que temos por romance, anterior a 1257, visto os diplomas de natureza dispositiva, como é o caso, evidenciarem um carácter muito refratário ao romanceamento.</p>
</fn>
<fn id="fn323" fn-type="other">
<label><sup>131</sup></label>
<p>O documento exibe algumas formas de configuração rara ou anómala como <italic>dubada, facero</italic> (‘fazê-lo’?), <italic>logual</italic> (‘lugar’), <italic>obtogu, senpe</italic><sub>3</sub>, <italic>stave</italic> (‘estável’); algumas das quais sugerem rasgos disgráficos associados aos fonemas de articulação alveolar.</p>
</fn>
<fn id="fn324" fn-type="other">
<label><sup>132</sup></label>
<p>Apesar de pouco expressivos e alguns de natureza incerta (<italic>aqillo, tudo</italic>), encontramos exemplos em que as vogais /e/ e /o/ são representadas por &lt;i&gt; e &lt;u&gt;: <italic>in, iste; dubada, pumares</italic>, etc. Pelo contrário, o adjetivo <italic>staue</italic> já contém um -e
final, ainda que na altura fosse usual a terminação -vil (cf. <italic>infra</italic>).</p>
</fn>
<fn id="fn325" fn-type="other">
<label><sup>133</sup></label>
<p>Trata-se de uma forma híbrida entre a latina e a românica.</p>
</fn>
<fn id="fn326" fn-type="other">
<label><sup>134</sup></label>
<p>Diferentemente, para o ditongo [ej] parece não admitir exceção o emprego de &lt;ei/ej&gt;. O tipo <italic>qera</italic> (‘queira’) reflete um radical do presente de conjuntivo com /e/ amplamente documentado, inclusive na produção poética trovadoresca (<xref ref-type="bibr" rid="ref109"><sc>ucantigas</sc>,
Glossário, s. v. <italic>querer</italic></xref>). Trata-se, de facto, do radical esperável a partir do correspondente latino para esse tempo (<sc>quaer</sc>-).</p>
</fn>
<fn id="fn327" fn-type="other">
<label><sup>135</sup></label>
<p>O resultado do texto deve ser interpretado como “Çarrazim”. Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref49">Machado (1993</xref>, s. v. <italic>Sarrazim</italic>). Note-se, portanto, que o primeiro &lt;z&gt; estaria a representar a surda e o segundo, a sonora.</p>
</fn>
<fn id="fn328" fn-type="other">
<label><sup>136</sup></label>
<p>Esse procedimento, já observado na documentação primitiva, surge em documentos de meados do séc. <sc>xiii</sc>, como a <italic>Manda de Mem Ermigues</italic> (<italic>ius</italic>, arc. “chus”) ou a <italic>Manda de Margarida Garcia</italic> (<italic>iau</italic>, ‘chão’; <italic>iumaco</italic>, ‘chumaço’) (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 283, 284</xref>), mas também em fases posteriores (cf. <italic>infra</italic>).</p>
</fn>
<fn id="fn329" fn-type="other">
<label><sup>137</sup></label>
<p>Podemos aproximar desse resultado o patronímico <italic>Petris</italic> (por “Petriz”) da <italic>Manda de D. Fruilhe</italic>. Não contemplamos estas formas como reflexo da simplificação do sistema das sibilantes, até porque estamos na região em que, ainda atualmente, se conserva a oposição entre a apicoalveolar e a predorsodental. Sem entrarmos na complexa problemática que coloca a interpretação das trocas gráficas na altura, não podemos deixar de notar aqui a referência de Cardeira (<xref ref-type="bibr" rid="ref5">2003: 133</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref6">2009: 22</xref>) a um documento de 1350 lavrado em Monção (<sc>antt</sc>, Most. de Vilarinho, m. 4, nº 7; <xref ref-type="bibr" rid="ref61">Martins 2001a, nº 59</xref>) ―portanto, na mesma área do texto em análise― como exemplo setentrional mais notável da neutralização gráfica entre &lt;s&gt; e &lt;z&gt; a favor da primeira. A consulta do original revela que não existe tal confusão gráfica, dado que foram transcritos como &lt;s&gt;, por um lado, o &lt;z&gt; com configuração similar a um cinco (5) e, por outro, o &lt;s&gt; dito sigmático que, em posição interior, representa a predorsodental vozeada e, em posição final, serve para &lt;z&gt; ou para &lt;s&gt; (<xref ref-type="bibr" rid="ref50">Maia 1986: 453</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn330" fn-type="other">
<label><sup>138</sup></label>
<p>De facto, em documentos romances, só contamos com a forma <italic>beyjo</italic> do <italic>Testamento de Afonso II</italic> do <sc>act</sc>. Leia-se <xref ref-type="bibr" rid="ref101">Souto Cabo (2004: 373)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn331" fn-type="other">
<label><sup>139</sup></label>
<p>A ausência de marca no primeiro grupo de vocábulos é motivo para pensar que não equivale a um &lt;n&gt; intervocálico, uso de tradição latina registado em textos medievais, embora de modo muito limitado. Entre os textos objeto de estudo neste artigo, só se regista numa única ocasião em <italic>comendamonos</italic> (cf. <italic>supra</italic>).</p>
</fn>
<fn id="fn332" fn-type="other">
<label><sup>140</sup></label>
<p>No mais antigo, apresenta uma configuração mais próxima de uma plica do que do sinal abreviativo.</p>
</fn>
<fn id="fn333" fn-type="other">
<label><sup>141</sup></label>
<p>Seja como for, a notável singularidade do documento impõe a sua publicação com independência do ano concreto em que possa ser situado.</p>
</fn>
<fn id="fn334" fn-type="other">
<label><sup>142</sup></label>
<p>A segunda parte do documento contém uma alusão retrospetiva ao tempo em que ainda era viva a mãe de Rui Garcia de Paiva (“in tempo de uossa madre”), em contraste com o presente; o que sugere que talvez não tivessem decorrido (muito) mais de cinco anos desde a morte dessa senhora. Desconhecemos a data do seu óbito, mas a julgarmos pelos dados que temos sobre ela e a família, não nos parece provável que tenha atingido a segunda metade da década de cinquenta (<xref ref-type="bibr" rid="ref111">Ventura 1992: 673-674</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn335" fn-type="other">
<label><sup>143</sup></label>
<p>As informações enviadas ao conselheiro régio dizem respeito a propriedades do grupo familiar formado por Fernando Raimundo, pela mulher, D. Geralda, e por um filho desta última, Bartolomeu Domingues ―citado de forma anónima―, fruto do casamento anterior dessa dama com Domingo Eanes. Ora, sabemos que D. Afonso III lhes confiscou, em 1269, por dívidas acumuladas, todos os bens que tinham pertencido a esse último e à mulher no couto de Santa Comba e os vendeu ao Cabido da Sé de Coimbra. O monarca também ordenou, nesse mesmo ano, a apreensão das restantes propriedades dos três indivíduos acima citados pelos danos e embargos que causavam nos herdamentos desse couto (<xref ref-type="bibr" rid="ref81">Morais 2013, nº 26-30</xref>; <sc>att</sc>, Cab. da Sé de Coimbra, régios, m. 2, nº 24-29). É difícil estabelecer algum tipo de relação cronológica com o documento que nos ocupa, mas os dados referidos parecem assegurar que o vínculo matrimonial entre Fernando Raimundo e Geralda já era, em 1269, duradouro. Por outro lado, a falta de qualquer referência a esses eventos leva a pensar que puderam ser posteriores à elaboração do relatório em questão.</p>
</fn>
<fn id="fn336" fn-type="other">
<label><sup>144</sup></label>
<p>O pergaminho leva o sinal de um anónimo notário real solicitado pelos homens de Rui Garcia (cf. <italic>infra</italic>). É possível que este facto tenha sido, afinal, responsável pela sobrevivência de um documento que se afigurava, em princípio, efémero.</p>
</fn>
<fn id="fn337" fn-type="other">
<label><sup>145</sup></label>
<p>É diferente a situação das missivas, amplamente estudadas, pertencentes ao domínio da diplomacia. Susana Pedro, em comunicação inédita apresentada na <italic>Jornada de Estudio</italic> “La carta diplomática (2): el género epistolar como instrumento de administración, 7-8 de marzo de 2013, (Casa de Velázquez)”, analisou as relações entre os modelos da <italic>charta</italic> e da <italic>notitia</italic> na produção portuguesa dos sécs. <sc>x</sc>-<sc>xiii</sc>. No âmbito português, as cartas da rainha D. Isabel têm sido objeto de especial atenção (<xref ref-type="bibr" rid="ref82">Muñoz Fernández 2018</xref>). Na secção “Monumenta Histórica” da revista <italic>Fragmenta Histórica</italic> (Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa) podemos encontrar cartas lavradas em Portugal na Idade Média (e mesmo em períodos posteriores).</p>
</fn>
<fn id="fn338" fn-type="other">
<label><sup>146</sup></label>
<p>Como se faz constar, o documento constitui, por sua vez, a resposta a uma carta prévia de Rui Garcia de Paiva: “Sabiades que nos uimos uosa carta”.</p>
</fn>
<fn id="fn339" fn-type="other">
<label><sup>147</sup></label>
<p>Existem algumas dificuldades na leitura em ambos os textos. No primeiro, derivadas de uma mancha de humidade que cobre o espaço central entre as linhas 11 a 17. Os problemas causados pelas propriedades materiais do lado da carne ―aliás exposto ao manuseamento― somam-se, no caso do segundo texto, à sobrevivência de elementos gráficos de uma redação anterior que, ocasionalmente, interferem com a versão definitiva nas três primeiras linhas.</p>
</fn>
<fn id="fn340" fn-type="other">
<label><sup>148</sup></label>
<p>Não excluímos a possibilidade de o interpretar como “e quartado” (‘é [pão] quartado’), em referência ao pão feito com quatro tipos de farinha.</p>
</fn>
<fn id="fn341" fn-type="other">
<label><sup>149</sup></label>
<p>O segmento “e d’ ejradega ... uino” encontra-se situado na margem inferior, mas há marcas localizadoras que o remetem para o local em que é editado.</p>
</fn>
<fn id="fn342" fn-type="other">
<label><sup>150</sup></label>
<p>Relativamente ao pronome <italic>my</italic> de D4B, veja-se o que será dito sobre os clíticos de dativo nos comentários a D5.</p>
</fn>
<fn id="fn343" fn-type="other">
<label><sup>151</sup></label>
<p>Dada a cronologia do texto, não parece que a forma <italic>bodia</italic> (‘podia’) possa ser incluída entre os exemplos de “grafias que nem sempre espelham oposições baseadas no traço de vozeamento” de que fala <xref ref-type="bibr" rid="ref65">Martins (2007: 167)</xref>. No grupo dos primeiros textos, esse facto parece ficar limitado à forma <italic>gaualeiros</italic> (‘cavaleiros’) do <italic>Pacto</italic>, mas provavelmente estamos perante um fenómeno de natureza fonética. Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref74">Menéndez Pidal (1972 [1926]: 322-324)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="ref40">González Ollé (1972)</xref>. Aliás, o uso de grafemas correspondentes a consoantes sonoras para representar as surdas é muito raro.</p>
</fn>
<fn id="fn344" fn-type="other">
<label><sup>152</sup></label>
<p>Preferimos não falar, quando for o caso, de “semivogal”, dado que quem escreve não opera com princípios de natureza fónica.</p>
</fn>
<fn id="fn345" fn-type="other">
<label><sup>153</sup></label>
<p>Não incluímos os termos em que essas sequências vocálicas resultam da expansão de abreviaturas.</p>
</fn>
<fn id="fn346" fn-type="other">
<label><sup>154</sup></label>
<p>Sobre o antropónimo <italic>Suero</italic>, veja-se o que foi dito previamente.</p>
</fn>
<fn id="fn347" fn-type="other">
<label><sup>155</sup></label>
<p>Esse carácter não patrimonial serve para explicar o (anómalo) plural <italic>mouils</italic> do <italic>Testamento de Afonso II</italic>. Não existiram, como se tem afirmado, duas terminações, -<italic>vil </italic>e -<italic>vel</italic>, geneticamente diferentes. Sobre esse sufixo, veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref56">Mariño Paz (2005)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn348" fn-type="other">
<label><sup>156</sup></label>
<p>Está presente, sob a forma <italic>staue</italic>, em D2 e voltará a aparecer, como <italic>estauel</italic>, em D5.</p>
</fn>
<fn id="fn349" fn-type="other">
<label><sup>157</sup></label>
<p>Como no caso do sufixo -vel, o étimo latino contém uma vogal breve nessa posição (<sc>ordĭne</sc>). O resultado <italic>ordin</italic> já aparece no <italic>Testamento de Afonso II</italic> e deverá ter sido dominante no séc. <sc>xiii</sc>. Pelo contrário, “ordem” surge apenas em textos vinculados a uma tradição de escrita castelhana (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 294, 300, 302</xref>). Na Galiza encontramos as duas formas, com preferência pelos resultados com /i/ no terço meridional.</p>
</fn>
<fn id="fn350" fn-type="other">
<label><sup>158</sup></label>
<p>A primeira documentação do &lt;ç&gt;, propriamente dito, em Portugal surge numa escritura de ca. 1252 da Ordem do Templo vinculada a uma tradição scriptográfica castelhano-leonesa (<xref ref-type="bibr" rid="ref105">Souto Cabo 2011: 229-230</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 286</xref>). Além do conjunto de escrituras dessa Ordem em que esse exemplar se integra, as primeiras ocorrências em documentos originais datam de 1257 (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 296, 297, 298</xref>), mas a generalização não parece anterior à década de setenta. Leia-se <xref ref-type="bibr" rid="ref101">Souto Cabo (2004: 372-373)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn351" fn-type="other">
<label><sup>159</sup></label>
<p>O grafema &lt;u&gt; com valor consonântico parece ter nalguns casos a consideração de vogal. Como dissemos, a associação &lt;uh&gt; foi habitual desde o último terço do séc. <sc>xiii</sc>, surgindo amiúde para representar esse topónimo como “Pauha”.</p>
</fn>
<fn id="fn352" fn-type="other">
<label><sup>160</sup></label>
<p>A situação deste termo, no que toca à variação, na sílaba final, entre /i/ e /e/, parece similar ao que observamos no clítico dativo e noutras formas como o sufixo -vel e o de patronímico (cf. <italic>infra</italic>).</p>
</fn>
<fn id="fn353" fn-type="other">
<label><sup>161</sup></label>
<p>Lembremos, nesse sentido, que uma circunstância similar subjaz à existência do primeiro documento em romance da Galiza, a <italic>Cessão do mosteiro de Armeses a Sancha Fernandes</italic> (1222), associado à Ordem de Calatrava. No que toca ao antigo reino lusitano, o mais salientável é um conjunto de escrituras da Ordem do Templo redigidas entre ca. 1252 e 1261 numa modalidade galego-portuguesa com notável influxo do castelhano. Sobre este aspeto, leia-se <xref ref-type="bibr" rid="ref105">Souto Cabo (2011: 227-231)</xref> e as precisões de <xref ref-type="bibr" rid="ref60">Martins (1999: 503-504)</xref> sobre um documento de 1236.</p>
</fn>
<fn id="fn354" fn-type="other">
<label><sup>162</sup></label>
<p><sc>antt</sc>, Cab. da Sé de Coimbra, m. 18, nº 19 e 35.</p>
</fn>
<fn id="fn355" fn-type="other">
<label><sup>163</sup></label>
<p><sc>antt</sc>, Cab. da Sé de Coimbra, m. 18, nº 14.</p>
</fn>
<fn id="fn356" fn-type="other">
<label><sup>164</sup></label>
<p><sc>antt</sc>, Most. de Arouca, gav. 7, m. 4, nº 14. Trata-se da confirmação em latim de uma carta régia, em romance, cuja versão original fora lavrada por Vicente Fernandes, notário de Lisboa, em janeiro desse mesmo ano.</p>
</fn>
<fn id="fn357" fn-type="other">
<label><sup>165</sup></label>
<p><sc>antt</sc>, Most. de Santa Ana de Coimbra, m. 1, nº 77 e 79.</p>
</fn>
<fn id="fn358" fn-type="other">
<label><sup>166</sup></label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 289 [1260], 309 [1260], 313 [1262], 317 [1263]</xref>. O primeiro escrito foi situado por <xref ref-type="bibr" rid="ref95">Ribeiro (1860 [1810]: 286-286)</xref> em 1255, mas é de 1260 (<xref ref-type="bibr" rid="ref107">Souto Cabo 2014: 383</xref>). Também cumpre indicar que a herdade objeto de transação se situa em Santo André de Telões (Amarante), não em Telões de Aguiar.</p>
</fn>
<fn id="fn359" fn-type="other">
<label><sup>167</sup></label>
<p>No conjunto de documentos romances deste notário, o uso do latim fica limitado à invocação (“In Dei nomine”) com que se abrem os produzidos em 1269 e 1271.</p>
</fn>
<fn id="fn360" fn-type="other">
<label><sup>168</sup></label>
<p>O testemunho mais recuado encontra-se, provavelmente, na P1 do pretérito de “haver” <italic>oui</italic><sub>3</sub> (‘houve’) da <italic>Manda de Mendo Ermigues</italic> (ca. 1245) (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 283</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn361" fn-type="other">
<label><sup>169</sup></label>
<p>Lembre-se que também existiram <italic>mi</italic>, <italic>ti</italic> / <italic>chi</italic>, <italic>si</italic> / <italic>xi</italic>. Não há unanimidade na explicação da origem desses clíticos em -i (<xref ref-type="bibr" rid="ref57">Mariño Paz 2009: 83</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref79">Monteagudo 2019: 314-323</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn362" fn-type="other">
<label><sup>170</sup></label>
<p>Segundo evidenciam os testemunhos escritos, a manutenção da distinção entre as vogais palatais média alta e alta, em posição átona final, registada também, como vimos, noutro tipo de formas, parece ter sido duradoura na metade meridional da Galiza e no conjunto de Portugal. Sobre este aspeto, leia-se <xref ref-type="bibr" rid="ref15">Cintra (1984 [1959]: 398-399)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref50">Maia (1986: 521-523)</xref>, Mariño Paz (<xref ref-type="bibr" rid="ref57">2009: 81-92</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref58">2017: 226-230</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="ref79">Monteagudo (2019)</xref>. Sou muito cético sobre a possibilidade de ter existido uma distinção similar no caso das vogais velares no espaço galego-português, hipótese em que alguns fundam o contraste morfológico entre singular e plural do português padrão pela variação /o/:/ɔ/ na tónica.</p>
</fn>
<fn id="fn363" fn-type="other">
<label><sup>171</sup></label>
<p>As variantes <italic>se</italic><sub>5</sub> e <italic>si</italic><sub>4</sub> surgem em proporções similares no <italic>Pacto</italic>, mas si ainda é quase sistemática na versão lisboeta do <italic>Testamento de Afonso II</italic>, com onze ocorrências face a uma de <italic>se</italic>. Porém, a cópia da catedral de Toledo só faculta exemplos desta última (12 occ.), como acontece com a <italic>Notícia de torto</italic> (2 occ.), a <italic>Manda de D. Fruilhe</italic> (1 oc.) ou a <italic>Partição de Mor Martins e Durão Martins</italic> (1 oc.). Na documentação da Galiza, encontramos registos de <italic>si</italic> até à década de sessenta do séc. <sc>xiii</sc> (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 129, 136, 259</xref>), mas talvez sejam simples formas gráficas por “se”.</p>
</fn>
<fn id="fn364" fn-type="other">
<label><sup>172</sup></label>
<p>O mais antigo testemunho do tipo “coonigo” que conhecemos, em texto romance, surge em 1259 (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 301</xref>). Também se regista na documentação galega (<xref ref-type="bibr" rid="ref24"><italic><sc>dgp</sc></italic>, nº 159 [1262]</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn365" fn-type="other">
<label><sup>173</sup></label>
<p>Como dissemos, é rara a presença deste grafema antes da segunda metade do século.</p>
</fn>
<fn id="fn366" fn-type="other">
<label><sup>174</sup></label>
<p>Note-se também que &lt;ss&gt; só ocorre em posição intervocálica. A essa regularidade parece fugir a forma <italic>aniuerssario</italic>, mas devemos ter em conta que, na unidade braquigráfica que a representa, o &lt;ss&gt; é precedido do ambivalente &lt;u&gt;.</p>
</fn>
<fn id="fn367" fn-type="other">
<label><sup>175</sup></label>
<p>Esta variante sobrevive no quadrante nordeste da Galiza (<xref ref-type="bibr" rid="ref34">Fernández Rei 1990: 80</xref>).</p>
</fn>
<fn id="fn368" fn-type="other">
<label><sup>176</sup></label>
<p>O lexema em &lt;ll-&gt;  não se repete nos documentos lavrados por Gil Vicente.</p>
</fn>
<fn id="fn369" fn-type="other">
<label><sup>177</sup></label>
<p>“Pour le datif, nous avons <italic>le</italic> ‘lhe’ partout, soit au singulier, soit au pluriel, forme que est tout simplement le lat. (il)li” (<xref ref-type="bibr" rid="ref110">Vasconcellos 1970 [1901]: 107</xref>). Para a Galiza, veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref34">Fernández Rei (1990: 79-80)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn370" fn-type="other">
<label><sup>178</sup></label>
<p>A mobilidade no “ranking” tem a ver com as dificuldades que encerra a definição de alguns documentos como originais.</p>
</fn>
<fn id="fn371" fn-type="other">
<label><sup>179</sup></label>
<p>Souto Cabo (<xref ref-type="bibr" rid="ref98">2002: 372, 375, n. 18-19</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ref101">2004: 369-370</xref>). Note-se, contudo, que no caso destas últimas o &lt;h&gt; representa uma semivogal palatal alta, ao passo que em &lt;lh&gt;  e &lt;nh&gt;  adquiriu o valor de natureza gráfica que tinha &lt;i&gt; em combinações como “molier” (‘mulher’) e “tenia” (‘tenha’).</p>
</fn>
<fn id="fn372" fn-type="other">
<label><sup>180</sup></label>
<p>O tema foi também considerado, de uma perspetiva mais concreta, por <xref ref-type="bibr" rid="ref1">Afonso (2013: 42-46)</xref>, analisando uma seleção de escrituras inéditas do núcleo documental do mosteiro de Arouca situadas entre 1285 e 1305.</p>
</fn>
<fn id="fn373" fn-type="other">
<label><sup>181</sup></label>
<p>Veja-se <xref ref-type="bibr" rid="ref50">Maia (1986: 485-500)</xref>. A professora de Coimbra incluiu alguns textos não notariais de natureza e origem duvidosa, mas não menciona, por exemplo, a <italic>Crónica geral galega</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="ref46">Lorenzo 1975: <sc>xxxiii</sc>-<sc>xxxv</sc></xref>). As fases iniciais na expansão dos dígrafos foram estudadas, de acordo com a documentação disponível em meados do século passado, por <xref ref-type="bibr" rid="ref13">Cintra (1963: 62-72)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn374" fn-type="other">
<label><sup>182</sup></label>
<p>A essa regularidade só foge o apelido linhagístico <italic>Farina</italic> (“Farinha”) utilizado na denominação de Afonso Pires Farinha, conselheiro régio
e corregedor, mencionado no documento de 1279. Dado o seu carácter particular, como antropónimo, não o incluímos no gráfico.</p>
</fn>
<fn id="fn375" fn-type="other">
<label><sup>183</sup></label>
<p>Veja-se o que foi dito sobre a presença da forma <italic>susu</italic> e doutras acabadas em &lt;-u&gt; no <italic>Testamento de Afonso II</italic> na nota nº 75.</p>
</fn>
<fn id="fn376" fn-type="other">
<label><sup>184</sup></label>
<p>O texto fora reproduzido por <xref ref-type="bibr" rid="ref44">Lira (2001 [1993]/2, nº 330)</xref>.</p>
</fn>
<fn id="fn377" fn-type="other">
<label><sup>185</sup></label>
<p>Ele comparece como clérigo do mosteiro ―ou sem designação concreta― entre 1273 e 1275 e em 1299, mas só lhe é atribuída a função de capelão nos anos citados. Num documento de 1295 copiado num dos tombos do mosteiro (<xref ref-type="bibr" rid="ref44">Lira 2001 [1993]/2, nº 312</xref>), o abade de Saia Vaia de Beiriz é citado, por provável lapso, como “Lourenço Esteves” em lugar de “João Esteves”, denominação que aparece no escrito em questão. A presença, na posição posterior imediata, doutro abade daquele nome apoia a nossa hipótese.</p>
</fn>
<fn id="fn378" fn-type="other">
<label><sup>186</sup></label>
<p>Note-se, por exemplo, o uso ocasional de &lt;u&gt; para /o/ (<italic>d(r)ubru, Nunu</italic>) ou o recurso a &lt;i&gt; para representar a africada palatal surda (<italic>iaman</italic> ‘chamam’) e a &lt;-t&gt; para a africada predorsodental em posição final (<italic>Esteueet, ioit ‘juiz’, Perit, Peret, Ueerit</italic>).</p>
</fn>
<fn id="fn379" fn-type="other">
<label><sup>187</sup></label>
<p>Uma lineta, em aparência desnecessária, encima a sequência &lt;tra&gt;.</p>
</fn>
</fn-group>
<app-group>
<app id="app1">
<sec>
<title><bold>Apêndice 1</bold></title>
<p>
<table-wrap id="gt1">
	<alternatives>
<table style="border-collapse:collapse;border:none;font-size:12px;font-family:'Cambria'" id="gt2-526564616c7963">
<thead>
<tr>
<th style="border-top:windowtext 1.5pt;border-left:windowtext 1.5pt;border-bottom:#666666 1.5pt;border-right:#999999 1.0pt;border-style:solid;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt"/>
<th style="border-top:solid windowtext 1.5pt;border-left:none;border-bottom:solid #666666 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p><bold>1269</bold></p></th>
<th style="border-top:solid windowtext 1.5pt;border-left:none;border-bottom:solid #666666 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt"><p><bold>1270A</bold></p></th>
<th style="border-top:solid windowtext 1.5pt;border-left:none;border-bottom:solid #666666 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p><bold>1270B</bold></p></th>
<th style="border-top:solid windowtext 1.5pt;border-left:none;border-bottom:solid #666666 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt"><p><bold>1271</bold></p></th>
<th style="border-top:solid windowtext 1.5pt;border-left:none;border-bottom:solid #666666 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt"><p><bold>1279</bold></p></th>
<th style="border-top:solid windowtext 1.5pt;border-left:none;border-bottom:solid #666666 1.5pt;border-right:solid windowtext 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt"><p><bold>1283A</bold></p></th>
<th style="border-top:solid windowtext 1.5pt;border-left:none;border-bottom:solid #666666 1.5pt;border-right:solid windowtext 1.5pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt"><p><bold>1283B</bold></p></th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td style="border-top:none;border-left:solid windowtext 1.5pt;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:double windowtext 1.5pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt"><p><bold>/ʎ/</bold></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>l</bold>&gt;</p><p><italic>concelo, filo, melor, nemigala</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>ll</bold>&gt;</p><p><italic>Auangello, fillo, moller</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>ll</bold>&gt;</p><p><italic>allẽar, collan, llilo, mellor, ualla</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>ll</bold>&gt;</p><p><italic>concello, filla, llos, mellor, moller, nemigalla</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>lh</bold>&gt;</p><p><italic>filhado, lhis</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid windowtext 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>lh</bold>&gt;</p><p><italic>filhando</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid windowtext 1.5pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>lh</bold>&gt;</p><p><italic>conselho</italic></p></td>
</tr>
<tr>
<td style="border-top:none;border-left:solid windowtext 1.5pt;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:double windowtext 1.5pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt"><p><bold>/l/</bold></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>l</bold>&gt;</p><p><italic>aquela, ela</italic></p><p>&lt;<bold>ll</bold>&gt;</p><p><italic>tabellion</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>l</bold>&gt;</p><p><italic>aqueles, caualeyro, ela, séélo, ualer</italic></p><p>&lt;<bold>ll</bold>&gt;</p><p><italic>Penella, tabellion</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>l</bold>&gt;</p><p><italic>capelo, eles, li(s), todalas</italic></p><p>&lt;<bold>ll</bold>&gt;</p><p><italic>tabellion</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>l</bold>&gt;</p><p><italic>ela, Flolida, pola</italic></p><p>&lt;<bold>ll</bold>&gt;</p><p><italic>tabellion</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>l</bold>&gt;</p><p><italic>eles, todalas</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid windowtext 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>l</bold>&gt;</p><p><italic>aqueles, ela, Floles, lis</italic></p><p>&lt;<bold>ll</bold>&gt;</p><p><italic>bacellos, Cellas</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid windowtext 1.5pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>l</bold>&gt;</p><p><italic>ela</italic></p><p>&lt;<bold>ll</bold>&gt;</p><p><italic>capellam, Cellas, tabellion, villa
</italic></p></td>
</tr>
<tr>
<td style="border-top:none;border-left:solid windowtext 1.5pt;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:double windowtext 1.5pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt"><p><bold>/ɲ/</bold></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>n</bold>&gt;</p><p><italic>conpona, senor</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>n</bold>&gt;</p><p><italic>quinentas, senor</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>n</bold>&gt;</p><p><italic>conoscan, enpenorar, linagen, reteno, tenan</italic></p><p>&lt;<bold>ñ</bold>&gt;</p><p><italic>viñas</italic></p><p>&lt;<bold>nh</bold>&gt;</p><p><italic>manháá</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>n</bold>&gt;</p><p><italic>conpona, senor</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>nh</bold>&gt;</p><p><italic>quinhon, tenho</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid windowtext 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>nh</bold>&gt;</p><p><italic>quinhoeyra, quinhon, uenha, vinhas</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid #999999 1.0pt;border-right:solid windowtext 1.5pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>n</bold>&gt;</p><p><italic>conoscan, senor</italic></p></td>
</tr>
<tr>
<td style="border-top:none;border-left:solid windowtext 1.5pt;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:double windowtext 1.5pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:left;"><p><bold>/n/</bold></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>n</bold>&gt;</p><p><italic>Anes, cóónigo, sinal</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>n</bold>&gt;</p><p><italic>cóónigos, sinal</italic></p></td>
<td style="width:63.75pt;border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>n</bold>&gt;</p><p><italic>cóónigo, sinal</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>n</bold>&gt;</p><p><italic>Anes, dona, sinal</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid #999999 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>n</bold>&gt;</p><p><italic>Anes, reyno</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid windowtext 1.0pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>n</bold>&gt;</p><p><italic>anos, dano, dona, maneyra</italic></p></td>
<td style="border-top:none;border-left:none;border-bottom:solid windowtext 1.5pt;border-right:solid windowtext 1.5pt;padding:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;text-align:center;"><p>&lt;<bold>n</bold>&gt;</p><p><italic>dona</italic></p></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
<attrib>Representação de /ʎ/, /l/ e /ɲ/, /n/ na produção de Gil Vicente</attrib>
</table-wrap>
</p>
</sec>
<sec>
<title><bold>Apêndice 2</bold></title>
<p>Como foi referido na nota nº 2 deste trabalho, <xref ref-type="bibr" rid="ref30">Emiliano e Pedro (2004: 61)</xref> incluem na primeira metade do séc. <sc>xiii</sc> o (não datado) <italic>Testamento de Nuno Peres de Beiriz</italic>, ao tempo que o qualificam como documento protoportuguês<xref ref-type="fn" rid="fn376"><sup>184</sup></xref>. Porém, ele deverá ser situado no último quartel daquela centúria, provavelmente nos últimos anos da mesma, atendendo à ocorrência de Rodrigo Peres como capelão do mosteiro da Junqueira, documentado nesse cargo em 1297 e 1299 (<xref ref-type="bibr" rid="ref44">Lira 2001 [1993]/1: 108</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn377"><sup>185</sup></xref>. Apesar de ficar fora dos limites cronológicos definidos para este trabalho ―o que nos levou a excluí-lo de <italic><sc>dgp</sc></italic>―, optamos por o integrar neste apêndice como exemplo da sobrevivência de práticas gráficas que marcam os textos mais antigos aqui analisados<xref ref-type="fn" rid="fn378"><sup>186</sup></xref>. Salvo a breve <italic>invocatio</italic>, o texto está redigido integramente em galego-português, sem qualquer elemento latinizante.</p>
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<title><bold>Edição</bold></title>
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<p>Jn [nomine] D<italic>omin</italic>j, am<italic>en</italic>. Eu Nunu Perit de Ueherit, temente o dia <italic>e</italic> e a ora d<italic>e</italic> ma morte, faco ma manda: primeira|mente <strike>primeira|mente</strike> dou a ma alma a Santa Maria, que a de ou seu filo. It<italic>en</italic>, mando o meu corpo e<italic>n</italic> San Simo<italic>n</italic> co<italic>n</italic> canto erdamento ej na freigisia de Santa Uaia de Ueerit <italic>e</italic> e de Santiago d’ Amorin, saluo a leira d<italic>e</italic> Maceira do casal d<italic>e</italic> &lt;...&gt;to <italic>e</italic> e o talio de Mo<italic>n</italic>|iardi<italic>n</italic>, so tal co<italic>n</italic>dico<italic>n</italic> q<italic>ue</italic> filos de Maria &lt;...&gt;anes, meus criados, q<italic>ue</italic> me seruja<italic>n</italic>, q<italic>ue</italic> o traga<italic>n</italic> e<italic>n</italic> sa uida per d<italic>e</italic> San Simo<italic>n</italic> <italic>e</italic> e ua fila d<italic>e</italic> Margarida, q<italic>ue</italic> iama<italic>n</italic> Luzia, q<italic>ue</italic> o trag[a]<xref ref-type="fn" rid="fn379"><sup>187</sup></xref> <italic>con</italic> eles, <italic>e</italic> este erdamento, e<italic>n</italic>|quanto eles trousere<italic>n</italic>, de<italic>n</italic> ende ao m[o]esteiro cad’ ano II mr. Jt<italic>en</italic>, mando q<italic>ue</italic> o pam deste erdamento, cando ouuere<italic>n</italic> de segar, que o &lt;ua<italic>n</italic>&gt;pidir ao priol, <italic>e</italic> e por pidida de<italic>n</italic> ende dous &lt;paees&gt;. Jt<italic>en</italic>, mando q<italic>ue</italic> encanto os minios este erdamento trousere<italic>n</italic>, q<italic>ue</italic> mas diuidas, as q<italic>ue</italic> me ne<italic>m</italic>brare<italic>n</italic>, que se page<italic>n</italic> per_ele <italic>e</italic> das qu<italic>e</italic> me no<italic>n</italic> ne<italic>m</italic>brare<italic>n</italic> uena<italic>n</italic> aqueles q<italic>ue</italic> disere<italic>n</italic> a q<italic>ue</italic> as deuo, uena<italic>n</italic> <italic>e</italic> faca<italic>n</italic> foro da tera perdant’ o ioit. Jt<italic>en</italic>, mando que se algúú ou algua contra este feito quiseer uiir, mando que page C mr., ante q<italic>ue</italic> polo mo&lt;st&gt;eiro responda<italic>n</italic>, e ou &lt;<strike>sehor</strike>&gt; sehenor da tera outro tanto, e quanto demandar outro tanto e<italic>n</italic> d(r)ubru co<italic>n</italic>pona. Testimunas: Ihoane Esteueet, abade de Santa &lt;Uai&gt;a de Ueerit; Rodrigo Perit, capela<italic>n</italic> de San Simo<italic>n</italic>; Domingos Perit, frade de San Simo<italic>n</italic>; Giral Peret de Ueerit.</p>
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<title><bold>Reproduções fotográficas</bold></title>
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<fig id="gf12">
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<title>D1</title>
</caption>
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</fig>
</p>
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<fig id="gf13">
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<title>D2</title>
</caption>
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</fig>
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<fig id="gf14">
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<title>D3A</title>
</caption>
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</fig>
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<title>D3B</title>
</caption>
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</fig>
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<title>D4</title>
</caption>
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</p>
<p>
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<caption>
<title>D5</title>
</caption>
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