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        <journal-title specific-use="original">Innovación educativa</journal-title>
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        <publisher-name>Universidade de Santiago de Compostela</publisher-name>
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          <subject>Documentación</subject>
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        <article-title>Mendes, M. M. y Gandra, F. S. (2023). <italic>Espaço(s) com e para a(s) criança(s). Olhares plurais a partir das ciências sociais, da arquitetura e do urbanismo.</italic> Editora Mundos Sociais. ISBN: 978-989-8536-88-4. 235 páginas.</article-title>
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        <institution content-type="original">Investigadora autónoma, Portugal</institution>		      
        <country country="ES">Portugal</country>
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        <corresp id="corr-1-10685"><sup>a</sup> <email xlink:href="carmen.morante@usc.es">vallpedag@gmail.com</email></corresp>       
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    <p>O leitor que se debruça sobre a obra <italic>Espaço(s) com e para a(s) criança(s). Olhares plurais a partir das ciências sociais, da arquitetura e do urbanismo</italic>, organizada por Maria Manuela Mendes- ISCSP/UL e Florbela Samagaio Gandra-ESE Paula Franssinetti/CIPAF, sem dúvida, deparar-se-á com uma temática contemporânea, discorrida de forma didática e profunda, cujos <italic>olhares plurais</italic> proporcionam uma reflexão onde as preposições com e para convidam a discutir sobre a conexão entre infância e os estudos sobre o espaço.</p>
    <p>Para tanto, didaticamente apresentada, com o objetivo de contribuir para dar visibilidade e expandir o conhecimento a despeito da literatura científica de fronteira entre os estudos da infância  e os estudos do espaço urbano, a obra é composta por doze capítulos, estruturados a partir de três eixos, a saber: i) Infância(s), cidadania e cidade - quatro capítulos; ii) Infância(s) e experiências espaciais: do espaço público à casa - cinco capítulos e iii) Infância(s) e espaços escolares - três capítulos.</p>
    <p>No eixo 1, nomeadamente, Infancia(s), cidadania e cidade, estribando-se no campo do saber da Sociologia da Infância, cuja tónica é evidenciar a forma como as  crianças transformam os espaços urbanos em “lugares”, ou seja, contextos de interações revestidos de sentido e emoções, o primeiro capitulo apresenta três fatores primordiais no tocante a mudança na visibilidade das crianças: i) migrações – presença das crianças nas cidades grandes, logo as crianças passam a tornar-se habitantes citadinos contribuindo para transformar as cidades; ii) o direito à cidade - enquanto desafio teórico e prático de interpretação e iii) ação das crianças - reivindicação de políticas públicas e concretas.</p>
    <p>Ao longo do capítulo um,  o autor menciona seis fatores de restrição da cidadania da infância: 1. domesticação, 2. institucionalização, 3. insularização, 4. dualização, 5. fragmentação e 6. limitação da autonomia de mobilidade. Por outro lado, considera que é possível potencializar a cidadania da infância por meio de políticas urbanas que permitam a concretização do reconhecimento e participação das crianças. Assim, destaca: 1. personalização; 2. affordance; 3. experiência; 4. intergeracionalidade. 5. participação e  6. urbanidade, como possibilidades para tal potencialização.</p>
    <p>No capítulo dois, no tocante à (in)visibilidade da infância no espaço público, a autora vai ao encontro do posicionamento do autor do primeiro capitulo e retoma três, entre os seis fatores de restrição da infância e cidadania: 1. domesticação; 2. institucionalização e 3. insularização. Neste percurso, a mesma caracteriza a cidade enquanto espaço de encontros geracionais onde as crianças a vivenciam, a constroem e a transformam e reafirma o posicionamento de Machado Pais (<xref rid="ref-3-10685" ref-type="bibr">2010</xref>), onde as cidades a partir dos conceitos de espacialidade e de territorialidade, conotam com relações de poder distintas e capacidade de inclusão e exclusão. Partindo deste pressuposto, optou metodologicamente,  por evidenciar um estudo de caso, de natureza qualitativa, desenvolvido em um projeto local inserido no programa CAC. - Cidade Amiga das Crianças, realizado entre 2011 e 2012, com o objetivo de identificar perspetivas  das crianças sobre a cidade em que habitavam.</p>
    <p>Com o objetivo de refletir  sobre a importância do espaço cidade enquanto impulsionador de uma nova gestão que compartilhe os principios da sustentabilidade numa plataforma de resposta holística aos desafios urbanos, no <italic>capítulo três - Quando a cidade deixa de ser escutada pela infância urbana</italic>, as autoras  proclamam a cidadania enquanto construção em sociedade. Assim, a cidadania é vista como espaço de valores, ações e instituições comuns que integram indivíduos, permitindo o mútuo reconhecimento como membros de uma comunidade na qual coexistem cidadanias compostas efeito das migrações, mesclas étnicas e religiosas. Isto posto, trazem a seguinte questão enquanto norteadora para discorrer sobre o capítulo: <italic>estará garantida a presença da criança cidadã na cidade de hoje, no ato de participação desta enquanto cidadã e elemento transformador de realidades no elo de ligação do lugar?</italic></p>
    <p>A resposta a esta pergunta, segundo as autoras, apresenta dois caminhos. De uma lado o aspeto normativo - Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança / 1989 que assegura a condição da criança cidadã. Do outro, a sua não efetivação, o que caracteriza um logo caminho a percorrer.</p>
    <p>Embora o direito das crianças à cidade não seja referendado de forma explicita na CNU - Convenção das Nações Unidas - 20/1171989, consoante aponta o autor do capítulo um, as autoras do capítulo três afirmar que o mesmo só cimenta-se quando o desenho do espaço público proporciona abertura ao desafio que impõem locomoverem-se de forma autónoma e independente, permitir possibilidade de interagir com o outro e em conexão com a natureza, resgatar e descobrir a cultura do lugar e sentir-se parte integrante do espaço. (Veloso e Correia, p. 48).</p>
    <p>O término do Eixo 1 se concretiza com o <italic>capítulo quatro - A invenção da infância-o direito à memória, à identidade e à cultura</italic>, onde a autora amplia o conceito de arquitetura enquanto processo formativo junto das crianças, logo, ilustrativa e pedagógica, não limitando-se ao plano exclusivamente funcional: habitação humana.  Desta maneira, a autora, afirma a importância de todos desfrutarem de um conjunto de direitos fundamentais, dentre os quais o direito à cidadania enquanto agregador dos demais - direito à infância, no caso das crianças. A autora indaga: <italic>em que a infância pode exigir algo que a cidade lhe  deve providenciar?</italic> Com base neste debate, a mesma apresenta quatro aspetos enquanto possibilidades de garantia do direito à cidadania - imaginação, segurança, sentido de comunidade e esperança, e evoca como anti pedagógicas as arquiteturas infantilizadas.</p>
    <p>O Eixo 2, Infância (s) e experiências espaciais: do espaço público à casa, inicia com o <italic>capítulo cinco - Requalificação urbana e espaços públicos abertos - Heterotopias infantis, onde as autoras debatem, inicialmente, os efeitos da requalificação urbana</italic>. Após tais considerações, trazem um exemplo de requalificação urbana, enquanto experiência espacial, Afurada, um modo de vida que se dá “a porta”, Programa Pólis, 2001, fazendo o leitor mergulhar naquilo que ganha destaca no título do próprio capítulo: Heterotopias infantis ou espaços heterótópicos. Logo, lugares de resistência na defesa de valores e práticas das culturas infantis.</p>
    <p>De forma metodológica rigorosa, o olhar das autoras sobre o que acontece com a Afurada, revela possibilidades de reinvenção, onde espaços e equipamentos ganham outros atributos de acordo com os ocupantes, as atividades praticadas e seus significados.</p>
    <p>O capítulo seis, intitulado <italic>Children in public spaces</italic>, o autor pondera as consequências da desumanização do espaço urbano para o desenvolvimento social, físico e psicológico das crianças. Assim, continua a discorrer sobre a temática e retoma o conceito de CAC - Cidade Amiga da Criança mencionado no capítulo dois, e reitera que o mesmo apoia o “direito à cidade” das crianças cujas expectativas sobre a cidade devem ser ouvidas de suas próprias vozes e as decisões devem ser tomadas com elas.</p>
  <p>Na sequência, o autor traz uma das experiências espaciais realizadas no bairro do Benfica, Lisboa. Para tanto, apresenta algumas questões que nortearam o estudo: (1) Os parques infantis são suficientes para as crianças brincarem ativamente?; (2) Os parques infantis são adequados e totalmente acessíveis para crianças com diferentes idades/habilidades/interesses/competências?; (3) A localização dos parques infantis e suas características de design afetam a densidade de uso?; (4) Os usos dos parques infantis diferem de acordo com os dias e horas; (5) Existe alguma diferença entre meninos e meninas no uso dos parques infantis?. O estudo traz uma gama de sugestões para que as crianças brinquem de forma segura, confortável e livremente.</p>
  <p>Já o <italic>capitulo sete, El grado cero</italic>, os autores tomam como ponto de partida a observação da cidade e infância através de um relato etnográfico visual  - captura de jogos e vivências e reinterpretação destes construindo um imaginário coletivo - de cenas da infância e fotografia das ruas.</p>
  <p>O título assim o é, dado ao desaparecimento das cenas tangíveis do urbano e dos corpos lúdicos. Desta maneira, pactuam a ideia de olhar a infância a partir do cinema, como documento ou a partir da própria ideia de cinema. Sugerem, pois Benjamin (<xref rid="ref-1-10685" ref-type="bibr">2011</xref>) e Schulz (<xref rid="ref-4-10685" ref-type="bibr">2008</xref>), do novo cinema, da cidade descoberta, da infância e das decisões educativas.</p>
  <p>O <italic>capítulo oito, Investigação de fronteira</italic>, a autora, após referendar o multimétodo como abordagem promissora no que refere-se à investigação <italic>com crianças</italic>, descreve um estudo exploratório e experimental realizado no bairro da Torre, com metodologias participativas em um projeto de investigação-ação. A investigação buscou envolver os participantes num processo de aprendizagem social e empoderamento com o intuito de se operar um mudança social.</p>
  <p>O Eixo 2 é concluído com o <italic>capítulo nove, Projetar o ambiente arquitetónico para a infância- o espaço da casa que nos faz sonhar, criar, brincar e crescer</italic>,  onde a autora a partir da pergunta principal da investigação: quais as opiniões e as perceções das crianças sobre o espaço da casa?, traçou três objetivos: 1. compreender a importância do ambiente do quarto para o desenvolvimento das crianças; 2. valorizar o trabalho do arquiteto como idealizador do espaço da criança na casa da família; 3. posicionar a arquitetura como veículo de expressão das vozes das crianças procurando sensibilizar os pais sobre a importância de lhes concederem a voz no que diz respeito à projeção do espaço de utilização delas próprias.</p>
  <p>À vista disto, a autora dividiu o texto em três partes: parte um - o espaço e o desenvolvimento infantil: o pioneirismo do trabalho de Montessori - destacou que o mesmo concretizou-se enquanto proposta adequada ao grupo social das crianças; parte dois - Escutar as crianças: estratégias e metodologias utilizadas na investigação - pesquisa bibliográfica e análise documental em conjunto com a realização de entrevistas e desenhos por parte das crianças e, por fim, parte três - O que aprendemos com as crianças? - Analise dos dados recolhidos durante a investigação.</p>
  <p>Especificamente, e válido relatar, enquanto pista para o leitor que inicia sua trajetória como investigador, ou mesmo para os que já iniciaram e desejam aprofundar-se no assunto, que a temática apresenta pouco trabalho empírico. Portanto, um caminho que pode ser explorado trazendo contributos que fomentam o debate. Todavia, a fim de opulentar o debate, cabe ao investigador perguntar: que criança é essa que será ouvida para projetar o seu próprio ambiente (quarto)? Será uma criança que mora na periferia? Como seria facultado o acesso ao arquiteto enquanto idealizador deste espaço na família? Será que a criança da habitação social teria essa mesma oportunidade de ser ouvida? Se sim, como?</p>
  <p>A última parte, o Eixo 3, intitulado <italic>Infância(s) e espaços escolares,  começa com o capítulo dez, Avaliação dos espaços escolares por alunos do ensino básico - Diversidade de vivências e apreciações</italic>, e apresenta, à semelhança do capítulo nove, um campo fértil de investigação dada a escassez de pesquisas que analisem a relação das crianças com o espaço escolar, a avaliação que fazem deste espaço e das necessidades que sentem no cotidiano escolar.</p>
  <p>Neste sentido, as autoras afirmam que o contributo não advém de pesquisas realizadas que tenha como objeto central o espaço escolar. Assim, intersetaram tal questão e fornecem elementos para reflexão em torno da mesma. Para tanto, o texto traz pesquisas realizadas pelo CIES - IUL - Centro de Investigação e Estudos em Sociologia do Instituto da Universidade de Lisboa desenvolvidas em tempos diferentes: 2003 - Inquérito aos aluno de Lisboa e Loures; 2007 - Inquérito aos trajetos de descendentes de imigrantes e 2014 - Inquérito aos brasileiros em escola pública. Dado as especificidades do estudo, as autoras sugerem um multimétodo para estudos futuros.</p>
  <p>O <italic>capítulo onze, Da escola arquipélago à escola em rede - os espaços da infância como realidades descontínuas</italic>, tem como objetivo analisar a forma como a nível local os diversos agentes institucionais relevantes na garantia dos direitos das crianças interagem e cooperam para atingir este fim.</p>
  <p>A metodologia empregada, refere-se a um conjunto de pesquisas sobre violência na escola realizadas em diversos agrupamentos de escolas de um conselho de Lisboa. Os resultados apresentam necessidade de maior convergência e dinamismo das instituições a nível de conselho, visto que as organizações cujos dirigentes se conhecem face a face têm maior relevância na capacidade local.</p>
  <p>À guisa de conclusão, o livro apresenta o <italic>capítulo doze, Perceções dos jovens a partir do edificado escolar - Um olhar preliminar a partir da noção de instituições totais</italic>, onde o autor e a autora, delineou como objetivo refletir sobre as representações da escola com base na auscultação de sentimentos, memórias e aprendizagens que os jovens identificam a partir  da visualização de fotografias sobre o edifício escolar. A uberdade do capítulo encontra-se na proposta metodológica sugerida por ambos no processo de investigação: uma pesquisa de natureza qualitativa, amparada na sociologia visual - produção da imagem.</p>
  <p>O autor e a autora elucubram sobre a escola enquanto lugar de socialização, fundamental para o desenvolvimento psicossocial do indivíduo, não enquanto instituição totalitária.</p>
  <p>Concluir a leitura da obra <italic>Espaço(s) com e para a(s) criança(s). Olhares plurais a partir das ciências sociais, da arquitetura e do urbanismo</italic>, é como ter feito uma visita a Fedora (<xref rid="ref-2-10685" ref-type="bibr">Calvino, 1972</xref>). Marco Polo, responsável por descrever ao conquistador Kublai Khan cada cidade visitada de um infinito império, chegou a Fedora. A mesma é descrita como:</p>
  <p>No atlas do seu império, Ó Grande Khan, devem constar tanto a grande Fedora  de pedra quanto as pequenas Fedoras das esferas de vidro. Não porque sejam igualmente reais, mais porque são todas supostas. <italic>Uma reúne o que é considerado necessário</italic>, mais ainda não o é; as outras, <italic>o que se imagina possível</italic> e num minuto mais tarde deixa de sê-lo (p.16)</p>
  <p>Assim, o leitor também chegará a Fedora! De um lado a obra apresenta aquilo <italic>que é considerado necessário</italic> no tocante à temática da infância e espaço – consagração do direito à cidade para além dos aspectos normativos; possibilidades de metodologias e/ou estudos aprofundados sobre a temática; do outro, <italic>o que se imagina possível</italic>  - ouvir as vozes das crianças enquanto possibilidade de firmar políticas públicas e no seu espaço privado - família, potencializar a resignificação dos espaços  por parte das crianças quando estes sofreram alterações. É sobre este último aspecto, <italic>o que se imagina possível</italic>, que Tonucci (<xref rid="ref-5-10685" ref-type="bibr">1997</xref>) confere à criança um papel importante: o que a criança pode representar para a cidade, as cidades podem representá-lo para o nosso país - a política, a boa administração, a participação e o controlo democrático começam pelas cidades, assim como pelas cidades começa o acolhimento, a solidariedade. Num momento de tão grande e grave degradação social e moral, as crianças poderão salvar as nossas cidades e estas, o nosso país. Portanto, um percurso frutífero.</p>
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      <title>Referências</title>
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        <mixed-citation publication-type="book">Benjamin, W. (2011). <italic>Infancia en Berlín hacia el el mil novecientos</italic>. Abada Editores.</mixed-citation>
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          <source>Infancia en Berlín hacia el el mil novecientos</source>
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        <mixed-citation publication-type="book">Calvino, I. (1972). <italic>As cidades invisíveis. Biblioteca Folha.</italic></mixed-citation>
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        <mixed-citation publication-type="book">Machado Pais, J. (2010). <italic>Lufa-Lufa Quotidiana. Ensaios sobre cidade, cultura e vida urbana.</italic> Imprensa de Ciências Sociais.</mixed-citation>
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        <mixed-citation publication-type="book">Schulz, B. (2008). <italic>Madurar hacia la infância.</italic> Siruela.</mixed-citation>
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