Contido principal do artigo

Gabriel Antunes de Araujo
University of Macau
Macao
https://orcid.org/0000-0001-7337-3391
Chenglin Zhu
University of Macau
Macao
https://orcid.org/0009-0002-1861-9613
Vol. 18 (2026): Estudos de Lingüística Galega, Artigos
https://doi.org/10.15304/elg.18.9879
Recibido: 20-04-2024| Publicado: 08-05-2026

Resumo

O Dicionário Português-Chinês (cerca de 1579-1584) é um marco na história da lexicografia, tendo sido publicado em 2001 em uma edição facsimilar (Ruggieri & Ricci, 2001). Aqui, discutimos a ordem de redação dos itens do dicionário, considerando as entradas em português, os caracteres chineses e sua romanização, os acréscimos em italiano e as revisões posteriores, bem como a atuação de seu autor Michele Ruggieri SJ. Mostramos que nos fólios A a C, um amanuense redigiu previamente as entradas em português, com base no Dicionário de Cardoso (1569). Posteriormente, Ruggieri coordenou a escrita dos equivalentes chineses e anotou suas romanizações das palavras chinesas. Na seção A-C, Ruggieri presumiu que haveria um correspondente chinês para cada palavra listada no dicionário de Cardoso (1569). Contudo, a recolha de dados e a comparação de itens lexicais do português e do chinês levaram-no a abandonar a lista que tinha preparado previamente. Optou então por uma abordagem mais pragmática e abandonou a procura de um equivalente chinês para cada entrada do dicionário. Assim, na seção D a Z, mudou a sua abordagem: uma entrada em português só era escrita quando os assistentes chineses ofereciam um equivalente. Nesse sentido, Ruggieri tomou decisões autorais para melhorar o uso de todos os recursos disponíveis. Embora o manuscrito se encontre inacabado e não tenha sido publicado editado em sua época, ele revela a evolução de Ruggieri como lexicógrafo e um modus operandi que influenciaria a produção posterior de dicionários jesuítas no Extremo Oriente.