Resumo

Pretende-se, com este estudo, proceder a uma análise hermenêutica, de tipo dialógico, entre Tão Tão Grande (2016), da autora e ilustradora Catarina Sobral e de A barata que acordou transformada numa gigantesca menina (2023), da autoria de Ana Margarida de Carvalho e ilustrações de Anna Bouza da Costa e a obra canónica A Metamorfose (1915), de Franz Kafka. Partindo de uma leitura da metamorfose kafkiana, procuraremos mostrar como o potencial inquietante e perturbador, específico dos métodos de escrita de Kafka, encontrou os seus equivalentes na literatura infantojuvenil portuguesa, estando ao serviço do tratamento narrativo de temáticas atuais, por vezes fraturantes, como a destruição dos ecossistemas e as dificuldades físicas e psicológicas associadas às etapas do crescimento juvenil.