Resumo

O objetivo deste trabalho é colocar lado a lado duas obras que, a pesar das semelhanças, nunca foram lidas de forma comparativa: A Esmorga (1959), do galego Eduardo Blanco Amor, e João Vêncio: os seus amores (1979, mas escrito em 1968), do angolano José Luandino Vieira. Em ambos os romances temos a retomada de uma certa tradição picaresca peninsular e a invenção de uma linguagem capaz de expressar a particularidade de personagens marginais que produzem longos monólogos, ainda que dirigidos a alguém: um juiz no primeiro caso, e um possível companheiro de prisão no segundo. Além disso, ambos os livros nos questionam – e talvez este seja o seu aspeto mais importante – sobre a possibilidade da confissão e dajustiça.